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domingo, 22 de março de 2009

Pedofilia: quando o inimigo é da família

nota dos editores: talvez alguns dos nossos visitantes se surpreendam ou mesmo ache inadequado que um Blog dedicado a difusão do CATOLICISMO, de ASSUNTOS RELIGIOSOS, publique uma matéria como a abaixo.
Como bem dizemos nos 'objetivos do Blog' é 'importante conhecer o inimigo' pois só assim poderemos vence-lo.
Infelizmente, grande parte dos casos de pedoficili, de abusos sexuais contra crianças, são cometidos por pessoas próximas a elas - as vezes o próprio pai, o padrastro, o irmão, o tio, o padrinho.
Por isso, estamos transcrevendo a matéria abaixo - publicada na Revista VEJA, a quem agrade
cemos - que além de apresentar algumas situações que comprovam o afirmado, mostram formas de identificar que a criança está sendo abusada e de tudo tiramos uma recomendação:
ficar sempre atenta ao comportamento da criança - raramente elas mentem.

Violadas e feridas. Dentro de casa

A maioria dos molestadores sexuais de crianças tem a confiança das vítimas: são seus pais, padrastos ou parentes

A família e a própria casa são a maior proteção que uma criança pode ter contra os perigos do mundo. É nesse ninho de amor, atenção e resguardo que ela ganha confiança para lançar-se sozinha, na idade adulta, à grande aventura da vida. Mas nem todas as crianças com família e quatro paredes sólidas em seu redor são felizes. Em vez de contarem com o amor de adultos responsáveis, elas sofrem estupros e carícias obscenas. Em lugar do cuidado que a sua fragilidade física e emocional requer, elas são confrontadas com surras e violência psicológica para que fiquem caladas e continuem a ser violadas por seus algozes impunes. No vasto cardápio de vilezas que um ser humano é capaz de perpetrar contra um semelhante, o abuso sexual de meninas e meninos é dos mais abjetos em especial quando é cometido por familiares. Para nosso horror, essa é uma situação mais comum do que a imaginação ousa conceber. Estima-se que, no Brasil, a cada dia, 165 crianças ou adolescentes sejam vítimas de abuso sexual. A esmagadora maioria deles, dentro de seus lares.

A frequência intolerável com que esse tipo de crime ocorre no país ficou evidente com a divulgação do caso da menina G.M.B.S., engravidada pelo padrasto aos 9 anos de idade, em Pernambuco. Sua mãe decidiu que ela, grávida de gêmeos, deveria ser submetida a um aborto. Quando, há três semanas, G. chegou ao hospital carregando uma sacola de brinquedos, os médicos encarregados do procedimento ficaram atônitos: não tinham ideia da quantidade de medicamentos que deveriam usar numa gestante tão diminuta – G. mede 1,36 metro e pesava então 33 quilos. "Nunca havíamos atendido uma criança tão pequena", disse o médico Sérgio Cabral. O caso de G. chamou atenção por causa da polêmica sobre o aborto a que, no fim, ela se submeteu, amparada pela lei que autoriza a intervenção nas situações em que a mãe corre risco de vida. Já a gravidez de G., e mesmo a situação que resultou nela, causa menos escândalo no país do que deveria.

As notificações vêm aumentando exponencialmente nos últimos anos graças, em boa parte, à internet. A popularização da rede mudou radicalmente tanto a prática da pedofilia quanto o seu combate. Ela estimulou a propagação desse crime ao facilitar a troca de material pornográfico infantil e aproximar os predadores de suas vítimas potenciais – inocentemente expostas em sites de relacionamento. Além disso, deu aos criminosos voz e uma certa sensação de "legitimidade", como explica a advogada Maíra de Paula Barreto. Em sua dissertação de mestrado sobre o assunto, ela cita um trecho do estudo das psicólogas italianas Anna Oliverio Ferraris e Barbara Graziosi: "Se antes o pedófilo cultivava sua perversão na solidão, hoje tem a possibilidade de conectar-se com outros como ele, de sentir-se apoiado e legitimado em seus desejos". Até o ano passado, era comum encontrar no Orkut comunidades com títulos tão ostensivos como "Sou pedófilo". Dirigida àqueles "que gostam mesmo é das meninas novinhas, sem rugas e com nenhuma experiência", ela abrigava dezenas de participantes que faziam relatos de suas "experiências" e trocavam informações sobre suas relações com crianças com a naturalidade dos que compartilham receitas de doces.

Esse tipo de comunidade não deixou de existir, mas já não se apresenta de forma tão escancarada. Vem disfarçada sob siglas como "pthc" – ou "preteen hardcore" ("pornografia explícita com pré-adolescentes"). Isso porque, se a rede ajudou a propagar o crime, também aumentou a visibilidade dos criminososbem como a sua punição. De 2006 a 2008, a SaferNet Brasil, ONG destinada a combater a pedofilia na internet, recebeu denúncias sobre 109.000 páginas eletrônicas com conteúdo pornográfico infantil. As que revelavam indícios de crime foram encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Do ponto de vista médico, a pedofilia é um distúrbio psicossexual – para que alguém seja considerado pedófilo, basta que sinta desejo sexual por crianças e nutra fantasias constantes com elas. Já a lei só considera criminoso aquele que, da fantasia, parte para a ação. Em 2003, com a adoção do Disque-Denúncia de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, o problema entrou na agenda do governo federal e passou a ser enfrentado com a ajuda das leis de combate ao turismo sexual. O Congresso se dispôs a tratar do tema no mesmo período, com a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual. A CPI da Pedofilia foi instalada em 2008, como consequência da Operação Carrossel 1, da Polícia Federal, que desbaratou uma rede de pedófilos na internet. O fato de a quase totalidade das iniciativas voltadas para o combate a esse crime ser muito recente ajuda a explicar a sobrevivência de hábitos monstruosos em algumas regiões brasileiras. Em sua dissertação, a advogada Maíra Barreto lembra que, em determinadas comunidades ribeirinhas da Amazônia, o costume de um pai iniciar sexualmente suas filhas menores é aceitável. Essa combinação de incesto e pedofilia pode explicar, inclusive, a origem de uma lenda regional: a do boto que, em noites de lua cheia, se transforma em homem e engravida as virgens incautas.

Muitos pesquisadores acreditam que o mito do boto serviria para encobrir os responsáveis por muitas das gestações infantis que ocorrem na região. "Grande parte dos ‘filhos de boto’ é fruto de incesto", diz a estudiosa. Em relação ao total de nascimentos registrados no país entre 2003 e 2006, a porcentagem de crianças nascidas de mães com idade até 14 anos é de 1,47% no Norte. É o mais alto índice entre as regiões do país. Também é sobretudo nessa parte do Brasil, em localidades como a Ilha de Carapajó, no Pará, que a prática do incesto com meninas é vista como uma "tradição". "Costuma-se dizer que ‘quem planta a bananeira tem direito a comer o primeiro fruto’ ", explica Maria do Carmo Modesto, líder religiosa que coordena trabalhos sociais na região. "Os pais se julgam donos do corpo das filhas, e até quem não concorda com isso não fala nada nem reage", diz. Já no interior do Nordeste, não é incomum que os "coronéis" das pequenas localidades recrutem crianças para satisfazer seus desejos bestiais. Uma vergonha.

Vergonha é também a palavra exata para definir o que aconteceu em Catanduva, em São Paulo, o estado mais desenvolvido da federação. Em dezembro passado, a polícia e o Ministério Público da cidade receberam denúncias de mães afirmando que seus filhos foram abusados pelo borracheiro José Barra Nova de Mello, de 46 anos, conhecido como Zé da Pipa. As crianças ouvidas pela polícia relataram que eram obrigadas a assistir a filmes pornográficos e vê-lo nu. Algumas sofreram abusos corporais. Na casa do suspeito, foram encontradas dezenas de fotos e vídeos pornográficos, inclusive com Zé da Pipa como protagonista. Durante a investigação, descobriu-se que William Mello de Souza, de 19 anos, sobrinho de Zé da Pipa, e dois menores participavam do esquema de aliciamento. Os dois maiores foram presos e os menores, mandados para a Fundação Casa, antiga Febem. Todos foram denunciados pelo Ministério Público e a investigação, encerrada.

Inconformadas com a superficialidade do processo, as mães das crianças abusadas procuraram a Justiça para informar que havia muitos outros suspeitos, além dos quatro detidos. No novo inquérito, aberto por ordem judicial, as crianças identificaram – por meio de fotos e das casas onde os abusos ocorreram – mais dois suspeitos, um médico e um empresário, e mencionaram a existência de outros quatro. Ou seja, cidadãos de classe média alta. Foi nesse momento que ocorreu uma "trapalhada" da polícia que pode comprometer todas as provas da investigação. Sem mandado judicial de busca e apreensão para vasculhar a casa do médico acusado, a delegada Rosana Vanni ligou para o advogado dele e pediu autorização para entrar. Quando chegou lá, todos os acessórios do computador estavam ligados, mas a CPU, peça que guarda a memória, havia desaparecido. A delegada avisou o suspeito de que ele corria riscos e, assim, lhe deu chance de sumir com as provas do crime.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São José do Rio Preto, que abrange a região de Catanduva, avaliam que a investigação poderia ter sido conduzida de maneira menos traumática para as vítimas. Diz o promotor João Santa Terra Junior, do Gaeco: "As crianças não deveriam ter sofrido tanto". A suspeita, hoje, é que a rede de pedofilia na cidade do interior paulista era composta de, pelo menos, dez pessoas – que abusaram de cerca de quarenta crianças, de 5 a 12 anos. "As investigações não acabaram, e os números podem aumentar", afirma Santa Terra Junior.

Representantes da CPI da Pedofilia e da Polícia Federal foram a Catanduva para colher informações e tentar descobrir se a rede local tinha ramificações em São José do Rio Preto, São Paulo e Rondônia. Os parlamentares ouviram depoimentos de suspeitos e familiares das vítimas, que falaram com o rosto coberto por máscara, para preservar a identidade das crianças. Apenas depois da pressão feita pela CPI, a prefeitura da cidade anunciou que montaria uma força-tarefa de psicólogos e assistentes sociais para dar apoio às vítimas e suas famílias.

