Blog Brasil Católico Total NO TWITTER

Blog Brasil Católico Total NO  TWITTER
SIGA-NOS NO TWITTER

Você é o Visitante nº desde 3 janeiro 2014

Flag Counter

Seguidores = VOCÊS são um dos motivos para continuarmos nosso humilde trabalho de Evangelização

terça-feira, 3 de julho de 2012

EUCARISTIA OU NADA. "A IGREJA FAZ A EUCARISTIA E A EUCARISTIA FAZ A IGREJA" - Parte 7


EUCARISTIA OU NADA.

"A IGREJA FAZ A EUCARISTIA
E A EUCARISTIA FAZ A IGREJA"

O QUE É, POIS, A SANTA MISSA?

É o momento de entregar-se e responder a esta pergunta, para entender o sentido da escolha do pão e do vinho, feita por Jesus, na instituição da Eucaristia: Só na Missa temos a explicação de tudo.

Ela “é algo mais que uma festa da união fraterna; é muito mais que um banquete de amigos ou que uma mesa para pobres. Não é pouco o momento de celebrar a dignidade humana, as reivindicações ou esperanças puramente terrenas. É o SACRIFÍCIO que torna Cristo realmente presente no Sacramento” (João Paulo II. 20.3.1990. aos Bispos brasileiros, na sua visita ad sacra limina).

Por isso, é a celebração sacramental do Sacrifício do Calvário: o mesmo Sacrifício da Cruz, celebrado por Jesus, mediante o Seu ministro, autorizado por Ele a representá-Lo invisivelmente, sim, a agir em Seu Nome, na Sua Própria Pessoa.

Sacrifício dito incruento, não porque diverso do cruento, mas porque é o mesmo, de que difere apenas na medida em que é oferecido sob as espécies do pão e do vinho, elementos que, distintamente consagrados, evidenciam simbolicamente a violenta separação do sangue do corpo da vítima imolada.

Não é, porém, uma pura representação simbólica-comemorativa de quanto aconteceu há mais de vinte séculos, em Jerusalém. Certamente, é uma representação, mas o seu simbolismo não resolve em si ou só por si a realidade do SACRIFÍCIO: compreendemo-lo ou abrangemo-lo, refletindo em que a distinta consagração do pão e do vinho é o sinal da REAL e ATUAL MORTE DA VITIMA. Os dois elementos consagrados, de fato, já não são PÃO e VINHO, mas o próprio Cristo, com o Seu Corpo morto e o Seu Sangue derramado. Por outro lado, Cristo, como Mediador universal, não realizou o Seu Sacrifício, mas REALIZA-O, porque EXPIA os pecados cometidos da primeira à última geração humana, a respeito das quais Ele mesmo é contemporâneo, não podendo ser nunca, nem futuro nem passado para nenhuma delas.

Três, pois, segundo o Magistério, são os pressupostos fundamentais, e entre si inseparavelmente ligados, do Sacrifício Eucarístico: o pecado de todos os tempos, a transcendência do Verbo Incarnado, a transubstanciação.

A Missa não é a assembléia dos fiéis. Estes participam nela, mas não a celebram. E tanto isto é verdade, que a Missa é validíssima por si mesma, mesmo quando não esteja presente nenhum fiel. Nem qualquer presidente pode fazer de celebrante: mas apenas o SACERDOTE que, em virtude do Sacramento da Ordem, representa Cristo como Seu ministro.

Representando Cristo diante do Pai, ele representa a Igreja. Seu Corpo Místico e, por conseguinte, também os fiéis que são os Seus membros. É em Cristo, pois, que é necessário fixar a atenção, uma vez que é Ele o único verdadeiro Celebrante, principal oferente ou oferecedor, como é a única verdadeira Vítima principal oferecida.

Jesus é o próprio Verbo que, assumindo a natureza humana, lhe participa, com o Seu próprio ato de ser – filial- a infinita dignidade e poder que Lhe são próprios, como Pessoa Divina que é. Dignidade e poder que a todas as ações do HOMEM-JESUS conferem um valor imenso: precisamente aquele que é necessário para fazer de mediador capaz de reunir e conter em Si tudo quanto é criado, ou seja, de transcender e compreender ou incluir todo o curso das gerações humanas, e ser por isso o CENTRO a que todas e cada uma delas convergem, podendo assim perceber os frutos da Sua Mediação expiadora.

Por conseguinte, se, incarnando, Ele Mesmo Se insere no tempo e Se reveste da natureza humana, sujeita-Se às suas leis e experimenta-lhes as misérias...; continua, porém, a salientar-Se e a dominar, pelo que é contemporâneo de cada indivíduo que, pecando, O faz agonizar na alma e no corpo. Portanto, a causa mais real da Sua Paixão é todo o pecador, enquanto, segundo o plano da Providência, a obra de juízes iníquos e de velhacos fanáticos tem sido apenas o instrumento e como que o símbolo das culpas humanas que, ofendendo a Deus, não tem cessado nem cessarão de trespassar o Coração de Cristo.

Conclui-se assim, que o delito dos Judeus é como que o “signum” (sinal) de todos os pecados que, cometidos ao longo de todos os séculos, são os verdadeiros responsáveis de uma Paixão sempre em ato, ou seja, nem futura para alguns, nem passada para outros, mas sempre presente, a par da mediação do Verbo Incarnado, no centro de todos os tempos: Ele é Primeiro e Último, Alfa e Ômega, Princípio e Fim da História.

