Santa Amélia
Amélia viveu no século IV e seu nome tem uma origem incerta. Pode
ter vindo do germânico Amelberga, que significa amiga protetora; ou
derivar do grego Amalh (amále), cujo sinônimo é terna, delicada,
sensível. E se nos deixarmos levar apenas pelo som do nome, veremos nos
remete ao amor.
Amélia pertence a um numeroso grupo de mártires cristãos, que são
fervorosamente lembrados pela Igreja. De sua vida não se sabe
praticamente nada. Ela morreu no dia 5 de janeiro na cidade de Gerona,
na Catalunha, Espanha.
Esta notícia foi trazida para a tradição católica, de um antigo
Breviário de Gerona que possibilitou sua localização no período entre os
anos de 243 a 313, do governo do imperador romano Diocleciano, que
patrocinou a implacável perseguição aos cristãos.
Em 1336, o bispo de Gerona, descobriu as relíquias mortais dos mártires e
dedicou à eles um altar na catedral da cidade. Depois através dos
séculos estes mártires, elencados naquela longa lista conhecida como
Martirológio Geronimiano, passaram a ser celebrados em vários grupos e
em datas diferentes.
Isto porque, de alguns deles, além do referido Martirológio, outros
documentos e as inscrições das lápides, revelaram o nome e mais alguma
informação. Ao que parece todos seriam africanos, mas também não se tem
certeza. A exceção de São Paolino e Sicio, com festa no dia 31 de maio,
que eram antíoques.
Assim, o nome de Santa Amélia, nos reporta em todos os sentidos ao amor.
Ela serve de exemplo para todos os peregrinos que procuram a igreja da
catedral de Gerona, para reverenciar sua memória, agradecendo as graças
alcançadas por sua intercessão. Aos devotos, ela lembra que na vocação
cristã o martírio aparece como uma possibilidade pré anunciada na
Revelação, que nunca deve ser esquecida durante a própria vida.
O mártir, sem dúvida, é o sinal daquele amor maior que contém em si
todos os outros valores. A sua existência reflete a palavra suprema,
pronunciada por Cristo na cruz: "Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o
que fazem" (Lc 23, 34).
O culto litúrgico à Santa Amélia, no dia 5 de janeiro, foi mantido como
indica o Martirológio. Ela que com o seu testemunho mostrou o que é o
verdadeiro amor cristão, pois anunciou o Evangelho, dando a vida por
amor.
Santa Amélia, rogai por nós!
Santa Emiliana
Emiliana era uma das tias paternas de Gregório Magno, que foi papa
entre 590 a 604. As outras eram Tarsila e Jordâna. Elas pertenciam a uma
das famílias mais ilustres de Roma. Entre seus avós estão o imperador
Olívio, o papa São Félix III. O senador Jordão era seu irmão e pai de
Gregório Magno.
Porém de Emiliana se tem pouquíssima informação. Muito menos do que se
conhece sobre sua irmã Tarsila e talvez um pouco mais que Jordâna. O seu
nome foi encontrado no século onze, no Martirologio local e depois do
Concílio de Trento, foi inserido no oficial da Igreja. A única fonte
genuína sobre sua vida foi os relatos do seu sobrinho, o papa Gregório
Magno. Mas, ele registrava a vida dos parentes com muito poucos dados e
apenas quando lhe serviam como exemplos concretos, para tornar mais
eficiente o seu ensinamento.
Emiliana e as irmãs ajudaram a cunhada Sílvia no nascimento do pequeno
Gregório, que sempre teve saúde frágil. Depois, enquanto viveram, o
acompanharam nos estudos e nos trabalhos. Gregório, ainda jovem, se
tornou chefe da administração civil de Roma. Mais tarde, se tornou
embaixador do papa Pelágio II e ao mesmo tempo monge, guia de uma
pequena comunidade religiosa, recolhida em sua residência na cidade de
Célio. De lá Gregório saiu para ser papa.