Em geral, as vítimas de abuso sexual demoram a falar sobre o assunto ou jamais o fazem. Os motivos são vários: temem que seus familiares não acreditem na história, sentem vergonha do que aconteceu, têm medo do abusador e se sentem culpadas pela violência que sofrem. Mesmo quando o caso vai parar nos tribunais, é comum que as crianças tenham dificuldade para falar sobre o que as vitimou. Por isso, o Rio Grande do Sul montou uma estrutura que permite o chamado "depoimento sem dano". Lá, as vítimas de pedofilia depõem em ambiente com decoração infantil, diante de uma psicóloga ou assistente social. Juízes, promotores e advogados ficam em uma sala à parte, assistindo à conversa por meio de um circuito de câmeras. "Além de ser menos fustigante para a criança, ajuda a extrair depoimentos mais sinceros", diz o juiz José Antonio Daltoé, da 2ª Vara de Infância e da Juventude de Porto Alegre.

Em São Paulo, o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, responsável pela elaboração de avaliações psicológicas de crianças suspeitas de abuso sexual, estimula os pequenos pacientes a participar de brincadeiras e a fazer desenhos que possam ajudar nas análises. Nesses rabiscos, é comum as crianças abusadas destacarem os próprios genitais ou os de integrantes da família. "Isso pode indicar uma curiosidade exacerbada pelo sexo, um comportamento erotizado ou ser uma forma de expressar aquilo que as incomoda ou que foi violado", explica o psicólogo Antonio Serafim. Quando conseguem descrever verbalmente os abusos, seus depoimentos impressionam pela crueza. Três exemplos:

"Meu pai me pegava com força, segurava meus braços e tapava minha boca. Depois colocava uma coisa dura em mim. Ele me molhava com uma coisa quente." M., de 8 anos.

"Ele me deu bombons e me levou para o terreno da casa dele. Tirou minha roupa de baixo e colocou o pipiu dele. Doeu muito, eu chorei e ele deu bombons de novo." C., de 7 anos, abusada pelo vizinho.

"Quando minha mãe não estava em casa, ele tirava minha roupa de baixo, passava a mão e me abraçava apertado. Passava a mão nos meus peitos e ameaçava bater em mim se eu contasse para alguém." R., de 9 anos, abusada pelo padrasto.

A tristemente famosa menina G., que está em um abrigo do governo de Pernambuco desde que saiu do hospital, até hoje não falou sobre os estupros a que foi submetida por três anos. A psicólogos eassistentes sociais que a acompanham, ela também não dá indícios de saber que passou por uma gravidez e um aborto. Quando estava ainda em Alagoinha, sua cidade natal, e a gestação deu os primeiros sinais, sua mãe pensou que se tratasse de uma verminose. Mesmo depois de descoberta a gravidez, manteve a versão diante da filha: dizia a ela que os enjoos que sentia se deviam à ação de parasitas. "G. se comporta como se nada tivesse acontecido. Com o tempo, vai ter de começar a lidar com os fatos, mas só o desenvolvimento dela determinará como e quando", diz a coordenadora do abrigo, que, por questões de segurança, não pode ter a identidade revelada.

Terapia, acolhimento familiar e o afastamento do agressor são os elementos que ajudam a criança vítima de abuso sexual a recompor os laços de confiança que se romperam com a violência. A convalescença de uma ferida psíquica na criança pode durar meses ou anos. Mas as cicatrizes deixadas pela traição e pela humilhação infligidas por aqueles que deveriam protegê-la, essas ficam para sempre.

Beata Alexandrina de Balasar - O SANGUE DO CORDEIRO - I/A

continuação...

Uma vez mais, depois tantas outras, a Alexandrina oferece-se a Jesus, oferece-se sem reservas:
Ela só deseja que em tudo a Vontade de Jesus se faça nela.

Jesus sabe que, se a vontade da Alexandrina é inquebrantável, as suas forças, mesmo se heróicas, não suportariam, como Ele mesmo o disse, “o sentimento e a visão total das ofensas feitas”, o que O leva a dar-lhe regularmente o alimento que a fortalece, que lhe dá vida à alma e ao corpo: a gota do Seu Divino Sangue.

― « És vítima, Minha filha; na escuridão vivem as almas pecadoras; longe estão elas, e muito longe, do Meu Divino Coração.
Longe, porque Me expulsaram; longe, porque Me perseguiram; longe, porque cruelmente Me crucificaram.
Vem receber a gota do Meu divino Sangue ».

Não podemos deixar de sorrir, respeitosamente, ao lermos a reacção da Alexandrina à chegada da gota do Sangue de Jesus.
As suas palavras, duma rara inocência e ingenuidade, são maravilhosas, e provam quanto ela era humilde, simples, honesta, e muito “familiarizada” com Jesus:

― « Ó Jesus, ó Jesus, ao unirdes ao meu o Vosso Divino Coração, parece que a gotinha do Sangue caiu fora, e não em mim ».

Não sabemos, claro está, se Jesus sorriu a esta pergunta inquieta da Alexandrina, mas Ele respondeu-lhe, explicando-lhe porque razão ela teve essa mesma sensação:
― « Não caiu, não, Minha filha, porque [o Meu Sangue] é a tua vida, é o teu alimento.
Sabes o que quer significar?
Sem o teu sofrimento, sem a tua imolação contínua, essa gota de Sangue era inútil para muitas, muitas almas.

« Essa gota, que significa todo o Meu Sangue derramado no Calvário, sem a tua imolação seria a perda de milhões e milhões de almas.
Tem coragem, fica na Cruz. Acode, acode ao mundo perdido, ao mundo desvairado.
Apaga com a tua dor o incêndio das paixões.

Coragem, coragem, que o Senhor é contigo! »

Quinze dias mais tarde, depois dela ter “vivido” a Paixão dolorosa, Jesus volta a confortá-la, volta a dar-lhe a gota do Seu Divino e Preciosíssimo Sangue, que “é Vida Divina, que é Graça Divina”, e diz-lhe:

― « Vem, vem então receber a gota do Meu Divino Sangue.
O Coração Divino de Jesus, unido ao da Sua vítima, formou um só Coração.
A gotinha do sangue correu. Levou para ti a Vida, a Vida Divina, a Graça Divina, o Amor Divino.
És forte, nada temas; tens contigo a Força Divina.
Onde
está o Poder Supremo, está a vitória e o triunfo de todas as coisas

Vítima pelos Sacerdotes


No dia seguinte, primeiro Sábado, Jesus faz à Sua vítima uma confidência dolorosa. Ela diz respeito às Almas consagradas, e sobretudo aos Sacerdotes, “os Seus representantes sobre a Terra”:

― « Os pecadores ferem-Me muitíssimo, mas os desertados aos milhares, milhares de almas consagradas, a Mim, ah, essas ferem-me muito mais ainda!
Nunca se pode esperar coisa boa dos grandes inimigos, mas quando as afrontas vêm dos amigos, as ofensas mais cruéis e dores mais pungentes, ah, então o coração sangra, sangra, não pode deixar de sangrar!

« E tu, que és a Minha vítima mais amada, não podes deixar de sofrer Comigo. Dá-Me a dor, dá-Me a dor.
Minha filha, és vítima do mundo, do mundo inteiro, mas és mais, muito mais, dos sacerdotes, que, às dezenas, às centenas, aos milhares, renovam a m
inha Sagrada Paixão »

Todos somos pecadores e todos cometemos faltas; todos beneficiamos da Misericórdia Divina.
Se o Senhor sente pelos Sacerdotes uma dor mais profunda, podemos facilmente compreendê-lo, visto que foi a eles que Ele deu o poder de “representação”, o poder de transformar o pão no Corpo de Cristo, e o vinho no Seu divino Sangue; mas não deixam por isso de ser homens, sujeitos às mesmas tentações, às mesmas faltas que cada um de nós.

Não devemos, pois, julgá-los, porque, pela medida que os julgarmos, seremos também julgados.
Não devemos nunca esquecer que a Misericórdia Divina é infinitamente maior do que o maior pecado, e que o arrependimento sincero atrai essa Misericórdia
, como um ímã atrai o metal.


“Tu és cofre riquíssimo”

e está a Vida Divina, está a verdadeira Vida.
Onde está o Poder Supremo, está a vitória e o triunfo de todas as coisas »

Vinte dias depois, numa sexta-feira, e depois de ter vivido a Paixão, Alexandrina recebe a visita de Jesus, e ouve d’Ele estas palavras deliciosas, antes de receber a gota do Sangue Divino:

― « Tu és, Minha filha, mais que um depósito, tu és cofre riquíssimo, tu és tabernáculo do Rei do Céu.
É por ti que as almas são enriquecidas, é por ti que elas recebem a sua felicidade.

« Dei-te tudo, para que tudo lhes dês. Dá-Me, dá-Me a tua reparação.
É com ela, com os méritos da Minha Bendita Mãe, e da minha Santa Paixão, que Eu sustento o braço do Meu Eterno Pai.
Ele pende, pende, esmaga, quer cair sobre a terra culpada.
O mundo, pobre mundo!
O Portugal ingrato, ingrato e cruel!

« Vem, vem, Minha filha, recebe a gota do Meu Divino Sangue.
Uniu-se, uniu-se nas Minhas veias, o Sangue que trouxe do ventre da Minha Mãe.
O Sangue que te dá a vida, o Alimento que te faz viver.
É a força, é a vitória da tua cruz”.

― « Ó Jesus, com a gotinha do Vosso Sangue desapareceu a dor, desapareceu a noite.
Tem luz, tem vida, sente agora o meu coração.
Muito obrigada, Jesus. Estou mais forte! »
[6]

Mas logo o Senhor previne-a que depressa virá a noite, o sofrimento, a reparação, porque o mundo continua sem luz, continua nas trevas.
Alexandrina tem que continuar a sua Missão reparadora e redentora.