Mais claramente: a Paixão não precede o pecado, mas segue-o, sendo este a sua causa. Não pode dizer-se que Cristo já sofreu pelas culpas do gênero humano (pelo que eu ficarei livre de pecar), porque sou precisamente eu, com as minhas culpas cometidas de um momento para o outro, que O firo. Perfeito é o sincronismo entre mim-pecador e Ele-morimbundo Jesus deixará de morrer, com o último pecado do homem.

Para quê o Sacrifício Eucarístico?

É simples: para tornar possível à Igreja de todos os lugares e tempos, a participação na Oferta cruenta da Cruz. Ou seja, para que o pecador de todos os lugares e tempos, porque o ofender a Deus, se torne responsável da Paixão de Cristo, de forma a poder também fazer sua esta mesma Paixão, ou seja, expiar as suas culpas e deste modo se redimir ou salvar. E ele pode fazê-lo não apenas recordando uma Paixão sofrida há milhares de séculos: mas, sobretudo, instruindo ou compreendendo, à luz da fé, uma Paixão que, quanto ao seu conteúdo de mistério, perdura para além do rolar dos tempos num presente meta-histórico: precisamente a Paixão que o homem provoca em Cristo, todas as vezes que peca; aquela pela qual ele, fazendo-a sua, se reconcilia com Deus.

A realidade dos fatos resume-se no pecado do homem e no Sacrifício de Cristo

Sacrifício que o crente conhece pelo relato evangélico, em que está descrito tudo o que se refere aos seus elementos empíricos, conhecidos pelas testemunhas oculares da Paixão e, sobretudo, pela fé que o faz intuir ou compreender o seu sentido profundo, a sua finalidade altíssima, a sua eficácia infinita.

Justamente aquilo que interessa à humanidade inteira, que pode elevar-se a contemplar o Mistério, apenas partindo do sensível; e daí, a necessidade de um rito externo que o revele. E eis então o SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO. O qual, enquanto ou na medida em que renova a Última Ceia, celebra o idêntico Sacrifício da Cruz que, perfeito em si e por si irrepetível, é oferecido aos sentidos do crente pela distinta consagração do pão e do vinho, transubstanciados no Corpo e no Sangue de Cristo.

Deste modo, a idêntica Imolação da Cruz oferece duas vertentes: uma constituída pela humanidade do Salvador, que sofre sob as aparências da natureza passível assumida pelo Verbo, tal como os Seus contemporâneos puderam observar, recordar e descrever, a nível do fenômeno ou da crônica (sub epecie própria – sob as Suas próprias espécies). A outra, sobrenatural, objeto de fé, consiste no mistério do Verbo Incarnado, Vítima de satisfação e redenção, velada sob as espécies sacramentais, ou seja, sob as naturais propriedades do pão e do vinho, distintamente consagrados (sub specie alienta – sob espécies alheias).

E delas resulta portanto a única, intemporal, REALIDADE do Mistério sob dois diferentes sinais sensíveis e temporais:

- as carnes a jorrar Sangue de Cristo moribundo na Cruz;

- as distintas espécies consagradas do pão e do vinho, símbolo da violenta separação do Sangue, do Corpo do Salvador.

Trata-se, portanto, de dois sinais: o primeiro é NATURAL, perceptível pelos sentidos; o segundo é SACRAMENTAL, inteligível pela fé, que abre o crente à transcendente verdade de Cristo, Sacerdote-Vítima. Só para ele a Missa é SACRAMENTO DO SACRIFÍCIO.

Ora, se a Imolação de Cristo apareceu uma só vez sob as espécies da Sua natureza humana dolorosa, tendo depois ressuscitado e passando a ser impassível...; verdade é que são infinitas as vezes que ela pode apresentar-se sob as espécies sacramentais, isto é, tantas quantas são as celebrações eucarísticas, permanecendo sempre:

- idêntico o sacerdote,

- idêntica a Vítima,

- idêntica a oferta que Ele faz de Si.

Por conseguinte, se é certo que podem celebrar-se inúmeras Missas único ficará sendo sempre o Sacrifício por elas significado. Ou seja: a Muitas Missas corresponde um só Sacrifício. Portanto, a Missa, Sacramento do Sacrifício, foi instituída para que os crentes pudessem participar no Sacrifício, mediante o Sacramento, e isto em virtude da transubstanciação, pela qual o próprio Jesus, corporalmente presente (como na Cruz) Se oferece, tanto ao Pai como Vítima de expiação, como a nós, como Alimento de vida eterna, significado pelas espécies sacramentais.

Segue-se que, faltando a transubstanciação, a Oferta cruenta do Calvário acabaria por ser uma simples recordação e um artigo de fé na qualidade de Mistério: o qual não revelado aos sentidos se não prestaria a culto externo nem à Comunhão Eucarística sinal de unidade entre os membros do Corpo Místico, necessitados do sensível para se reconhecerem, se amarem e viverem juntos.

