Santa Felicidade e sete irmãos
Não há muitas informações sobre a vida anterior ao martírio de
Felicidade e dos sete irmãos. Eles viveram nos tempos do imperador
Antonino e foram presos e mortos todos juntos no ano 165, em Roma.
Há dúvidas, até, de se os sete jovens seriam realmente todos irmãos e
ainda, em sendo irmãos, se a mulher presa e morta ao lado deles seria
mesmo a mãe deles. Entretanto são os dados registrados nas "Atas" sobre
este martírio coletivo.
Também este não teria sido o único caso de uma mãe que recebeu a pena
capital juntamente com os filhos. Há, por exemplo, o caso dos "sete
irmãos Macabeus", de que fala a Sagrada Escritura no capítulo sete do
segundo livro dos Macabeus.
Além disso, quanto a esta mártir, consta que o próprio papa são Gregório
Magno teria encontrado uma gravura mural que representava esta mãe, de
nome Felicidade, rodeada por sete jovens, numa das catacumbas de Roma.
A tradição diz que Felicidade era uma rica viúva que foi acusada de ser
cristã pelos sacerdotes pagãos ao imperador. Públio, prefeito de Roma,
ficou encarregado do seu julgamento. Começou o interrogatório somente
com ela, todavia não obteve resultado algum. No dia seguinte, mandou
conduzir a mãe e os sete filhos para adorarem os deuses. Mas Felicidade
exortou os filhos a que não fraquejassem na fé. O juiz, então, condenou
mãe e filhos à morte.
Através das "Atas" podemos saber todos os seus nomes e a forma de
martírio de cada um. Nela, eles estão citados como "os sete irmãos
mártires": Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vidal e Marcial.
Januário, após ser açoitado com varas e ter padecido no cárcere, foi
morto com flagelos chumbados. Félix e Filipe foram espancados e mortos a
cacetadas. Silvano foi jogado num precipício. Alexandre, Vidal e
Marcial foram decapitados.
Apesar de saberem que sofreriam muito antes de morrer, todos mantiveram a
firmeza na fé e não renegaram o Cristo. A última a morrer, por
decapitação foi Felicidade, que sofreu muitas torturas até a execução no
dia 23 de novembro. A tradição cristã reverência todos estes santos
mártires na mesma data.
Santa Felicidade e sete irmãos, rogai por nós!
São Clemente I
Clemente foi o quarto papa da Igreja de Roma, ainda no século I.
Vivia em Roma e foi contemporâneo de são João Evangelista, são Filipe e
são Paulo; de Filipe era um dos colaboradores e do último, um discípulo.
Paulo até citou-o em seus escritos. A antiga tradição cristã
apresenta-o como filho do senador Faustino, da família Flávia, parente
do imperador Domiciano. Mas foi o próprio Clemente que registrou sua
história ao assumir o comando da Igreja, sabendo do perigo que o cargo
representava para sua vida. Pois era uma época de muitas perseguições
aos seguidores de Cristo.
Governou a Igreja por longo período, de 88 a 97, quando levou avante a
evangelização firmemente centrada nos princípios da doutrina. Enfrentou
as divisões internas que ocorriam. Foi considerado o autor da célebre
carta anônima enviada aos coríntios, que não seguiam as orientações de
Roma e pretendiam desligar-se do comando único da Igreja. Através da
carta, Clemente I animou-os a perseverarem na fé e na caridade ensinada
por Cristo, e participarem da união com a Igreja.
Restabeleceu o uso do crisma, seguindo a tradição de são Pedro, e
instituiu o uso da expressão "amém" nos ritos religiosos. Com sua
atuação séria e exemplar, converteu até Domitila, irmã do imperador
Domiciano, também seu parente, fato que ajudou muito para amenizar a
sangrenta perseguição aos cristãos. Graças a Domitila, muitos deixaram
de sofrer ou, pelo menos, tiveram nela uma fonte de conforto e
solidariedade.