― « Foi para isso, filha querida, foi para que ficasses mais forte, que to dei.
Fica na Cruz. A dor vem já. A noite aparece.
Os crimes do mundo fazem a noite, roubam a luz ao Sol, o brilho às estrelas.
Fica na cruz, dá-Me a tua reparação. Dá-ma, dá-ma sempre, por bem pouco tempo ma darás.
Do Céu, continuarás a tua Missão, a missão para que foste escolhida, para que foste criada.
Fica na Cruz; pede sempre oração, penitência e emenda de vida.
Fica na cruz. Coragem! »

sábado, 21 de março de 2009

Beata Alexandrina de Balasar - O SANGUE DO CORDEIRO - I/A




O SANGUE DO CORDEIRO - I


“O QUE O MUNDO ERA E O QUE VIRÁ A SER

(1.ª Parte)


“O mundo levantou muralhas”

Acamada, Alexandrina continua a viver, todas as sextas-feiras, a dolorosa Paixão de Jesus, muitas vezes assolada pela aridez, pelo “deserto espiritual”, que é em si mesmo um sofrimento atroz:

Querer amar a Deus e nada sentir que prove aquele amor que a alma quer dar ao Senhor, não sentir o Seu amor, nem a mínima consolação espiritual:
Estar verdadeiramente no meio dum imens
o deserto, sem saber para onde voltar-se, sem saber a quem de agarrar para não perecer.
As palavras que seguem exprimem bem os sentimentos da alma, o estado em que se encontrava então a Alexandrina...


« "Vivo, não vivo; estou no mundo, não estou?"
Não é, mas quase poderia ser uma pergunta contínua a mim mesma.

Todo o meu ser foi como que um sopro, que se espalhou no espaço.
Nada em mim tem vida nem valor.
Jesus ressuscitou. Em mim nada houve que ress
uscitasse »

Para melhor ainda confirmar este estado da sua alma, a “Doentinha de Balasar” prossegue, como acima já vimos, sentindo-se apenas ressuscitada para o mal, para ofender o Senhor seu Deus:

« Fiquei morta para a vida, para a Graça, para tudo quanto é do Senhor.
Só o pecado, só as maldades, crimes hediondos, esses nascem, esses ressuscitam em mim, de momento a momento ».

No mesmo Diário desse dia, ela escreve ainda, um pouco mais adiante, confirmando não somente o seu “deserto espiritual”, mas também as trevas em que então se encontra mergulhada a sua alma:

« O mundo levantou muralhas, com fortes grilhões, à volta de mim; não deixa que nesta morada haja luz, ou entre um raiozinho de sol.
Posso gemer, posso bradar, mas não sou ouvida ».


Desde há vinte e sete anos ― 14 de Abril de 1925 ― que a Alexandrina se encontra acamada. Vinte e sete anos de dolorosos sofrimentos, mas também vinte e sete anos de oferta total, de dom de si a Jesus, seu Divino Esposo, que sempre a acompanha, que sempre a encoraja e regularmente lhe oferece aquela gota de Sangue Divino; Sangue que lhe dá vida e que é o influxo necessário à Missão a ela confiada.

Com um amor indizível e uma vontade inquebrantável, ela nada recusa; tudo quer aceitar para a maior Glória do seu Amado e para a salvação das almas pecadoras, que tanto ofendem e fazem sofrer o Coração amante de Jesus.
Alexandrina parece ter sempre presentes aquelas palavras que outrora ouvira do Senhor: "Sofrer, Amar, Reparar".

“O meu coração fez-se pomba”

A Paixão que Alexandrina vive, começa regularmente na noite da quinta para a sexta-feira, noite em que ela vive o Horto, o Jardim das Oliveiras, à sombra das quais Jesus sofreu e suou sangue.

« Com os olhos fitos no Horto ― escreve Alexandrina ―, só o amava e por ele ansiava.
Era já de noite, o meu coração fez-se pomba, e o mundo uma pequenina bola.
Esta entrou toda dentro do coração. E a pombinha, com o bico enterrado na terra apodrecida, começou a remexê-la e a cortar pela raiz toda a árvore ruim e venenosa.
A bolinha do mundo foi tão amada e abraçada num abraço eterno!

« Porém, certas árvores não se deixaram destruir por completo. As suas raízes venenosas cresceram, estenderam-se.
E daí, vem para Jesus o suor de sangue, os açoites, a coroa de espinhos e a morte.
Mais ainda: Jesus não ia ter o Calvário dum só dia; ia tê-lo por muitos e muitos séculos.
Tudo isto se passou em mim, e eu tudo sofri com Jesus ».

Depois do Horto, o Calvário e a visão do todos os sofrimentos, não só os presentes e próximos, mas ainda aqueles de “muitos e muitos séculos”, como acima ela disse e abaixo vai confirmar:
“O que o mundo era, e o que viria a ser”.
Terrível visão esta, que nos interessa ao mais alto grau.

« No alto do Calvário, pousava-se a mesma pombinha nos braços da cruz, mudando-se ora para um, ora para outro; e de vez em quando dava-me com o biquinho como que uma injecção no coração.
O corpo sem sangue, já quase moribundo, a nada podia resistir; era aquela pombinha que me dava a vida.

« Eu via o que o mundo era, o que viria a ser.

Bradava tão profundamente, fazia estremecer toda a terra.
Ao entregar ao Pai o meu espírito, ao pronunciar a última palavra, ainda sentia aquele biquito a dar-me no coração o último retoque.
E expirei com aquela mesma vida ».

Logo a seguir, Jesus vem falar à Sua amada, vem queixar-se, como outrora o fizera junto de Santa Margarida Maria Alacoque:

― « Reparai e vede como sangra o Coração Divino de Jesus.
Reparai e ponderai, não pode deixar de sangrar.
Os crimes, os crimes, são o cúmulo das desordens e dos desvarios.
Quem é o ferido, quem é o ofendido?
É Jesus, só Jesus, minha filha.

« Minha filha, a tua vida não é vida inútil, nem de ilusões.
A tua vida foi e será a vida mais proveitosa, a vida de maior reparação.
Dá-Me a dor, dá-Me a dor, repara-Me, repara o Meu Eterno Pai.

« A tua prisão no leito é a Minha prisão no Sacrário.
Eu vivo para Me dar às almas, tu vives para as conduzires a Mim.
Como é bela, como é bela, como é encantadora a tua Missão, minha filha! »

É na verdade encantadora a Missão da Alexandrina; é uma missão raramente proposta por Jesus às outras almas vítimas.
Mas a Vítima de Balasar não busca elogios nem encantos: Só a Vontade do Senhor a encanta, só a vontade do Senhor alimenta e fortifica a sua alma, ateando nela a força e coragem para continuar.
Assim se exprime ela, respondendo ao seu Amado Jesus :

― « Não sei, não sei, meu Jesus. Não lhe vejo nenhuns encantos.
Eu quero viver para amar-Vos e reparar o Vosso Divino Coração, e não para encontrar ninguém.
Encanto sois Vós, encantos têm a Vossa Lei, a Vossa Doutrina, a Vossa Divina Vontade, meu Jesus.

O medo de se enganar e enganar aqueles que a rodeiam, que dela se ocupam com tanto carinho, está sempre presentes no pensamento da Alexandrina, e muitas vezes, sente que deve exprimir esse medo, essas dúvidas a Jesus.
Como sempre, também o Senhor consola-a, convence-a da veracidade e da importância de tão sublime Missão, porque conhece bem o coração da Sua esposa e sabe quanto ele é “frágil”:

― « Minha filha, minha filha, encanto do Paraíso; tem sempre, sempre presente, a palavra "vítima", a tua entrega total ao Senhor.
Em tudo te assemelhas à verdadeira Vítima do Gólgota.
Faço-te saber e compreender o muito, a gravidade com que Eu sou ofendido, mas isso
[o sofrimento da Alexandrina] não é nada, em comparação com os crimes que se praticam.
O teu coração, tão frágil e tão sensível, não resistiria a tanta dor.
Não aguentavas com o sentimento a visão total das ofensas feitas ao teu Jesus, a quem tanto amas ».

Palavras para meditar, palavras que nos interpelam:
“Não aguentavas com o sentimento a visão total das ofensas feitas ao teu Jesus”.
E, pouco depois, Jesus diz-lhe, ainda:

― « Tu és, Minha filha, a violeta florida que aparece em toda a Vida de Jesus.
Adornas a Eucaristia, o Sacrário, a Cruz e o Meu Divino Coração.
A alma humilde é grande, é poderosa, alegra e consola a Jesus ».

A Humildade é, na verdade, uma das maiores virtudes, e Jesus faz muitas vezes a apologia desta virtude salutar, precisando bem que “a alma humilde é grande, é poderosa, alegra e consola a Jesus”.

― « Meu Jesus, meu Amor, mais uma vez me entrego a Vós, mas quero ir pela Mãezinha.
Mais uma vez me ofereço como vítima, mas pelos Seus Lábios.
Mais uma vez me submeto à Vossa Divina Vontade, mas sempre com Ela.
Quero viver com Ela, quero sofrer com Ela. Com Ela quero fazer a Vossa Divina Vontade e ser imolada como Vos aprouver.
Só agora, Jesus, só agora fizestes luz na minha alma. Estava com tanta escuridão e Vós faláveis-me de tão longe! »


“Parece que a gotinha de Sangue
caiu fora e não em mim”


Que mar, que mar agitadíssimo, meu Jesus! Que vida de dúvidas e de temores!
Duvido enganar-me e enganar. Temo ofender-Vos com o meu viver.
Ai, Jesus! Custa tanto viver assim! »

CONTINUA...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Obsessão - Exorcismo segundo o Rito Romano - conclusão

A Obsessão e suas Características
A Sagrada Escritura nos ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do homem, desenvolvem sua ação de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica, chamada também possessão diabólica. Entretanto, a obsessão diabólica não é o modo mais freqüente como o espírito das trevas exerce sua influência.

A obsessão tem características de espetacularidade e nela o demônio se apodera, de um certo modo, das forças e das atividades físicas da pessoa que padece a possessão. Não pode, entretanto, apoderar-se da livre vontade do sujeito e, por isso, o demônio não pode comprometer a vontade livre da pessoa possuída até o ponto de fazê-la pecar. Esta violência física que o diabo exerce no obsesso é uma incitação ao pecado, que é o que o diabo busca lograr. O ritual do exorcismo indica diversos critérios e indícios que permitem chegar, com prudente certeza, à convicção de quando se tem diante de si uma possessão diabólica. Então, o exorcista autorizado poderá realizar o solene rito do exorcismo.
Entre estes critérios encontram-se: falar ou entender muitas palavras em línguas desconhecidas, evidenciar coisas distantes ou inclusive escondidas, demonstrar forças além da própria condição, e isto junto com a aversão veemente a Deus, à Virgem, aos Santos, à Cruz e às imagens santas.