MESA CELESTE

“A Eucaristia, sentencia João Paulo II, é, sobretudo, um sacrifício (...) O mistério eucarístico, separado e sacramental, deixa simplesmente de existir como tal” (Domin. Cenae 9.8).

O Papa sintetiza um cúmulo de definições do Magistério, de catequeses dos Padres da Igreja e dos comentários bíblicos da mais autorizada teologia católica. Quando se repete que a Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, diferindo dele apenas porque o apresenta sob as espécies do pão e do vinho distintamente consagrados, não se faz mais do que afirmar que nela se não dá uma imolação nova e tão pouco uma nova imolação e da Oblação da Cruz: a liturgia eucarística não faz senão pôr o Calvário no nosso altar.

Isto quer dizer mesmo que a Igreja não oferece um “seu” Sacrifício distinto do de Cristo, limitando-se a participar na Imolação do Calvário, a única que na realidade expia e redime. De si própria ela oferece apenas tudo quanto é necessário para a sua participação, que é depois a liturgia eucarística instituída pelo próprio Jesus naquilo que se refere ao essencial do rito.

Ora, confundir-se-ia a verdade do dogma eucarístico, supondo que a Missa fosse apenas SACRIFÍCIO: a Igreja, seguindo a Tradição Apostólica, ensina que é também e necessariamente, BANQUETE. Trata-se, porém, de um banquete apenas comparado aos banquetes humanos por analogia: no banquete eucarístico é oferecida ao crente uma MESA CELESTE, porque “o pão” de que se alimenta é o pão “VIVO DESCIDO DO CÉU”; “Pão” que passou a ser o próprio Corpo de Cristo, sacrificado pela salvação do mundo.

Por isso, “o sacrifício e o sagrado banquete pertencem ao mesmo mistério, a ponto de estarem ligados um ao outro por um estreitíssimo vínculo” (Paulo VI, Euchar, Myser, 3/b).

Uma vez admitido isto, a unidade do mistério “Sacrifício-Mesa” consente o precisar-se que a Mesa brota do Sacrifício porque imagem da comunhão de graça entre a alma e Deus, restabelecida pela Oferta da Cruz celebrada por Cristo como supremo ato de amor ao Pai e à humanidade pecadora. Por outras palavras: a consumação das espécies eucarísticas é o SINAL (símbolo) da sobrenatural assimilação dos fiéis a Cristo Crucificado, sua Cabeça, e é neste misterioso processo vital eu eles tornam a gozar (ou confirmar) a sua própria intimidade com o Pai.

Por isso, apenas pela participação no Sacrifício de Cristo (celebrado sob as espécies do pão e do vinho) e pela conseqüente transformação mística n’Ele, é possível realizar a comunhão com Deus, prelúdio de vida eterna.

“Mesa celeste”, por conseguinte, essencialmente diversa da mesa “terrena”. Nela, o “alimento” é o Corpo e o Sangue de Cristo, ambos realíssimos, mesmo num simples fragmento de pão e numa gota de vinho consagrados. “Alimento” insuficiente para alimentar o corpo, mas mais que abundante para saciar a alma, realizando a inefável comunhão de amor com Deus, em Cristo.

Comunhão de amor iluminada pela fé, por sua vez sustentada pelos sentidos, pelos quais o fiel percebe as naturais propriedades do pão transubstanciado no Corpo de Cristo.

É pela transubstanciação, de fato, que a Comunhão Eucarística é Comunhão com Cristo, Comunhão com Deus, Comunhão com o mistério da Sua Vida. O crente, pois, não se fica ou firma nas espécies sacramentais, objeto dos sentidos porque, na realidade, o impulso do seu pensamento atinge a Pessoa de Jesus. Se, comendo o pão comum, me alimento da sua substância, assimilada pelo organismo, através da percepção das suas qualidades sensíveis, não vejo por que razão não possa alimentar a minha alma, consumindo um “pão” que, apesar das aparências, já não é pão,mas o Corpo de Cristo...

É evidente que o discurso apenas tem este sentido segundo a lógica da fé. Por conseguinte, negada a transubstanciação, a Comunhão Eucarística, que é comunhão com o Verbo-feito-carne, seria impossível; pelo que, falar de Mesa Celeste, não teria sentido algum. É intoleravelmente reduzido que alguém se firme apenas em alimentar-se espiritualmente de um pão-símbolo-de Cristo, e não de um pão-tornado-Corpo de Cristo...

Este pressuposto pão-símbolo poderia ser alimento apenas para um homem que, em virtude da fé, prescinde do sensível; precisamente para aquele que não seria verdadeiro homem, que não viveria segundo as necessidades da sua natureza composta, essencialmente, também de um corpo, com as exigências e hábitos da vida humana e as suas insubstituíveis relações sociais...

