Santo Aarão
Primeiro
sumo sacerdote (século XIII a.C.) Irmão mais velho de Moisés, Aarão foi
o principal colaborador deste na recondução do povo eleito à Terra
Prometida, uma vez libertado da escravidão do Egito. No Pentateuco vem
descrita, de modo particular, sua função sacerdotal: “Exaltou Deus seu
irmão Aarão, santo como seu irmão Moisés, da tribo de Levi. Fez com ele
uma aliança eterna. Deu-lhe o sacerdócio do seu povo”.
Tinha
a bela idade de 83 anos quando se apresentou diante do faraó, junto com
o irmão, e foi o autor dos milagres das três primeiras pragas. Durante a
caminhada no deserto, compartilhou com Moisés as dificuldades e
responsabilidades. Conduziu o povo durante todo o tempo em que o irmão
permaneceu no Sinai, mas teve a fraqueza de ceder ao desejo do povo de
construir uma imagem de Deus (um bezerro de ouro, segundo a simbologia
semítica). Foi duramente exprobrado, mas poupado da terrível cólera
divina graças à intercessão de Moisés.
Após
a solene consagração sacerdotal, o próprio Deus tomou a defesa da
legitimidade contra a insubordinação de alguns opositores em relação ao
milagre da vara. Mas quando Aarão, como Moisés, duvidou da possibilidade
de uma intervenção divina para fazer brotar água da rocha, Deus o puniu
da mesma forma que ao irmão: nenhum dos dois poria os pés na terra de
Canaã!
De
fato, Aarão morreu nas proximidades de Cades, aos pés do monte Hor,
após ter sido despojado por Moisés das insígnias sacerdotais em favor de
Eleazar. Foi pranteado pelo povo, que guardou luto por 30 dias,
considerando-o — como se lê no livro de Sirácida* — grande e semelhante
a Moisés, a despeito das fraquezas humanas de que deu mostras em mais
de uma ocasião. Entretanto, redimiu-se porque aceitou humildemente as
repreensões e os castigos.
Sua
hierática figura também se encontra no Novo Testamento: a Epístola aos
Hebreus menciona Aarão quando submete a nossa reflexão o significado
bem mais alto do sacerdócio de Cristo: “Porquanto todo sumo sacerdote,
tirado do meio dos homens é constituído em favor dos homens em suas
relações com Deus. A sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos
pecados”.
Santo Aarão, rogai por nós!
São Galo

Filho
de pais nobres e ricos, descendente de família tradicional da corte da
França, Galo nasceu no ano 489, na cidade de Clermont, na diocese de
Auvergne. Foi tio e professor de outro santo da Igreja, o bispo Gregório
de Tours.
Na sua época era costume os pais combinarem os
matrimônios dos filhos. Por isso ele estava predestinado a casar-se com
uma jovem donzela de nobre estirpe.
Mas Galo, desde criança, já
havia dedicado sua alma à vida espiritual. Para não ter de obedecer à
tradição social, ele fugiu de casa, refugiando-se no convento de
Cournou, daquela mesma diocese.
Após intensas negociações, seu
pai acabou permitindo que ele ingressasse na comunidade monástica. Foi
assim que Galo iniciou uma carreira totalmente voltada para a fé e aos
atos litúrgicos. Ele era tão dedicado às cerimônias da santa missa que
se especializou nos cânticos. Contam os escritos que, além do talento
para a música, era também dotado de uma voz maravilhosa, que encantava e
atraía fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento.
Mas suas
virtudes cristãs não se limitavam às liturgias. Sua atuação religiosa
logo lhe angariou prestígio e, em pouco tempo, foi designado para atuar
na corte de Teodorico, rei da Austrásia, atualmente Bélgica. Em 527,
quando morreu o bispo Quinciano, Galo era tão querido e respeitado que o
povo o elegeu para ocupar o posto.
Se não bastasse sua
humildade, piedade e caridade, para atender às necessidades do seu
rebanho Galo protagonizou vários prodígios ainda em vida. Um dos mais
citados foi ter salvado a cidade de um pavoroso incêndio que ameaçava
transformar em cinzas todas as construções locais. As orações de Galo
teriam aplacado as chamas, que se apagavam na medida em que ele rezava.
Outro muito conhecido foi o que livrou os habitantes de morrerem vítimas
de uma peste que assolava a região. Diante da bênção de Galo, o fiel
ficava curado da doença.
Ele morreu em 1o de julho de 554,
causando forte comoção na população, que logo começou a invocá-lo como
santo nas horas de dor e necessidade, antes mesmo de sua canonização ter
sido decretada. Com o passar dos séculos, são Galo, foi incluído no
livro dos santos da Igreja de Roma, cuja festa litúrgica foi mantida no
dia da sua morte, como quer a tradição cristã.
São Galo, rogai por nós!
Santo Oliver Plunkett

Oliver
Plunkett, irlandês, nasceu no ano de 1625, em Loughcrew, numa família
de nobres. Ele queria ser padre, mas para realizar sua vocação estudou
particularmente e na clandestinidade. Devido à perseguição religiosa
empreendida contra os católicos, seus pais o enviaram para completar o
seminário em Roma, onde recebeu a ordenação em 1654.
A ilha
irlandesa pertence à Coroa inglesa e possuía maioria católica. Mas como
havia rompido com a Igreja de Roma, o exército real inglês, liderado por
Cromwel, assumiu o poder para conseguir a unificação política da
Inglaterra, Escócia e Irlanda. Obcecado pelo projeto, mandara até mesmo
assassinar o rei Carlos I. E na Irlanda não fez por menos, todos os
religiosos, sem exceção, foram mortos, além de leigos, militares e
políticos; enfim, todos os que fossem católicos. Por isso o então padre
Plunkett ficou em Roma exercendo o ministério como professor de
teologia.
Em 1669, o bispo da Irlanda, que estava exilado na
Itália, morreu. Para sucedê-lo, o papa Clemente IX consagrou o padre
Oliver Plunkett, que retornou para a Irlanda viajando como clandestino.
Dotado de carisma, diplomacia, inteligência, serenidade e de uma fé
inabalável, assumiu o seu rebanho com o intuito de reanimar-lhes a fé.
Junto às autoridades ele conseguiu amenizar os rigores impostos aos
católicos.
Porém Titus Oates, que fora anglicano e depois
conseguiu tornar-se jesuíta, ingressando num colégio espanhol, traiu a
Igreja romana. Ele, para usufruir os benefícios da Coroa inglesa,
apresentou uma lista de eclesiásticos e leigos afirmando que tentariam
depor o rei Carlos II. Nessa relação estava o bispo Plunkett, que foi
condenado à morte por decapitação pública.
A execução ocorreu em
Londres, no dia 1o de julho de 1681. Antes, porém, ele fez um discurso
digno de um santo e mártir. Segundo registros da época, o seu heroísmo
na hora do martírio, somado ao seu discurso, contribuiu para a glória da
Igreja de Roma mais do que muitos anos do mais edificante apostolado.
O
seu culto foi confirmado no dia 1o de julho ao ser beatificado em 1920.
Canonizado pelo papa Paulo VI em 1975, santo Oliver Plunkett possui
duas sepulturas. O seu corpo esta na Abadia de Downside, em Londres,
enquanto sua cabeça esta na Abadia de Drogheda, na Irlanda. Ele foi o
último católico condenado à morte na Inglaterra em razão de sua fé.
Santo Oliver Plunkett, rogai por nós!