Neste período Tarsila havia se tornado uma freira voltada para a vida
reclusa e Jordâna se casou. Emiliana também se tornou freira, seguiu a
linha das religiosas ocidentais, ou seja, não isolada na reclusão
espiritual, mas dedicada à vida comunitária de ajuda aos doentes e
necessitados, voltada para a castidade e as orações contínuas.
Neste terrível século VI, cheio de sobressaltos da natureza, com
terremotos, pestes, guerras, invasões e um contínuo afluir de miseráveis
em Roma; a caridade se tornava tarefa habitual também para as irmãs
freiras. Trabalhavam em dupla, Tarsila reclusa guiando e comandando,
enquanto Emiliana atuava junto à população pobre e aos doentes.
Emiliana, segundo registrou o papa Gregório Magno, foi uma das mais
atuantes religiosas e de quem os exemplos à dedicação a Cristo deviam
ser copiados, pois amava o próximo verdadeiramente através da caridade
evangélica e tendo Jesus como seu eterno esposo.
Existiu apenas um fato prodigioso na sua vida relatado por Gregório
Magno. Ele afirmou que dias após a morte da irmã, a tia Emiliana ouviu a
voz dela dizendo: "Passei o Natal sem voce, mas quero que venha
festejar comigo a Epifania". De fato, Emiliana, morreu no dia 5 de
janeiro, sucessivo à morte de Tarsila, na véspera da comemoração dos
Reis Magos.
Conforme consta do calendário litúrgico da Igreja, o culto de Santa
Emiliana foi mantido no dia 5 de janeiro, que com o tempo se tornou mais
intenso que o de sua irmã Tarsila.
Santa Emiliana, rogai por nós!
São João Nepomuceno Neuman
João Nepomuceno nasceu na Boêmia, atual Eslováquia, no dia 28 de
março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. Freqüentou a
escola em sua cidade natal e entrou para o seminário em 1831. Era
autodidata, por isto, sua educação acadêmica foi aprimorada com o
domínio e fluência de vários idiomas.
João completou a preparação para o sacerdócio em 1835. Desejava ser
padre logo, porém o bispo suspendeu as ordenações, pelo excesso de
padres nas dioceses da Boêmia. Mas João não desistiu. Aprendeu inglês
trabalhando, e escreveu aos bispos dos Estados Unidos. A resposta veio
do bispo de Nova Iorque. João abandonou a família e cruzou o oceano para
ser sacerdote, atendendo ao chamado de Deus, numa terra nova e
distante.
A diocese nova-iorquina possuía apenas três dúzia de padres para mais de
duzentos mil católicos. Padre João recebeu uma paróquia onde a igreja
não tinha torre e o chão era de terra. Mas isso não o preocupava muito,
pois ele passava o seu tempo visitando doentes, ensinando e
evangelizando.
Padre João tinha a intenção de participar de uma congregação, por isto
procurou padres redentoristas, que se dedicavam aos pobres e
abandonados. Foi aceito e ingressou na Congregação e se tornou o
primeiro padre ordenado no novo continente a professar as Regras dos
redentoristas na América, em 1842. Sua fluência de idiomas o qualificou
para o trabalho na sociedade americana composta de muitas línguas, no
século dezenove.
Em 1847 foi eleito pela Congregação o superior geral dos redentoristas
nos Estados Unidos. João ocupou o cargo durante dois anos, quando a
fundação americana passava por um período difícil de adaptação. Deixou a
função com os padres redentoristas bem preparados para serem uma
congregação autônoma, o que ocorreu em 1850.
O Padre Neumann foi nomeado Bispo de Filadélfia em 1852. Sua diocese
era muito grande e se desenvolvia com muita rapidez. Por isto, decidiu
introduzir no país a educação católica. Organizou um sistema diocesano
de escolas católicas, fundou a congregação das Irmãs da Ordem Terceira
de São Francisco para ensinarem nas escolas, que na sua diocese em pouco
tempo duplicaram. Padre João construiu mais de oitenta igrejas durante o
seu bispado, dentre elas iniciou a catedral de São Pedro e São Paulo.