Jesus, segundo o dogma católico, preferiu ficar conosco segundo a Sua própria natureza humana integral que, pela transubstanciação, se oferece a todos, através do sublime simbolismo do “pão”. Que quer, pois, dizer receber a Comunhão? Como pode verificar-se o encontro dos fiéis com Cristo-Eucarístico?

a) – Recebe-a só materialmente¸ aquele que é espiritualmente indigno dela, porque vive em pecado mortal. Ele, se realmente recebe Cristo, é também certo que O ofende, porque a Eucaristia foi por Ele instituída como sinal de amizade dos crentes com Ele e entre si...;

b) – A Comunhão é recebida apenas espiritualmente, quando o encontro é realizado apenas pela fé e pelo desejo dos fiéis, que acreditam na presença real de Cristo e não podem recebê-Lo também materialmente, apenas porque impedidos por circunstâncias involuntárias;

c) – Comunhão verdadeira e completa é apenas a sacramental, que corresponde a todo o homem, alma e corpo, entendimento e sentidos, estado de graça e efetiva participação na Mesa Eucarística, precisamente como a ele mesmo Se oferece todo-o-Cristo, na totalidade ou integridade da Sua constituição ontológica, ou seja, como VEBRO INCARNADO.

Precisando um pouco melhor: receber a Eucaristia não significa fazer a comunhão, mas sim entrar em Comunhão com Cristo-Sacramentado; o que exige o concurso de TODO O CRISTO, acolhido por TODO O HOMEM:

- de todo-o-Cristo sacramentado, ou seja, da realidade da Sua substância corpórea, com tudo quanto ela comporta por natural concomitância;

- por todo-o-homem, ou seja, principalmente pela sua alma, pela sua inteligência, pelo seu amor e, consequentemente, pelo seu corpo, que inclui o conteúdo externo, como cordial adesão a uma liturgia que exige palavra e canto, auscultação e atenção, gesto de súplica e de adoração...; a psicologia humana obriga a uma tal interdependência entre a alma e o corpo, entendimento e sentidos... Ilude-se quem presume elevar-se apenas com a alma; reduz-se a uma marionete quem limita o culto ao comportamento do corpo... Evidentemente que a reciprocidade destas relações é inteiramente em benefício da alma, porque a Comunhão sacramental é encontro do espírito, contemplação do pensamento, abandono do amor.

O culto externo deve servir, ou seja, subordinar-se ao interior, virado para a Pessoa do Verbo: e é por isto que o banquete eucarístico é mesa celeste, antecipação da Bem–Aventurança Eterna.

Se esta “mesa” abre para a comunhão com Deus em cristo, e se a comunhão é diálogo da alma com Ele, que poderá então dizer a alma a Deus e Deus à alma? A Deus, não lhe resta dizer mais nada, uma vez que chegou ao ponto de fazer-se possuir por Cristo, segundo a Verdade do Seu Verbo e a física realidade da Sua Carne.

Carne que envolve todo o mistério cristão, sendo Carne do Verbo gerado pelo Pai, e com Ele, a soprar ou exalar o Amor: a Eucaristia contém a Trindade. Com Jesus, está também Maria, que Lhe concebeu a natureza humana; está o coro imenso dos Anjos, a indeterminada multidão dos bem-aventurados, o inteiro universo dos corpos semeados pelo espaço infinito, com a sua história, com o seu mistério. Porventura não é Ele a Síntese pessoal de todo o criado e o criável?

Mas o crente que O recebe pode e deve lançar-se para além do invólucro das espécies sacramentais até atingir e perder-se no “seio do Pai” e participar na Sua Bem-Aventurança.

Por conseguinte, é com todo o Seu próprio Ser que Deus fala á alma, cuja correspondência ou resposta é formulada segundo todos os graus da vida interior.

É o “Creio, Senhor!”, possível à criança e ao adulto, ao convertido e ao místico... Todos, no silêncio, podem recolher as capacidades da alma e ficar absorvidos num comportamento de feliz admiração, de adoração, de gratidão, de oferta.

A Hóstia consagrada é a prova tangível e mais extasiante do Amor de Deus que, no Verbo, para além de Se fazer “carne”, se oferece como Vítima no Sacrifício que, sob as espécies sacramentais, atingiu os extremos confins da matéria bruta: a Eucaristia realiza a mediação contemplativa mais poderosa que todas as outras, porque as reassume a todas. Na Hóstia consagrada, o Tudo fez-Se nada...

E é por este misterioso aniquilamento que mesmo o último dos fiéis pode sentir-se animado ou estimulado a abrir-se com Ele: conversar sobre a Sua vivencia terrena, relembrar triunfos e rejeições, bênçãos e ultrajes, alegrias inefáveis e tristezas morais...

Qualquer poderá reconhecer e meditar no Seu agradável e misterioso olhar, no timbre da Sua voz, na amável ou amorosa majestade dos Seus gestos, nos sublimes momentos de intimidades vividos com Sua Mãe, com os discípulos, com os amigos...

E poderemos também espiá-Lo, enquanto, de noite, mergulha na adoração ao Pai, no mais absorvido e solene silêncio da natureza.

Penso que Ele Mesmo Se compraz em ouvir-Se relembrar, por quem Lhe recorda os Seus discursos, os prodígios, as controvérsias com os Fariseus, as horas de angústia, a suprema desolação da Cruz, como também a Sua vitória sobre o pecado e a morte...

Comungar com Ele significa também contar-Lhe, com inteira liberdade, as nossas desventuras, os problemas, os erros, as esperanças... como teríamos feito, se tivéssemos tido o privilégio de O encontrar e viver com Ele na Terra, acolhê-Lo em casa...