Clemente I expandiu muito o cristianismo, assustando e preocupando o
então imperador Nerva, que o exilou na Criméia. A essa altura, assumiu,
como papa, Evaristo. Enquanto nas terras do exílio, Clemente I encontrou
mais milhares de cristãos condenados aos trabalhos forçados nas minas
de pedra. Passou a encorajá-los a perseverarem na fé e converteu muitos
outros pagãos.
A notícia chegou ao novo imperador Trajano, que, irritado, primeiro
ordenou que ele prestasse sacrifício aos deuses. Depois, como recebeu a
recusa, mandou jogá-lo no mar Negro com uma âncora amarrada no pescoço.
Tudo aconteceu no dia 23 de novembro do ano 101, como consta do
Martirológio Romano.
O corpo do santo papa Clemente I, no ano 869, foi levado para Roma pelos
irmãos missionários Cirilo e Metódio, também venerados pela Igreja, e
entregue ao papa Adriano II. Em seguida, numa comovente solenidade, foi
conduzido para o definitivo sepultamento na igreja dedicada a ele. Na
cidade de Collelungo, nas ruínas da propriedade de Faustino, seu pai,
foi construída uma igreja dedicada a são Clemente I. A sua celebração
ocorre no dia da sua morte.
São Clemente I, rogai por nós!
São Columbano
Catequizada por são Patrício no século V, a Irlanda deu à Europa
medieval inúmeros monges missionários que espalharam e fizeram crescer a
Igreja cristã. Da "ilha dos santos" para a Europa, eles vieram,
austeros, retos e amorosamente motivados, dar origem à chamada
"peregrinação pelo Senhor". Além de expandir muito as regiões de fé
cristã, colaboraram para a renovação cultural do velho continente. Um de
grande relevância foi o monge Columbano, nascido por volta do ano 540
na cidade de Leinster.
Esse irlandês era um nobre rico, culto e dotado de inteligência incomum.
Ele próprio se iniciou no estudo das Sagradas Escrituras. Depois,
estudou as ciências humanas e a teologia em um mosteiro da Irlanda do
Norte, em Bangor, considerado o de regras mais rígidas de todo país.
Teve como orientador espiritual o próprio abade, santo Comgall. Passou
décadas e mais décadas de ilha em ilha, onde os mosteiros floresciam.
Ele mesmo fundou um em Bangor, que se tornou célebre também, e onde, por
uma década, foi professor dos noviços.
Contemporâneo dos mais destacados religiosos de sua época, estudou ao
lado de muitos deles, alguns dos quais se tornaram santos. Aos cinqüenta
anos, deixou seu país para atuar como missionário, acompanhado de
outros doze monges. E passou para a história da Igreja por sua presença
de visionário reformador e fundador de mosteiros, dono de uma singular
personalidade que unia vigor e poesia, determinação férrea e descuidada
improvisação. Mas também, e principalmente, pela rigidez das regras de
disciplina imposta aos monges dos seus mosteiros.
Chegou, em 590, na Europa decadente daqueles tempos medievais, entrando
pela França, onde fundou o primeiro mosteiro em Luxeuil, a seguir outros
dois na região da Borgonha. Assim, atraiu centenas de seguidores,
reavivando a fé cristã. Depois, foi a vez da Suíça, onde deixou o
discípulo Gallo, agora santo, o qual fundaria, mais tarde, um célebre
mosteiro que perpetua o seu nome.
Finalmente, chegou na Itália, onde a fama de sua sabedoria e santidade
já era conhecida. Atuou como conselheiro do rei dos longobardos, mas
indispos-se com ele por causa da sua oposição aos hereges arianos. Foi
para as montanhas da Ligúria, entre Gênova e Pávia, onde ergueu a igreja
e o Mosteiro de Bobbio, que tantos frutos daria ao catolicismo no
futuro. Nele, o abade Columbano morreu no dia 23 de novembro de 615. E
essa é a data da festa para a sua celebração.
São Columbano, rogai por nós!