Vale a pena destacar que para poder realizar o exorcismo é necessária autorização do Bispo diocesano, autorização que pode ser concedida para um caso específico ou também de modo geral e permanente ao Sacerdote que exerce na diocese o ministério de exorcista.

O Ritual do Exorcismo
O Ritual Romano continha, em um capítulo específico, as indicações e o texto litúrgico dos exorcismos. Este capítulo era o último e ficou sem ser revisado depois do Concílio Vaticano II. A redação final deste Rito dos Exorcismos exigiu muitos estudos, revisões, atualizações e modificações com várias consultas das Conferências Episcopais, depois de uma análise de parte de uma Assembléia Ordinária da Congregação para o Culto Divino. O trabalho exigiu 10 anos e deu como resultado o texto atual, aprovado pelo Sumo Pontífice, que está publicado e à disposição dos Pastores e dos fiéis da Igreja. Ficará ainda pendente um trabalho que compete às respectivas Conferências Episcopais: e é o da tradução deste Ritual às línguas faladas nos respectivos territórios; estas traduções deverão ser exatas e fiéis ao original em latim e deverão ser postas, segundo a norma canônica, à "recognitio" (ao reconhecimento) da Congregação para o Culto Divino.

O Exorcismo
No ritual que hoje apresentamos encontra-se, antes de tudo, o rito do exorcismo propriamente dito, a ser exercitado sobre uma pessoa possessa. Seguem as orações a recitar-se publicamente por um sacerdote, com a permissão do Bispo, quando se julga prudentemente que existe uma influência de Satanás sobre lugares, objetos ou pessoas, sem chegar ao estado de uma possessão própria e verdadeira. Há, além disso, uma coleção de orações para recitar de forma privada por parte dos fiéis, quando estes suspeitam com fundamento de estarem sujeitos ou sob influência diabólica.

O exorcismo tem como ponto de partida a fé da Igreja, segundo a qual existem Satanás e os outros espíritos malignos, e que sua atividade consiste em afastar os homens do caminho da salvação. A doutrina católica nos ensina que os demônios são anjos caídos por causa do pecado, que são espíritos de grande inteligência e poder: "Entretanto, o poder de Satanás não é infinito. Não é mais do que uma criatura, poderosa pelo fato de ser puramente espírito, mas sempre criatura: não pode impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora sua ação cause graves danos de natureza espiritual e indiretamente inclusive de natureza física – em cada homem e na sociedade, esta ação é permitida pela divina providência que com força e doçura dirige a história do homem e do mundo. Porque Deus permite a atividade diabólica é um grande mistério, mas "nós sabemos que em todas as coisas Deus intervém para bem dos que o amam" (Rm 8, 28)" (Catecismo da Igreja Católica, n. 395).

Influência Através da Mentira
Gostaria de destacar que a influência nefasta do demônio e de seus sequazes é habitualmente exercitado através do engano, do embuste, da mentira e da confusão. Como Jesus é a Verdade (cf. Jo. 8,44), assim o diabo é o mentiroso por excelência. Desde sempre, desde o princípio, o engano tem sido sua estratégia preferida. Não há dúvida de que o diabo consiga enredar tantas pessoas nas redes de suas mentiras, pequenas ou clamorosas. Engana os homens fazendo-os crer que a felicidade se encontra no dinheiro, no poder e na concupiscência carnal. Engana os homens persudadindo-os de que não têm necessidade de Deus e que são auto-suficientes, sem necessidade da graça e da salvação. Inclusive, engana os homens diminuíndo, e mais, fazendo desaparecer o sentido do pecado, substituíndo a lei de Deus como critério de moralidade, pelos costumes ou as convenções da maioria.

Persuade as crianças de que a mentira é um modo apropriado para resolver diversos problemas, e assim, pouco a pouco cria entre os homens uma atmosfera de desconfiança e de suspeita. Por detrás das mentiras e dos enganos que trazem consigo à imagem do Grande Mentiroso, desenvolvem-se as incertezas, as dúvidas, um mundo onde não há mais segurança, nem Verdade e onde, ao contrário, reina o relativismo e a convicção de que a liberdade consiste no fazer o que quiser: assim, não se entende mais que a verdadeira liberdade é a identificação com a vontade de Deus, fonte do bem e da única felicidade possível.

Luta, Graça e Vitória
A presença do diabo e de sua ação, explica a advertência do Catecismo da Igreja Católica : "Esta situação dramática do mundo que "jaz inteiramente sob o poder do maligno" (1 Jo 5, 19), faz da vida do homem um combate: "Através de toda a história do homem estende-se na dura batalha contra os poderes das trevas que, iniciada já na origem do mundo, durará até o último dia, segundo diz o Senhor. Nesta luta, o homem deve combater continuamente para aderir-se ao bem, e não sem grandes trabalhos, com a ajuda da graça de Deus, é capaz de alcançar a unidade em si mesmo" (Concilio Ecumênico Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual, Gaudium et spes, n. 37,2)" (Catecismo da Igreja Católica, n. 409).

A Igreja está segura da vitória final de Cristo e, portanto, não se deixa levar pelo medo ou pelo pessimismo, mas ao mesmo tempo é consciente da ação do maligno que busca nos desanimar e semear a confusão. "Tenham fé -diz o Senhor- Eu venci o mundo!" (Jo. 16,33). Nesse marco, encontram seu lugar os exorcismos, expressão importante, embora não única, da luta contra o maligno.

Exorcismo segundo o Rito Romano

Apresentação do Rito de Exorcismo do Ritual Romano

Cardeal Jorge Arturo Medina Estévez

Para entender o que é o exorcismo devemos partir de Jesus Cristo e de sua própria práxis.

Jesus Cristo veio para anunciar e inaugurar o Reino de Deus no mundo e nos homens. Os homens têm uma capacidade de acolher a Deus em seus corações (Rm 5,5). Esta capacidade de acolher a Deus está, entretanto, ofuscada pelo pecado; e às vezes no homem o mal ocupa o lugar onde Deus quer viver. Por isto, Jesus Cristo veio libertar o ser humano do domínio do mal e do pecado e, assim também, de todas as formas de domínio do maligno, isto é, do diabo e de seus espíritos malignos chamados demônios, que querem desviar o sentido da vida do homem.

Por esta razão, Jesus Cristo expulsava os demônios e livrava os homens da possessão dos espíritos malignos, para abrir espaço no homem, de maneira que, este último, tenha a liberdade para Deus. Ele quer dar Seu Espírito Santo ao homem que é chamado a converter-se em templo (cf. 1Cor 6,19; 1P e 2,5) para dirigir seus passos (cf. Rm 8,1-17; 1Cor 12,1-11; Gl 5,16-26) para a paz e a salvação.

O Ministério da Igreja
É aqui que entra a Igreja e seu ministério.
A Igreja está chamada a seguir a Jesus Cristo e recebeu o poder, da parte de Cristo, de continuar sua missão em Seu nome. Assim, a ação de Cristo para libertar o homem do mal será exercida através do serviço da Igreja e de seus ministros ordenados, delegados do Bispo para cumprir os sagrados ritos dirigidos a libertar os homens da possessão do maligno.

O exorcismo é, pois, uma antiga e particular forma de oração que a Igreja utiliza contra o poder do diabo. Eis aqui como o Catecismo da Igreja Católica explica o que é o exorcismo e como se exerce:
"Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra as armadilhas do maligno e subtraída de seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus o praticou (Mc 1,25s), Dele tem a Igreja o poder e o ofício de exorcizar (cf. Mc 3,15; 6,7.13; 16,17). De forma simples, o exorcismo tem lugar na celebração do Batismo. O exorcismo solene só pode ser praticado por um sacerdote e com permissão do bispo. Nesses casos, é preciso proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja. O exorcismo tenta expulsar os demônios ou libertar do domínio demoníaco graças à autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, principalmente psíquicas, cujo cuidado pertence à ciência médica. Portanto, é importante assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, de que se trata de uma presença do Maligno e não de uma doença (cf. Código de Direito Canônico, cân. 1172)". (Catecismo da Igreja Católica, n. 1673).


continua...

quinta-feira, 19 de março de 2009

O Poder de São Miguel


O Poder de São Miguel.


“Quem como Deus?”

Travou-se um combate no Céu:

Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais». (Apocalipse 12, 7-12ª)

“Miguel” em hebraico Mi-kha-el quer dizer “quem como Deus?”.
Era o protetor do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

“O Dragão”. É identificado, com a “antiga serpente” que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é “aquele que chamam Diabo e Satanás”. Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico Xatan (aramaico xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) no ares” (Ef 6,11-12).

A indicação que São Paulo fala dos demônios é muito precisa, porque os chama com o nome de sua ordem de classificação.
O diabo, como todo o mundo angélico ao qual fazia parte, é um espírito; não possui um corpo, não é sensível, deve se servir de uma forma fictícia, que assume de acordo com o que vai provocar. (Padre Gabriele Amorth).

O grande comentador das Sagradas Escrituras, Pe. Cornélio a Lapide, jesuíta do século XVI, escreve:
"Muitos julgam que Miguel, tanto pela dignidade de natureza, como de graça e de glória é absolutamente o primeiro e o Príncipe de todos os anjos. E isso se prova, primeiro, pelo Apocalipse (12, 7), onde se diz que Miguel lutou contra Lúcifer e seus anjos, resistindo à sua soberba com o brado cheio de humildade:

Quem (é) como Deus? Portanto, assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel o é dos anjos, sendo o primeiro entre os serafins. Segundo, porque a Igreja o chama de Príncipe da Milícia Celeste, que está posto à entrada do Paraíso. E é em seu nome que se celebra a festa de todos os anjos. Terceiro, porque Miguel é hoje ao cultuado como o protetor da Igreja como outrora o foi da Sinagoga. Finalmente, em quarto lugar, prova-se que São Miguel é o Príncipe de todos os anjos, e por isso o primeiro entre os Serafins, porque diz São Basílio na Homilia De Angelis: ‘A ti, ó Miguel, general dos espíritos celestes, que por honra e dignidade estais posto à frente de todos os outros espíritos celestiais, a ti suplico...' ". ( Cornélio A LAPIDE, Commentaria in Scripturam Sacram, t. 13, pp. 112-114 )

A Santa Igreja Católica e São Miguel.