Porém, talvez com a nossa fé de hoje, teríamos mudos, com o coração cheio de comoções, absorvidos no contemplar simplesmente o Seu Rosto, fixar-Lhe o olhar, para depois desatar a chorar e confessar-Lhe a nossa imensa ternura de pobres criaturas, apenas necessitadas da Sua Infinita Misericórdia.

Mas, com mais razão ainda, esquecendo-nos de nós mesmos, com tudo quanto nos diz respeito e tudo quanto por Ele Mesmo foi criado, admirados ou maravilhosos com o possuir o Imenso e o Eterno, abstraindo ou esquecendo-nos de todas as sombras e imagens, preferimos perder-nos no “Seio do Pai”. Contemplar o mistério da Sua Vida, mergulhar no abismo das razões pelas quais criou o mundo e lhe dirige ou governa a história. Na inefável intimidade com Ele, no Verbo feito carne e pão, preferimos adorar, calar, gozar.

E tudo isto, antes que nos levantemos da Sua “mesa”, para retomar o caminho, neste desolado deserto da vida.

continua ...

3 de julho - Santo do dia

São Tomé

Embora na nossa memória a presença de são Tomé faça sempre pensar em incredulidade e nos lembre daqueles que "precisam ver para crer", sua importância não se resume a permitir a inclusão na Bíblia da dúvida humana. Ela nos remete, também, a outras fraquezas naturais do ser humano, como a aflição e a necessidade de clareza e pé no chão. Mas, e principalmente, mostra a aceitação dessas fraquezas por Deus e seu Filho no projeto de sua vinda para nossa salvação.

São três as grandes passagens do apóstolo Tomé no livro sagrado. A primeira é quando Jesus é chamado para voltar à Judéia e acudir Lázaro. Seu grupo tenta impedir que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado. Mas ele disse que iria assim mesmo e, aflito, Tomé intima os demais: "Então vamos também e morramos com ele!"

Na segunda passagem, demonstra melancolia e incerteza. Jesus reuniu os discípulos no cenáculo e os avisou de que era chegada a hora do cumprimento das determinações de seu Pai. Falou com eles em tom de despedida, conclamando-os a segui-lo: "Para onde eu vou vocês sabem. E também sabem o caminho". Tomé queria mais detalhes, talvez até tentando convencer Jesus a evitar o sacrifício: "Se não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho?". A resposta de Jesus passou para a história: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim".

E a terceira e definitiva passagem foi a que mais marcou a trajetória do apóstolo. Foi justamente quando todos lhe contaram que o Cristo havia ressuscitado, pois ele era o único que não estava presente ao evento. Tomé disse que só acreditaria se visse nas mãos do Cristo o lugar dos cravos e tocasse-lhe o peito dilacerado. A dúvida em pessoa, como se vê. Mas ele pôde comprovar tanto quanto quis, pois Jesus lhe apareceu e disse: "Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!... Não sejas incrédulo, acredita!" Dessa forma, sua incredulidade tornou-se apenas mais uma prova dos fatos que mudaram a história da humanidade.

O apóstolo Tomé ou Tomás, como também é chamado, tinha o apelido de Dídimo, que quer dizer "gêmeo e natural da Galiléia". Era pescador quando Jesus o encontrou e o admitiu entre seus discípulos.

Após a crucificação e a ressurreição, pregou entre os medos e os partas, povos que habitavam a Pérsia. Há também indícios de que tenha levado o Evangelho à Índia, segundo as pistas encontradas por são Francisco Xavier no século XVI. Morreu martirizado com uma lança, segundo a antiga tradição cristã. Sua festa é comemorada em 3 de julho.

São Tomé, rogai por nós!



São Leão II


O papa Leão II era filho de um médico chamado Paulo e nasceu na Sicília. Os outros poucos dados que temos sobre ele foram extraídos do seu curto período à frente do governo da Igreja de Roma, quase onze meses.

Em 681, ele já estava em Roma, onde exercia a função de esmoler-mor da Igreja. Era um homem extremamente culto, eloqüente, professor de ciências, profundo conhecedor de literatura eclesiástica. Além de falar fluentemente o grego e o latim, era especialista em canto e salmodia. Por tudo isso os historiadores entendem que ele deve ter sido um mestre em alguma escola teológica cristã, de seu tempo e sua região.

Foi eleito dias após a morte do papa Ágato. Mas o centro do império, em Constantinopla, opunha-se à sua posse, por não ter tido tempo suficiente para influenciar na escolha do sucessor ao pontificado, como seria mais conveniente aos interesses dos bispos do Oriente.

Então, num verdadeiro ato de chantagem, o imperador exigiu uma compensação financeira. Um ano demoraram as negociações entre Roma e Constantinopla, até que o imperador desistiu da absurda exigência e o papa Leão II pôde assumir o governo da Santa Sé, sendo consagrado em 17 de agosto de 682.

Sua primeira providência foi confirmar o VI Concílio Ecumênico. Enalteceu de maneira mais didática os argumentos do seu antecessor, aliviando a tensão que se formara com os bispos do Oriente.

Depois, instituiu a aspersão da água benta nos ritos litúrgicos e sobre o povo. Também conseguiu que a escolha do bispo de Ravena ficasse sujeita à determinação de Roma e não por indicação política, como ocorria na época. E ainda fez valer sua autoridade diante do abuso do poder dos bispos usurpadores dos bens da Igreja.