O pensamento da Igreja sobre São Miguel.

Desfraldai o estandarte do ilustre Arcanjo, repeti o seu grito:

“Quem é como DEUS?” (Pio XII em 8 de maio de 1940)

O pensamento da Igreja, a família de DEUS, no Novo Testamento, acerca da ação de São Miguel em serviço deste povo, como encarregado do Altíssimo para o defender e guardar, está bem patente na liturgia universal segundo aquela norma consagrada: “LEX ORANDI, LEX CREDENDI”, isto é, a lei que rege a oração oficial da Igreja, aprovada pelo Sumo Pontífice, é a lei que rege a nossa crença.

Além de outros documentos sobre São Miguel, dos Papas antigos, Sua Santidade João Paulo II na sua visita de 24 de maio de 1987, ao Santuário de São Miguel, no Monte Gargano, na Itália, fez um discurso. Não é uma encíclica, mas mostra-nos o pensar da Igreja sobre a atualidade do culto ao Príncipe e grande Chefe dos Anjos, no mundo de hoje.

Após o encontro com a população, João Paulo II realizou uma breve visita ao Santuário de São Miguel Arcanjo, templo ali construído para recordar as 4 aparições de São Miguel numa gruta da localidade, nos anos 490, 492, 493 e 1656.

Sua Santidade João Paulo II faz eco neste discurso daquilo que os últimos Pontífices têm dito ao povo cristão para que recorra a São Miguel, nesta luta tremenda entre as forças do bem e do mal, chefiadas, respectivamente, pelo glorioso Arcanjo chefe dos exércitos do DEUS Altíssimo e satanás, chefe dos demônios, os anjos caídos. O triunfo final e completo será de São Miguel com os seus Anjos, como dizem as Escrituras santas, que pelejaram contra o dragão, o diabo e os seus seguidores, precipitando-os para sempre nos abismos infernais.

Sua Santidade Pio IX, de gloriosa memória, escreveu: “São Miguel é quem tem maior capacidade para exterminar as forças malditas, filhos de satanás, que juraram a ruína da sociedade cristã”.

Sua Santidade S. Pio X, disse em 18 de setembro de 1903: “DEUS, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São Miguel; devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta atual terminará triunfante e também como outrora com o socorro e ajuda deste Arcanjo bendito”.

Foi por estar convencido da realidade desta terrível luta final, que o predecessor de S. Pio X, o grande Papa Leão XIII, mandou que obrigatoriamente no fim de todas as Missas rezadas, os sacerdotes rezassem a oração a São Miguel que ele mesmo compôs, fez publicar e enviadas aos Ordinários em 1886.

O Papa Pio XII, conhecido como Pastor Angélico, proclamou em 8 de maio de 1940, que era urgente hoje, mais do que nunca, recorrer à proteção de São Miguel, lembrando que ele é o protetor e o defensor da Igreja e dos fiéis, o guardião do Paraíso, o apresentador das almas junto de DEUS, o Anjo da Paz e o vencedor de satanás”.

A visão diabólica do Papa Leão XIII.

Muitos de nós recordamos que, antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, os celebrantes e os fiéis, no fim de cada Missa, ajoelhavam-se para rezar uma oração a Nossa Senhora (Salve Rainha) e outra a S. Miguel Arcanjo.
Reportamo-nos ao texto desta última porque é uma oração bonita que pode ser rezada por toda a gente para seu próprio benefício:

“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso auxilio contra a malícia e ciladas do demônio. Exerça Deus sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno a Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém”.

Como é que nasceu esta oração?

Transcrevo um artigo que foi publicado na revista: Ephemerides Liturgicae escrito pelo Pe. Domenico Pechenino em 1955, a págs. 58-59.
Uma manhã, o grande Pontífice Leão XIII tinha celebrado a Santa Missa e estava a assistir a uma outra de ação de graças, como de costume.
De repente, viu-se ele virar energicamente a cabeça, depois de fixar qualquer coisa intensamente, sobre a cabeça do celebrante. Mantinha-se imóvel, sem pestanejar, mas com uma expressão de terror e de admiração, tendo o seu rosto mudado de cor. Adivinhava-se nele qualquer coisa de estranho, de grande.

Finalmente voltando a si, bate ligeira, mas energicamente com a mão, levanta-se. Dirige-se ao seu escritório particular. Os mais próximos seguem-no com preocupação e ansiedade. E perguntam-lhe em voz baixa: Santo Padre, não se sente bem? Precisa se alguma coisa? Responde: “Nada, nada”.

Daí a uma meia hora manda chamar o Secretário da Congregação dos Ritos, e estendendo-lhe uma folha de papel, manda fazê-la imprimir e enviar a todos os Ordinários do mundo. Que assunto continha? A oração que rezávamos no fim da missa com o povo, com a súplica a Maria e a invocação ardente ao Príncipe das milícias celestes, implorando a Deus que precipite Satanás no inferno.

Naquele escrito ordenava-se igualmente que as orações fossem rezadas de joelhos. Também foi publicado no jornal La Settimana del Clero, em 30 de Março de 1947, não sendo citada a fonte que deu origem à notícia. Será contudo notada a maneira insólita como esta oração, enviadas aos Ordinários em 1886, foi mandada rezar.
Para confirmar aquilo que o Pe. Pechenino escreveu, dispomos do testemunho irrefutável do Cardeal Natalli Rocca, que na sua carta pastoral para a Quaresma, emanada de Bolonha em 1946, diz:
“Foi mesmo Leão XIII quem redigiu esta oração. A fase (Satanás e os outros espíritos malignos) que vagueiam pelo mundo para perder das almas tem uma explicação histórica que o seu secretário particular Mons. Rinaldo Angeli, nos contou várias vezes:
Leão XIII teve verdadeiramente a visão de espíritos infernais que se adensavam sobre a cidade eterna (Roma); e foi desta experiência que nasceu a oração que ele quis toda a Igreja rezasse. Esta oração rezava-a ele com voz viva e vibrante: ouvimo-la muitas vezes na Basílica do Vaticano.

Mas isto não é tudo: ele escreveu também por suas próprias mãos um exorcismo especial que figura no Ritual Romano (ed. 1954, tit. XII, c.III, pág.863 e seg.). Recomendava aos bispos e aos sacerdotes que rezassem muitas vezes estes exorcismos nas suas dioceses e paróquias. Ele próprio o fazia muitas vezes durante o dia.

Também é interessante ter em conta um outro acontecimento que reforça ainda mais o valor desta oração que se rezava no fim de cada Missa. Pio XI quis que, ao serem rezadas estas orações, se pusesse uma intenção particular pela Rússia (alocução de 30 de Junho de 1930). Nesta alocução, depois de ter lembrado as orações pela Rússia que ele próprio tinha pedido a todos os fiéis a quando da festa do Patriarca S. José (19 de março de 1930) e, depois de ter lembrado a perseguição religiosa na Rússia, concluiu com estas palavras:
“E para que todos possam sem fadiga e sem obstáculos continuar esta santa cruzada, decidimos que as orações que o nosso bem amado predecessor Leão XIII ordenou aos sacerdotes e aos fiéis que rezassem depois da Missa, sejam ditas por esta intenção particular, isto é, pela Rússia. Que os bispos e o clero secular e regular tomem ao seu cuidado informar os fiéis e aqueles que assistem ao Santo Sacrifício, e que não se esqueçam de lhes lembrar estas orações (Civiltà Cattolica, 1930, vol.III).

Conforme se pode constatar a presença aterrorizadora de Satanás foi claramente tida em conta pelo Pontífice; e a intenção que Pio XI, tinha acrescentado, visava mesmo o fundamento das falsas doutrinas difundidas no nosso século, que envenenaram não só a vida dos povos mas também dos próprios teólogos. Se a disposição tomada por Pio XI não foi respeitada, a falta deve-se àqueles a quem tinha sido confiada; inseria-se perfeitamente no âmbito dos avisos carismáticos que o Senhor havia dado à humanidade através das aparições de Fátima, embora mantendo-se independente desta: Fátima ainda era desconhecida do mundo. (Pe. Gabriele Amorth.)

O Exorcismo de Leão XIII, que nos mostra a ação nefasta do maligno, nos nossos dias, vê como é necessário recorrer à poderosa intercessão da Virgem Maria e de São Miguel, no ataque contra as forças do mal, quer se trate de males físicos como da alma. Inimigo dos homens, satanás tem inveja deles e ainda quando parece ajudá-los favorecendo-lhes uma vida de dinheiro, sensualidade e sorte, é sempre tendo em mira a sua condenação eterna.

Aparição de São Miguel no Monte Gargano na Itália.

Nos fins do século V, quando na Cátedra de São Pedro regia a Igreja o Papa São Gelásio, um pastor que apascentava seu gado no alto do Monte Gargano, na Itália, província da Apúlia, querendo obrigar um novilho a sair de uma caverna onde se refugiara, desferiu lá dentro uma flecha, a qual retrocedeu com a mesma velocidade, vindo ferir quem a lançara.

Este fato causou admiração nos que presenciaram este acontecimento e a notícia foi longe e chegou também aos ouvidos do Bispo de Siponto, cidade que ficava no sopé da montanha.

Julgou ele tratar-se de algum misterioso sinal da parte de DEUS e ordenou um jejum de três dias em toda a diocese, pedindo ao SENHOR se dignasse revelar-lhe do que se tratava. DEUS escutou as orações do Prelado e, passados três dias, apareceu-lhe o Arcanjo São Miguel declarando-lhe que o SENHOR queria que a ele, Anjo tutelar da Igreja, e aos outros Anjos, se edificasse naquela caverna, onde se manifestou o prodígio, uma igreja em sua honra, para reavivar a fé e a devoção dos fiéis no seu amor e proteção, como Anjo custódio da Igreja Católica.

Tendo o Bispo comunicado ao povo a visão que tivera e o que lhe fora pedido, foi ele próprio, com muita gente, observar o local. Encontraram uma caverna espaçosa em forma de templo, cavada na rocha, com uma fenda natural na abóbada, de onde jorrava a luz que a iluminava. Nada mais era preciso que pôr um altar-mor para celebrar os Divinos Mistérios. Levantado o altar, o Bispo consagrou-o. Todos os povos vizinhos acudiram para a cerimônia cheios de alegria e a festa durou vários dias.

Nunca mais até hoje se deixou de celebrar ali a Santa Missa, como também os outros ofícios litúrgicos, e DEUS consagra este lugar através dos séculos, com graças e milagres de toda a espécie, em favor dos que lá acorrem, doentes de corpo e alma, mostrando quanto Lhe é grata a devoção em honra do glorioso arcanjo São Miguel que defendeu, quando da revolta de lúcifer, a fidelidade ao DEUS Uno e Trino, soltando este grito: QUEM É COMO DEUS?

O Santuário do glorioso Arcanjo na gruta do Monte Gargano, é considerado um dos mais célebres e devotos de todo o Mundo.

O Monte Gargano onde está este santuário, fica perto do convento de Nossa Senhora da Graça, onde viveu e morreu o célebre estigmatizado, Santo Padre Pio de Pietrelcina.

As Crenças do povo cristão em são Miguel Arcanjo.

A Igreja tem permitido que as crenças nascidas da tradição cristã a respeito do glorioso Arcanjo São Miguel, tenham livre curso na piedade dos fiéis e na elaboração dos teólogos.

A primeira crença é a de que São Miguel era, no Antigo Testamento, o defensor do povo escolhido — Israel; e hoje o é do novo povo escolhido — a Igreja. Tal piedosa crença está em consonância com o que é dito no livro de Daniel: “Eis que veio em meu socorro Miguel, um dos primeiros príncipes... Miguel. que é o vosso príncipe” — isto é, dos judeus (10, 13 e 21). “Se levantará o grande príncipe Miguel, que é o protetor dos filhos do teu povo” — de Israel (12, 1). Essa crença é muito antiga, sendo já confirmada pelo Pastor de Hermas, célebre livro cristão do século II, no qual se lê: “O grande e digno Miguel é aquele que tem poder sobre este povo” (os cristãos). Ademais, tal crença é partilhada pelos teólogos e pela própria Igreja, que a manifesta de muitas maneiras.

A segunda crença geral é a de que São Miguel tem o poder de admitir ou não as almas no Paraíso. No Oficio Romano deste Santo no antigo Breviário, São Miguel era chamado de “Praepositus paradisi” — “Guarda do paraíso”, ao qual o próprio Deus se dirige nos seguintes termos: “Constitui te Principem super omnes animais suscipiendas” — “Eu te constituí chefe sobre todas as almas a serem admitidas”. E na Missa pelos defuntos rezava-se: " Signifer Sanctus Michael representet eas in lucem sanctam” — "O ' Porta-estandarte São Miguel, conduzi-as à luz santa”.

A terceira crença, ou melhor, opinião, é a de que São Miguel ocupa o primeiro lugar na hierarquia angélica. Sobre este ponto há divergência entre os teólogos, mas tal opinião tem a seu favor vários Padres da Igreja gregos e parece ser corroborada pela liturgia latina, que se referia ao glorioso Arcanjo como "Princeps militiae coelestis quem honorificant coelorum cives” — "Príncipe da milícia celeste, a quem honram os habitantes do Céu"; e pela liturgia grega que o chama “Archistrátegos“, isto é, "Generalíssimo."

Por que Deus permite o mal?

Por que Deus permite as catástrofes mais ou menos freqüentes, as doenças, a morte, enfim? Como pode um pai deixar sofrer assim os seus filhos? Não tem Ele poder para impedir o mal? E se não Lhe falta poder, onde está a sua bondade, se não o impede?

Ensina São Tomás que Deus não permite o mal físico senão de um modo inteiramente acidental, como ocasião para os justos exercerem a virtude da constância, praticarem a caridade para com os menos favorecidos ou doentes, etc. Por outro lado, Ele permite alguns males físicos como pena devida ao pecado, como forma de restabelecer a justiça ultrajada pelas faltas voluntárias.

Com relação à morte, longe de ser o termo da vida, ela é a passagem para uma nova vida, onde a felicidade é completa, sem mesclar de sofrimento e onde se atinge o Sumo Bem, que é o próprio Deus. Assim uns ressuscitarão para a felicidade completa e outros para a condenação eterna segundo nossa peregrinação por esta terra.

Quanto ao mal moral ou pecado, Deus não pode querê-lo nem mesmo indiretamente; mas Ele pode tirar, como do mal físico, algum bem, como por exemplo, do pecado do perseguidor a manifestação da constância dos mártires.

A possibilidade do mal moral — ensinam os filósofos — é ao mesmo tempo a conseqüência de um grande bem, a liberdade; e a condição de um bem ainda maior, o mérito.

As criaturas racionais (os anjos e os homens), por serem dotados de inteligência, possuem o livre arbítrio, a liberdade de escolher entre bens possíveis. A capacidade de livre escolha decorre da natureza inteligente desses seres, do conhecimento que eles têm de várias ações, de seus fins últimos e dos meios para chegar a eles. A liberdade mesmo imperfeita é a mais bela prerrogativa do ser racional; é pois digno da bondade divina tê-la concedido.

Deus não podia suprimir no anjo e no homem a possibilidade de fazerem o mal, a não ser recusando-lhes a liberdade ou dando-lhes liberdade incapaz de falhar; na primeira hipótese, eles ficariam rebaixados ao nível dos irracionais, o que seria indigno de criaturas espirituais; na segunda, eles se tornariam iguais a Deus, o que é um absurdo.

Deus quer que a criatura racional observe suas leis, não como o animal desprovido de razão, que age seguindo os meros instintos, mas moralmente e meritoriamente; ora, sem a possibilidade do mal moral, não haveria mérito na prática do bem, pois não há mérito senão se faz o bem podendo não fazê-lo.

Deus quis que os anjos e os homens fossem os agentes de sua própria felicidade ou se tornassem responsáveis pela própria desgraça, escolhendo por si mesmos se colaboravam ou não com a graça divina.

Quando os anjos pecaram e quando os homens pecam, fazem um uso desviado de sua liberdade; Deus, porém, não tolhe a liberdade de suas criaturas racionais em razão do seu uso desviado, porque é próprio a Ele criar e não destruir; seria contrariar-se a si mesmo fazer criaturas livres e depois tolher-lhes a liberdade quando a usam mal. Por outro lado, a existência de seres racionais não-livres é absurda.

O mal, como conseqüência do pecado.

A estas considerações de ordem filosófica, o Cristianismo acrescenta os dados revelados por Deus. Estes não somente confirmam as descobertas da razão, conferindo-lhes uma certeza absoluta, mas, indo além, nos dão os meios de saber ao certo aquilo que de outro modo não passaria de mera suposição: como o mal manifestou concretamente entre os anjos e os homens.

O Cristianismo rejeita toda e qualquer forma de dualismo (dois deuses): tudo quanto existe provém de um só e único princípio, DEUS ÚNICO puro e bom.

Sendo Deus substancialmente bom e santo, tudo quanto provêm dele tem que ser, necessariamente, bom em si mesmo. Por isso, todas as criaturas, em si mesmas, são boas e aptas para propósitos do Criador.

Assim, lemos no primeiro livro da Bíblia:
“E Deus viu toas as coisas que tinha feito. e eram muito boas” (Gen 1, 31).
O livro do Eclesiástico completa:
Todas as obras do Senhor são boas e cada uma delas, chegada a sua hora, fará seu serviço" (Ecl, 39, 39).
E o livro da Sabedoria explicita:
“Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos. Porquanto criou Êle criou todas as coisas para que subsistissem e não havia nelas nenhum veneno mortífero, nem o domínio da morte existia sobre a terra” (Sb, 1, 13-14).

Diz ainda a Escritura que “foi na soberba que teve início a perdição” (Tob 4, 14).

Parte dos anjos se revoltou contra Deus, e foram expulsos do Céu, transformando-se em demônios; do mesmo modo, nos primeiros pais desobedeceram o Criador com o pecado original perderam o estado de inocência e de integridade, sendo expulsos do Paraíso terrestre.
Como decorrência do pecado original, houve uma debilitação da natureza humana, tornando-se o homem mais vulnerável às paixões e às seduções do demônio, e mais inclinado ao pecado; em castigo desse mesmo pecado, Deus permitiu que o sofrimento se abatesse sobre o homem e a terra se lhe tornasse ingrata.

No Gênesis, depois da narração da primeira desobediência, vêm as palavras do Criador ao primeiro homem:

“Porque deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos”
(Gen 3, 17-18).

E o inspirado autor do Eclesiástico escreve, numa alusão ao pecado original:

“Da mulher nasceu o princípio do pecado e por causa dela é que todos morremos" (Ecl 25, 33).

O Apóstolo São Paulo resume magnificamente essa doutrina sobre o pecado original, nos seguintes termos:

“Assim como por um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram...Pois o salário do pecado é a morte” (Rom 5, 12, 23).

Em virtude da Redenção operada por Jesus Cristo, entretanto, o sofrimento e a morte podem ser aproveitados pelo homem como meio de aperfeiçoamento moral, de santificação. É assim que o mesmo São Paulo exclama: “A morte foi tragada na vitória ( de Cristo). Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão?” E prossegue: “Sejam dadas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, meus irmãos amados, sêde firmes, constantes, progredi sempre na obra do Senhor, sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor (1 Cor 15, 54-58).

Está esperança que nos dá a força para lutar contra a ação do mal em nós mesmos e no mundo. E é a doutrina a respeito do pecado original que nos esclarece quanto á origem histórica do mal e quanto ao verdadeiro sentido da presença do mal no mundo. Do contrário, o problema do mal ficaria insolúvel e nos atiraria no desespero da incompreensão e da revolta.

A queda dos anjos maus e rebeldes.

"Tu, desde o principio, quebraste o meu
jugo, rompeste os meus laços e
disseste: — Não servirei!”