Zelou pela pureza da fé e dos costumes, dando ele próprio o exemplo, confortando os pobres com vigoroso socorro espiritual e material, por meio de obras de caridade financiadas pela Igreja.

Mandou restaurar a igreja de Santa Bibiana especialmente para acolher as relíquias dos santos mártires Simplício, Faustino e Beatriz, que ainda estavam sepultados num campo que antes fora um templo pagão. Além disto, por ter muita devoção pelos soldados mártires são Sebastião e são Jorge, propagou-a entre os fiéis, que passaram a considerá-los padroeiros dos militares.

O papa Leão II morreu no dia 3 de julho de 683, sendo festejado como santo pela Igreja no dia do seu trânsito.

São Leão II, rogai por nós!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Santo do dia - 2 de julho

São Bernardino Realino

Bernardino nasceu no dia 1o de dezembro de 1530, na rica e nobre família dos Realino, na ilha de Capri, em Nápoles. O jovem Bernardino aprofundou-se nas ciências humanísticas, estudando na academia de Modena e depois na Universidade de Bolonha, formando-se em filosofia, medicina, direito civil e eclesiástico.

Com vinte e cinco anos de idade, enveredou por uma carreira administrativa sob a proteção do governador de Milão, um cardeal amigo pessoal de seu pai. Bernardino ocupou cargos importantes, social e politicamente. Foi prefeito de Felizzano de Monferrato, advogado fiscal em Alexandria, depois prefeito de Cassine, prefeito de Castel Leone e, finalmente, auditor e lugar-tenente de Nápoles.

Todavia abandonou tudo, pois, quando doente, recebeu a aparição de Nossa Senhora carregando o Menino Jesus nos braços. Era o ano de 1564. Desde então, com a ajuda de um padre jesuíta que se tornou seu orientador espiritual, Bernardino assumiu definitivamente a vida religiosa. Aos trinta e cinco anos de idade, ele foi ordenado padre jesuíta. Além de continuar o trabalho social em favor dos pobres, que sempre realizara, tornou-se um perfeito pastor de almas: evangelizador e confessor.

Possuindo o dom da cura e do conselho, era procurado por bispos e príncipes que desejavam sua iluminada orientação. O próprio papa Paulo V, assim como diversos soberanos, lhe escrevia, pedindo orações.

Em 1574, foi enviado a Lecce para fundar um colégio jesuíta, onde exerceu o apostolado durante quarenta e dois anos. A sua atuação na comunidade foi tão vital para todos, que, quando estava no seu leito de morte, ele se viu cercado pelo Conselho Municipal, que pedia sua proteção eterna para a cidade.

Equivale a dizer que estavam lhe pedindo ainda em vida que aceitasse ser o padroeiro daquela diocese, tal a sólida fama de sua santidade. Talvez um fato único já registrado pelos católicos. Isso porque santo protetor toda cidade escolhe um. Eleger um santo patrono antes mesmo de este ser canonizado também não é uma situação nova na história das comunidades cristãs. Mas pedir permissão pessoalmente a um homem para que aceite de viva voz ser o padroeiro de uma cidade, realmente, é um raro acontecimento na Igreja.

Ele morreu aos oitenta e seis anos de idade, no dia 2 de julho de 1616, em Lecce. Cultuado em vida como santo, foi beatificado, em 1895, pelo papa Leão XIII e canonizado pelo papa Pio XII em 1947. São Bernardino Realino é o padroeiro das cidades de Lecce e Capri.

São Bernardino Realino, rogai por nós!

São Processo e São Martiniano

Os martírios de cristãos, para frustração dos governantes e opositores da Igreja, não só acabavam produzindo no povo pagão um sentimento de pena e solidariedade como também frutificavam em conversões inesperadas para os dominantes e exemplares para a população. Foi o caso de Processo e Martiniano, que eram carcereiros de são Pedro nos anos 64 ou 67.

Eram soldados romanos, mais exatamente carcereiros. Sensibilizaram-se com as pregações feitas pelo apóstolo no cárcere Marmetino. Encantaram-se com os ensinamentos de Jesus, converteram-se e foram batizados pelo próprio são Pedro, preso que eles vigiavam. Após a execução de Pedro, mudaram totalmente seu comportamento.

Ao serem acusados, seus superiores mandaram que participassem de um culto a Júpiter, ao qual ambos se recusaram firmemente. O resultado é que foram torturados e mortos a fio de espada, no centro do anfiteatro romano.
No futuro, receberiam a honra de uma homilia do papa São Gregório Magno, a trigésima segunda, bem como o traslado de suas relíquias para o Vaticano no século IX.

São Processo e São Martiniano, rogai por nós!

domingo, 1 de julho de 2012

Evangelho do Dia

Evangelho Cotidiano

Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. João 6,68

13º Domingo do Tempo Comum

Evangelho segundo S. Marcos 5,21-43.
Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado, no barco, para a outra margem,reuniu-se uma grande multidão junto dele, que continuava à beira-mar. Chegou, então, um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-lo,prostrou-se a seus pés e suplicou instantemente: «A minha filha está a morrer; vem impor-lhe as mãos para que se salve e viva.»