(Jer 2,20)

DEUS CRIOU OS ANJOS num alto estado de perfeição natural e além disso os elevou à ordem sobrenatural. É de fé que todos os espíritos angélicos foram criados bons.

Essa é uma conseqüência obrigatória da verdade de fé, de que todos os espíritos angélicos foram criados por Deus, atestada pelo símbolo niceno-constantinopolitano ( o Credo da Missa), o qual proclama: “Creio em Deus Pai Todo-poderoso, criador ... das coisas visíveis e invisíveis”; essa verdade foi ainda definida nos Concílios IV de Latrão e I Vaticano.

A Sagrada Escritura, com efeito, chama-os “filhos de Deus" (Jó 38, 7), “santos” (Dan 8, 13), “anjos de luz” (2 Cor 11, 14). Entretanto, os próprios Livros Sagrados se referem a “espírito imundos” (Lc 8, 29); “espíritos malignos” (Ef 6, 12); “espíritos piores" (Lc 11, 26); e outras expressões análogas.

Isto indica que certos anjos tornaram-se maus, tiveram sua vontade pervertida. Em suma: pecaram.

A batalha no Céu.

“Tu, desde o princípio, quebraste o meu jugo, rompeste os meus laços e disseste: — Não servirei!”
(Jer 2, 20).

Este versículo do Profeta Jeremias sobre a revolta do povo eleito contra Deus tem sido aplicado à revolta de Lúcifer. Movimento de rebelião de Lúcifer “Não servirei!” — respondeu São Miguel com o brado de fidelidade: “Quem é como Deus!” (significado do nome Miguel em hebraico).

No apocalipse, São João descreve essa misteriosa batalha que então se travou no céu:
"E houve no céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos pelejavam contra ele; porém estes não prevaleceram e o seu lugar não se achou no céu. E foi precipitado aquele grande dragão, aquela antiga serpente, que se chama o Demônio e Satanás, que seduz todo o mundo; e foi precipitado na terra e foram precipitados com ele os seus anjos” (Apoc 12,7-9).

O próprio Jesus dá testemunho dessa queda: “Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago” (Lc 10, 18). “(O Demônio) foi homicida desde o principio, e não permaneceu na verdade" (Jo 8,44).

Poder dos anjos bons sobre os demônios.

Ensina São Tomás que os anjos bons, mesmo que por natureza pertençam a uma hierarquia inferior à de algum demônio ( por exemplo em ralação a Satanás), sempre têm um domínio sobre os anjos decaídos. Pois os anjos gozam de perfeição da amizade de Deus, da qual estão privados os demônio; e esta perfeição é superior à mera excelência natural, a única que permanecesse nos demônios ( Suma Teológica, 1,q. 109,a.4. )

Por isso observa o Cardeal Lepicier: " A sabedoria de Deus torna-se ainda mais manifesta , quando consideramos que ele colocou os espíritos malignos debaixo do domínio dos anjos bons e deu a cada homem, neste mundo, um anjo bom que o ilumina, guia os seus passos e o defende contra os seus inimigos. Por isso, os assaltos do inimigo das almas são aniquilados pela intervenção daqueles espíritos que se conservam fiéis a Deus, e o demônio acaba por contribuir para a maior glória do Criador". (Cardeal A. LÉPICIER, op. cit., p. 241. )

Os anjos podiam pecar?

Como poderia o anjo ter pecado, uma vez que ele não está sujeito às paixões ou ao erro no entendimento, como nós homens?

"Como compreender semelhante opção e rebelião a Deus em seres de tão viva inteligência?” — pergunta João Paulo II.

O Pontífice responde:
“Os Padres da Igreja e os teólogos não hesitam em falar de cegueira, produzida pela supervalorização da perfeição do próprio ser, levada até o ponto de ocultar a supremacia de Deus, a qual exigia, ao contrário, um ato de dócil e obediente submissão. Tudo isto parece expresso de maneira concisa nas palavras: "Não servirei" (Jer 2, 20), que manifestam a radical e irreversível rejeição de tomar parte na edificação do reino de Deus no mundo criado. Satanás, o espírito rebelde, quer seu próprio reino, não o de Deus, e se levanta como o primeiro adversário do Criador, como opositor da Providência, antagonista da sabedoria amorosa de Deus” (Apud Mons.C. BALDUCCI, El díablo, p. 20.)

E o Papa explica que os anjos, por serem criaturas racionais, são livres, isto é, têm a capacidade de escolher a favor ou contra aquilo que conhecem ser o bem: “Também para os anjos a liberdade significa possibilidade de escolha a favor ou contra o bem que eles conhecem, quer dizer, o próprio Deus”. (João Paulo II, Mcm, ibidem.)

Criando os anjos racionais e livres, quis Deus que eles - com o auxílio da graça — fossem os agentes de sua própria felicidade ou de sua perda, caso cooperassem ou resistissem à graça. Para que merecessem a felicidade eterna, submeteu-os a uma prova.

É de fé que todos os espíritos angélicos foram submetidos a uma prova. Entretanto, não sabemos qual teria sido essa prova. Os teólogos procuram excogitar qual teria sido.

O pecado dos anjos maus.


Qual teria sido a prova a que foram submetidos os anjos? E qual teria sido o pecado dos que sucumbiram à prova?
Um pecado de soberba.

Acredita-se comumente que tenha sido um pecado de orgulho, de soberba, pois a Escritura diz que “foi na soberba que teve início toda a perdição” (Tob 4, 14).

Santo Atanásio (séc. IV) o afirma explicitamente:

"O grande remédio para a salvação da alma é a humildade. Com efeito, Satanás não caiu por fornicação, adultério ou roubo, mas foi o seu orgulho que o precipitou ao fundo do inferno. Porque ele falou assim: "Eu subirei e colocarei meu trono diante de Deus e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14, 14). E é por essas palavras que ele caiu e que o fogo eterno se tornou sua sorte e sua herança”. (Apud Card. P. GASPARRI, Catechisme Catholique pour Adultes. p. 345.)
Em que teria consistido essa soberba?

Segundo São Tomás de Aquino, essa soberba consistiu em que os anjos maus desejaram diretamente a bem-aventurança final, não por uma concessão de Deus, por obra da graça, e sim por sua virtude própria, como mera decorrência de sua natureza. Desse modo, quiseram manifestar sua independência em relação a Deus; eles recusaram assim a homenagem que deviam a Deus como seu criador e desejaram substituir-se a Ele e ter o domínio sobre todas as coisas: ser como deuses (cf.Gen 3,5).

São Tomás faz igualmente referência à seguinte passagem de Isaías — referente ao rei de Babilônia, mas geralmente aplicada a Satanás — para ilustrar o pecado dele e dos anjos maus que o acompanharam na revolta: “Como caíste do céu, ó astro brilhante [em latim: “Lúcifer”J, que, ao nascer do dia brilhavas? ... Que dizias no teu coração: ... serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14, 13-14).

O pecado de Lúcifer e dos anjos que se revoltaram com ele teria sido, pois, um pecado de soberba, ou seja de complacência na própria excelência, com menoscabo da honra e respeito devidos a Deus.

Estes elementos se encontram em todo pecado — explica o Pe. Bujanda — pois quem ofende a Deus prefere a própria vontade, em vez da vontade divina, e nela se compraz.
Revelação da Encarnação

Não está formalmente revelado no que consistiu exatamente a prova dos anjos; os teólogos fazem hipóteses teológicas, como a de São Tomás, exposta acima.

Francisco Suárez, teólogo jesuíta do século XVII, levanta outra hipótese: a prova dos anjos teria consistido na revelação antecipada por Deus, da Encarnação do Verbo. Os anjos maus se teriam revoltado contra a submissão em que ficariam em relação à natureza humana do Verbo Encarnado, a qual, enquanto natureza, seria à natureza angélica.

Uma variante dessa hipótese é a que afirma que Lúcifer e os anjos revoltados não quiseram submeter-se à Mãe do Verbo Encarnado, pela sua dignidade ficaria colocada acima dos próprios anjos, embora inferior a eles por natureza.

Essa hipótese, entretanto, está ligada a uma outra questão: se o Verbo se teria encarnado mesmo sem o pecado de Adão. Suárez, com algumas adaptações, segue a opinião de Duns Escoto e de Santo Alberto Magno, a qual sustenta que sim; São Francisco de Sales também participa dessa opinião.

São Tomás, porém, é de outro parecer. Argumenta ele:
"Seguindo a Sagrada Escritura, que por toda a parte apresenta como razão da Encarnação o pecado do primeiro homem, é conveniente dizer-se que a obra da Encarnação está ordenada por Deus como remédio contra o pecado. De tal modo que, se não existisse o pecado não teria havido a Encarnação, embora a potência divina não esteja limitada pelo pecado, podendo, pois, Deus encarnar-se, mesmo que não houvesse o pecado” (Suma Teológica, 3, q. 1, a. 3.)

São Boaventura reconhece que a opinião de São Tomás é mais consoante com a Fé, enquanto a outra favorece mais a razão. (In III Sent.,Dist.I,a.2,q.2.)

Embora ambas as opiniões sejam sustentáveis, o comum dos Doutores acha que a hipótese de São Tomás é mais provável, sendo predominante entre os Santos Padres.

Santo Agostinho afirma: “Se o homem não tivesse caído não se teria feito carne” (Serm. 174,2.)

Em favor dela fala igualmente o Símbolo dos Apóstolos, isto é, o Credo, quando proclama: “O Qual [o Verbo], por nós homens, e por nossa salvação, desceu dos céus “. Também a liturgia pascal, que canta: “Ó culpa feliz, que nos mereceu um tal Redentor!"

O Pe. Christiano Pesch S.J. diz que a posição tomista de tal modo se tornou comum, que hoje há poucos defensores da esposada por Suárez, quanto à Encarnação do Verbo.

Daí decorreria que a hipótese de Suárez com relação ao pecado dos anjos ficaria também prejudicada. (C. PESCH 53, De Angelis, III, p. 71; cf. também Mons. P. PARENTE. Incarnazioni, col 1.751; I. SOLANO, De Verbo incarnato, pp. 15-24).)

A obstinação dos demônios.