Jesus partiu com ele, seguido por numerosa multidão, que o apertava.
Certa mulher,vítima de um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de muitos médicos e gastara todos os seus bens sem encontrar nenhum alívio,antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-lhe, por detrás, nas vestes, pois dizia: «Se ao menos tocar nem que seja as suas vestes, ficarei curada.»

De facto, no mesmo instante se estancou o fluxo de sangue, e sentiu no corpo que estava curada do seu mal. Imediatamente Jesus, sentindo que saíra dele uma força,voltou-se para a multidão e perguntou: «Quem tocou as minhas vestes?» Os discípulos responderam: «Vês que a multidão te comprime de todos os lados, e ainda perguntas: 'Quem me tocou?’»

Mas Ele continuava a olhar em volta, para ver aquela que tinha feito isso. Então, a mulher, cheia de medo e a tremer, sabendo o que lhe tinha acontecido, foi prostrar-se diante dele e disse toda a verdade. Disse-lhe Ele: «Filha, a tua fé salvou-te; vai em paz e sê curada do teu mal.» Ainda Ele estava a falar, quando, da casa do chefe da sinagoga, vieram dizer: «A tua filha morreu; de que serve agora incomodares o Mestre?» Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: «Não tenhas receio; crê somente.»

E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
Ao chegar a casa do chefe da sinagoga, encontrou grande alvoroço e gente a chorar e a gritar.
Entrando, disse-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu, está a dormir.» Mas faziam troça dele. Jesus pôs fora aquela gente e, levando consigo apenas o pai, a mãe da menina e os que vinham com Ele, entrou onde ela jazia.

Tomando-lhe a mão, disse: «Talitha qûm!», isto é, «Menina, sou Eu que te digo: levanta-te!»
E logo a menina se ergueu e começou a andar, pois tinha doze anos. Todos ficaram assombrados.
Recomendou-lhes vivamente que ninguém soubesse do sucedido e mandou dar de comer à menina.

Comentário ao Evangelho do dia feito por: Bem-aventurado João Paulo II


«Imediatamente a menina levantou-se»

Cristo entrou na casa onde a menina se encontrava, pegou-lhe na mão e disse:«Menina, Eu te digo, levanta-te!» [...] Queridos jovens, o mundo precisa da vossa resposta pessoal às palavras de vida do Mestre: «Eu te digo,levanta-te!» Vemos como Jesus vem ao encontro da humanidade nas situações mais difíceis e mais dolorosas. O milagre na casa de Jairo mostra-nos o Seu poder sobre o mal. Ele é o Senhor da vida, o vencedor da morte. [...]


Mas não podemos esquecer que, de acordo com o que nos ensina a fé, a raiz do mal, da doença, da própria morte, é o pecado nas suas diversas formas. No coração de todos e de cada um de nós esconde-se uma doença que nos afecta atodos: o pecado pessoal, que se enraíza mais e mais nas consciências à medida que se perde o sentido de Deus. Sim, queridos jovens, vigiai para não deixar enfraquecer em vós o sentido de Deus. Não podemos vencer o mal com o bem senão tivermos esse sentido de Deus, da Sua acção, da Sua presença, que nos convida a apostar sempre na graça, na vida, contra o pecado, contra morte. É o destino da humanidade que está em jogo. [...]


Daqui se conclui que temos de conhecer as implicações sociais do pecado para construirmos um mundo digno do homem. Há males sociais que criam uma verdadeira «comunhão do pecado» porque, juntamente com a alma, afundam a Igreja e, de certo modo, o mundo inteiro. [...] Queridos jovens, combatei o bom combate da fé (1Tm 6,12), pela dignidade humana, pela dignidade do amor,por uma vida nobre, uma vida como filhos de Deus. Vencer o pecado através do perdão de Deus é uma cura, é uma ressurreição. Não tenhais medo das exigências do amor de Cristo. Pelo contrário, temei o medo, a timidez, a ligeireza, a procura dos vossos próprios interesses, o egoísmo, tudo o que quer calar a voz de Cristo que, dirigindo-se a cada um de nós, repete: «Eu te digo,levanta-te.»

1º de julho - Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Doce Coração de Jesus que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada vez mais

Jesus apareceu numerosas vezes a Santa Margarida Maria Alacoque, de 1673 até 1675, para falar sobre a devoção ao seu Sagrado Coração, a "grande devoção". A Igreja instituiu a solenidade do Sagrado Coração de Jesus que é celebrada pela Igreja na sexta-feira seguinte ao segundo domingo depois de Pentecostes.

Há diversas formas de devoção ao Coração de Jesus.
Entre elas: a consagração pessoal, que, segundo Pio XI, "entre todas as práticas do culto ao Sagrado Coração é sem dúvida a principal";
e também, a consagração da família.

Dos colóquios de Santa Margarida com Jesus, distinguem-se 12 promessas. São elas:
- A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração.
- Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.
- Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.
- Eu os consolarei em todas as suas aflições.
- Serei seu refúgio seguro na vida e, principalmente, na hora da morte.
- Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.
- Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.
- As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção.
- As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.
- Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.
- As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.
- A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus, que manifestastes a Santa Margarida Maria Alacoque o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa família. Queremos, de agora em diante, viver a vossa vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz.

Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes. Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção freqüente de vossa divina Eucaristia.

Dignai-vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas. Se, alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.

E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios. Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai.