Nós homens temos certa dificuldade psicológica em compreender que os demônios, por um só pecado, tenham sido condenados eternamente, enquanto Adão e Eva puderam ser perdoados. Por isso, desde os primeiros tempos do Cristianismo, não faltaram autores que sustentaram a possibilidade de reconciliação dos anjos decaídos com Deus.

Essa doutrina foi condenada pela Igreja e São Tomás explica a razão pela qual isso não é possível: em primeiro lugar porque a prova a que os anjos foram submetidos, a fim de merecerem a bem-aventurança eterna, teve para eles o mesmo efeito que tem para nós homens a morte; ou seja, encerra o período em que podemos adquirir méritos, e nos introduz na vida eterna, imutável por natureza. Os anjos bons, tendo sido fiéis, passaram a gozar da bem-aventurança eterna; os anjos maus ou demônios foram precipitados no inferno por toda a eternidade.

Em segundo lugar, por causa da natureza angélica: os anjos, uma vez feita uma escolha, não podem voltar atrás, seja para o bem, seja para o mal. Porque eles não estão sujeitos à mobilidade das paixões humanas, sua inteligência é perfeita, de modo que eles não podem fazer escolhas provisórias, como o homem. Antes de fazer uma escolha, o anjo é perfeitamente livre; feita esta, sua vontade adere a ela para sempre, pois todas as razões que o levaram a fazer essa escolha já estavam perfeitamente claras para ele antes que a fizesse.

Orações a São Miguel Arcanjo.

Oração a São Miguel.

“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso auxilio contra a malícia e ciladas do demônio. Exerça Deus sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno a Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém”.


CONSAGRAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO


Príncipe nobilíssimo da hierarquia Angélica, valoroso guerreiro do Altíssimo, amante zeloso da glória do Senhor, terror dos anjos rebeldes, amor e delícia de todos os anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel.
Desejando pertencer ao número dos vossos devotos e servos, ofereço-me todo a vós, dou-me e dedico-me e coloco todo o meu ser, todos os meus interesses, minha casa, minha família e quanto possuo sob a vossa proteção. É pequena a oferta da minha servitude não sendo eu senão um miserável pecador, mas grande é o afeto do meu coração.

Lembrai-vos de que de hoje em diante estou sob o vosso patrocínio, e vós deveis em toda a minha vida assistir-me; procurar-me o perdão dos meus muitos pecados; alcançar-me a graça de amar de todo o coração ao meu Deus, ao meu amado Salvador Jesus, a minha doce Mãe Maria e, ainda, conseguir-me o que for necessário para chegar à coroa da glória.
Defendei-me sempre dos inimigos da minha alma, especialmente no último momento da minha vida. Vinde então, príncipe gloriosíssimo, assistir-me no último combate e, com a vossa arma poderosa, atirai para longe de mim, no abismo do inferno, a aquele anjo prevaricador e soberbo que prostrastes um dia num combate no Céu. Amém.

O Rosário de São Miguel Arcanjo.

Início:
Deus, vinde em nosso auxílio; Senhor, socorrei-nos e salvai-nos. Glória ao Pai...

Primeira Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Serafins, para que o Senhor Jesus nos torne dignos de sermos abrasados de uma perfeita caridade. Amém. Ao primeiro coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...


Segunda Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Querubins, para que o Senhor Jesus nos conceda a graça de fugirmos do pecado e procurarmos a perfeição cristã. Amém. Ao segundo coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...


Terceira Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Tronos, para que Deus derrame em nossos corações o espírito de verdadeira e sincera humildade. Amém. Ao terceiro coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...


Quarta Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Dominações, para que o Senhor nos conceda a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões. Amém.
Ao quarto coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Quinta Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Potestades, para que o Senhor Jesus se digne de proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demônios. Amém.
Ao quinto coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Sexta Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro admirável das Virtudes, para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas que nos livre de todo o mal. Amém. Ao sexto coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Sétima Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Principados, para que o Senhor encha nossas almas do espírito de uma verdadeira e sincera obediência. Amém. Ao sétimo coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Oitava Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Arcanjos, para que o Senhor nos conceda o dom da perseverança na fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso.Amém.
Ao oitavo coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Nona Saudação

Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os Anjos, para que sejamos guardados por eles nesta vida mortal, para sermos conduzidos por eles à glória eterna do Céu. Amém.
Ao nono coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...

Ao final, reza-se:
Um Pai-Nosso em honra de São Miguel Arcanjo.
Um Pai-Nosso em honra de São Gabriel.
Um Pai-Nosso em honra de São Rafael.
Um Pai-Nosso em honra de nosso Anjo da Guarda.

Antífona:
Ó gloriosíssimo São Miguel, chefe e Príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo; Vós, cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na fidelidade em servir a Deus. Amém.

S: Rogai por nós, bem-aventurado São Miguel, Príncipe da Igreja de Cristo.
R: Para que sejamos dignos de suas promessas. Amém.


Oração:
Deus, Todo Poderoso e Eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para Príncipe de Vossa Igreja, o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele, São Miguel, na presença da Vossa Poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.



A Ladainha de São Miguel Arcanjo.


Senhor, tende piedade de nós

Jesus Cristo, tende piedade de nós

Senhor, tende piedade de nós

Jesus Cristo, ouvi-nos

Jesus Cristo, atendei-nos

Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

São Miguel, rogai por nós,

São Miguel, cheio de graça de Deus, rogai por nós.

São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.

São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.

São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.

São Miguel, porta e estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.

São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.

São Miguel, guia e consolador do povo Israelita, rogai por nós.

São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.

São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.

São Miguel, luz dos Anjos, rogai por nós.

São Miguel, baluarte da verdadeira fé, rogai por nós.

São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.

São Miguel, baluarte da verdadeira fé, rogai por nós.

São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.

São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.

São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.

São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.

São Miguel, mensageiro da sentença eterna, rogai por nós.

São Miguel, consolador das almas do Purgatório, Vós a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, rogai por nós.

São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós.

São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.


Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo, perdoai-nos Senhor

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo, ouvi-nos Senhor

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo, tende piedade de nós,

Senhor Jesus Cristo ouvi-nos.

Jesus Cristo atendei-nos.

Rogai por nós glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Jesus Cristo, Para que sejamos dignos das Suas promessas.

Amém.

São José


19 de março - Dia de São José


Tudo o que sabemos sobre o marido de Maria e pai adotivo de Jesus vêm das Escrituras e isso tem parecido muito pouco para aqueles que criaram lendas sobre ele.

Diz-se que casou-se com Maria aos 30 anos de idade e, por seu caráter, foi escolhido a dedo por Deus para guardar a virgindade de nossa mãezinha Maria. Diz-se também que morreu aos 60 anos de idade, antes do início da vida pública de seu Filho Jesus Cristo.


que ele era um carpinteiro, um trabalhador, tanto que, em Nazaré, perguntaram em relação a Jesus, "Não é este o filho do carpinteiro?" (Mateus 13,55). Ele não era rico, tanto que, quando ele levou Jesus ao Templo para ser circuncidado, e Maria para ser purificada, ele ofereceu o sacrifício de um par de rolas ou dois pombinhos, permitido apenas àqueles que não tinham condições de comprar um cordeiro (Lucas 2,24).


Apesar de seu humilde trabalho e suas condições, José veio de uma linhagem real. Lucas e Mateus discordam um pouco em relação aos detalhes da genealogia de José, mas ambos marcam sua descendência a partir de Davi, o maior rei de Israel (Mateus 1,1-16 e Lucas 3,23-38). Realmente o anjo que primeiro conta a José sobre Jesus o saúda como "filho de Davi," um título real usado também para Jesus. Sabemos que José foi um homem compassivo, carinhoso. Quando ele soube que Maria estava grávida após estarem para se casar, ele soube que a criança não era dele mas desconhecia, até então, que ela estava carregando o Filho de Deus. Ele planejou separar-se de Maria de acordo com a lei, mas temeu pela segurança e o sofrimento dela e do bebê. Ele sabia que mulheres acusadas de adultério poderiam ser apedrejadas até a morte, então ele decidiu deixá-la silenciosamente e não expor Maria a vergonha ou crueldade (Mateus 1,19-25).


Sabemos que José foi um homem de fé, obediente a tudo o que Deus pedisse a ele sem preocupar-se com os resultados. Quando o anjo apareceu a José em um sonho e contou-lhe a verdade sobre a criança que Maria estava carregando, José imediatamente e sem questionar preocupar-se com fofocas, tomou-a como esposa. Quando o anjo reapareceu para dizer-lhe que sua família estava em perigo, ele imediatamente deixou tudo o que possuía, todos os seus parentes e amigos, e escapou para um país estranho, desconhecido, com sua jovem esposa e o bebê.


Ele aguardou no Egito sem questionar até que o anjo disse a ele que já era seguro retornar (Mateus 2,13-23).Sabemos que José amava Jesus. Sua única preocupação era com a segurança desta criança confiada a ele. Ele não apenas deixou seu lar para proteger Jesus mas na ocasião de seu retorno fixou residência na obscura cidade de Nazaré sem temer por sua vida. Quando Jesus ficou no Templo, José (junto com Maria) procurou por ele com grande ansiedade por três dias (Lucas 2,48). Sabemos também que José tratava a Jesus como seu próprio filho tanto que as pessoas de Nazaré constantemente repetiam com relação a Jesus, "Não é este o filho de José?" (Lucas 4,22)


Nós sabemos que José respeitava e temia a Deus. Ele seguiu as Suas ordens ao lidar com a situação de Maria (mãe solteira em tese) e ao ir a Jerusalém para Jesus ser circuncidado e Maria purificada após o nascimento de Jesus. Ele levava sua família a Jerusalém todo ano para a Páscoa, algo que não poderia ter sido fácil para um trabalhador.Já que José não aparece na vida pública de Jesus, em sua morte, ou ressurreição, muitos historiadores acreditam que José provavelmente havia morrido antes que Jesus iniciasse seu sacerdócio.


José tem também como título de protetor da boa morte, porque presumindo-se que ele morreu antes da vida pública de Jesus, ele morreu com Jesus e Maria perto dele, da maneira como todos nós gostaríamos de partir desta terra.

José é também o patrono universal da Igreja, dos pais, dos carpinteiros, e da justiça social. Celebramos dois dias festivos para São José: 19 de março para José o Marido de Maria e 1 de maio para José, o Trabalhador.