Consagração pessoal ao Sagrado Coração de Jesus

Eu (o seu nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar.

Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.

Sê, ó Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim a vossa justa cólera. Ó Coração de amor, deposito toda a minha confiança em vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-vos ou que se oponha à vossa vontade.

Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-vos nem separar-me de vós. Suplico-vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém.

Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Santo do dia - 1º de julho


São Galo



Filho de pais nobres e ricos, descendente de família tradicional da corte da França, Galo nasceu no ano 489, na cidade de Clermont, na diocese de Auvergne. Foi tio e professor de outro santo da Igreja, o bispo Gregório de Tours.

Na sua época era costume os pais combinarem os matrimônios dos filhos. Por isso ele estava predestinado a casar-se com uma jovem donzela de nobre estirpe.

Mas Galo, desde criança, já havia dedicado sua alma à vida espiritual. Para não ter de obedecer à tradição social, ele fugiu de casa, refugiando-se no convento de Cournou, daquela mesma diocese.

Após intensas negociações, seu pai acabou permitindo que ele ingressasse na comunidade monástica. Foi assim que Galo iniciou uma carreira totalmente voltada para a fé e aos atos litúrgicos. Ele era tão dedicado às cerimônias da santa missa que se especializou nos cânticos. Contam os escritos que, além do talento para a música, era também dotado de uma voz maravilhosa, que encantava e atraía fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento.

Mas suas virtudes cristãs não se limitavam às liturgias. Sua atuação religiosa logo lhe angariou prestígio e, em pouco tempo, foi designado para atuar na corte de Teodorico, rei da Austrásia, atualmente Bélgica. Em 527, quando morreu o bispo Quinciano, Galo era tão querido e respeitado que o povo o elegeu para ocupar o posto.

Se não bastasse sua humildade, piedade e caridade, para atender às necessidades do seu rebanho Galo protagonizou vários prodígios ainda em vida. Um dos mais citados foi ter salvado a cidade de um pavoroso incêndio que ameaçava transformar em cinzas todas as construções locais. As orações de Galo teriam aplacado as chamas, que se apagavam na medida em que ele rezava. Outro muito conhecido foi o que livrou os habitantes de morrerem vítimas de uma peste que assolava a região. Diante da bênção de Galo, o fiel ficava curado da doença.

Ele morreu em 1o de julho de 554, causando forte comoção na população, que logo começou a invocá-lo como santo nas horas de dor e necessidade, antes mesmo de sua canonização ter sido decretada. Com o passar dos séculos, são Galo, foi incluído no livro dos santos da Igreja de Roma, cuja festa litúrgica foi mantida no dia da sua morte, como quer a tradição cristã.

São Galo, rogai por nós!



Santo Oliver Plunkett


Oliver Plunkett, irlandês, nasceu no ano de 1625, em Loughcrew, numa família de nobres. Ele queria ser padre, mas para realizar sua vocação estudou particularmente e na clandestinidade. Devido à perseguição religiosa empreendida contra os católicos, seus pais o enviaram para completar o seminário em Roma, onde recebeu a ordenação em 1654.

A ilha irlandesa pertence à Coroa inglesa e possuía maioria católica. Mas como havia rompido com a Igreja de Roma, o exército real inglês, liderado por Cromwel, assumiu o poder para conseguir a unificação política da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Obcecado pelo projeto, mandara até mesmo assassinar o rei Carlos I. E na Irlanda não fez por menos, todos os religiosos, sem exceção, foram mortos, além de leigos, militares e políticos; enfim, todos os que fossem católicos. Por isso o então padre Plunkett ficou em Roma exercendo o ministério como professor de teologia.

Em 1669, o bispo da Irlanda, que estava exilado na Itália, morreu. Para sucedê-lo, o papa Clemente IX consagrou o padre Oliver Plunkett, que retornou para a Irlanda viajando como clandestino. Dotado de carisma, diplomacia, inteligência, serenidade e de uma fé inabalável, assumiu o seu rebanho com o intuito de reanimar-lhes a fé. Junto às autoridades ele conseguiu amenizar os rigores impostos aos católicos.

Porém Titus Oates, que fora anglicano e depois conseguiu tornar-se jesuíta, ingressando num colégio espanhol, traiu a Igreja romana. Ele, para usufruir os benefícios da Coroa inglesa, apresentou uma lista de eclesiásticos e leigos afirmando que tentariam depor o rei Carlos II. Nessa relação estava o bispo Plunkett, que foi condenado à morte por decapitação pública.

A execução ocorreu em Londres, no dia 1o de julho de 1681. Antes, porém, ele fez um discurso digno de um santo e mártir. Segundo registros da época, o seu heroísmo na hora do martírio, somado ao seu discurso, contribuiu para a glória da Igreja de Roma mais do que muitos anos do mais edificante apostolado.

O seu culto foi confirmado no dia 1o de julho ao ser beatificado em 1920. Canonizado pelo papa Paulo VI em 1975, santo Oliver Plunkett possui duas sepulturas. O seu corpo esta na Abadia de Downside, em Londres, enquanto sua cabeça esta na Abadia de Drogheda, na Irlanda. Ele foi o último católico condenado à morte na Inglaterra em razão de sua fé.

Santo Oliver Plunkett, rogai por nós!