Padre João Neumann era um homem de estatura pequena e de saúde frágil,
mas sempre se manteve muito ativo. Além das obrigações pastorais, achou
tempo para a atividade literária. Ele escreveu inúmeros artigos em
revistas e jornais católicos; publicou dois catecismos e uma história da
Bíblia para as escolas.
Ele morreu de repente enquanto caminhava pela rua de sua cidade
episcopal. Era 5 de janeiro de 1860. O papa Paulo VI o beatificou em
1963 e foi canonizado pelo mesmo papa no dia 17 de junho de 1977, em
Roma. Na cerimônia, assistida por uma multidão de fiéis americanos que
fizeram a mesma rota marítima do Santo João Nepomuceno Neumann, só que
em sentido inverso, o Papa decretou o dia 5 de janeiro para seu culto
litúrgico.
São João Nepomuceno Neuman, rogai por nós!
São Simeão
Simeão nasceu em 390, na cidade de Cilícia, atual Síria. Sua família era
humilde e muito religiosa. Até a adolescência trabalhou como ajudante
de seu pai no trato do gado. Era um jovem muito inteligente e perspicaz,
possuía um temperamento dramático e as vezes exagerado, mesmo
preferindo a vida solitária. Tinha o hábito de ler o Evangelho,
enquanto cuidava do rebanho, depois ia pedir explicações a um velho
sacerdote que já percebera a vocação monástica de Simeão.
Certo dia, durante o sermão de uma missa, o sacerdote falou sobre a vida
dos santos e fiéis. Explicou que a oração contínua, a vigília, o jejum,
a humilhação e o sofrimento eram o caminho para a verdadeira
felicidade, junto ao Pai Eterno. Simeão neste momento, sentiu que queria
se devotar completamente a Deus.
Seguindo o seu íntimo, se dirigiu para o mosteiro mais próximo e, depois
de passar alguns dias jejuando na porta, foi admitido pelos monges. Não
ficou muito tempo porque até os monges acostumados às penitencias mais
severas, ficaram assustados com os castigos que Simeão se impunha. No
final de dois anos foi dispensado da comunidade.
Então, foi para o severo mosteiro de Heliodoro, onde aumentou ainda mais
suas penitências. Alí permaneceu durante dez anos. O seu exemplo
preocupava o superior da comunidade. Entretanto, Simeão decidiu amarrar
uma corda áspera no corpo todo, para aumentar ainda mais o seu
sofrimento. Esta atitude começou a chamar a atenção dos outros
religiosos. Por isto, o superior o convidou a deixar o mosteiro, para
impedir que outros monges resolvessem seguir o exemplo desta penitência.
Simeão decidiu ser um ermitão. Seguiu rumo ao topo do Monte Tesalissa,
onde existia uma comunidade de pessoas que viviam isoladas e rezando.
Morou ali, fazendo abstinência total durante quarenta dias, não apenas
na Quaresma. Depois, de três anos foi para o ponto mais alto e
construiu um claustro com pedras sem teto e se acorrentou no pescoço e
no pé direito, prendendo a outra ponta da pesada corrente numa rocha.
Ao saber da situação o vigário, o aconselhou a apenas alimentar sua
força de vontade e deixar o exagero de lado, no que Simeão obedeceu.
A partir de então, Simeão era chamano de "o estilista", que vem da
palavra grega sytilos e que significa coluna. Seus atos atraiam muitos
fiéis ao local, que desejavam ouvir seus conselhos, seus discursos sobre
o Evangelho e pedir por seus prodígios. Por sete anos converteu muitos
pagãos, mas precisava de mais isolamento. Então Simeão decidiu construir
uma coluna alta com uma base em cima para morar. De tempo em tempo, ele
aumentava a altura da coluna, que atingiu a altura de dezoito metros
no final dos vinte e sete anos vividos ali.
Simeão morreu sobre o local em posição de oração, no dia 5 de janeiro
de 453. Sua festa acontece neste dia, desde o ano em que morreu, e se
propagou por todo o mundo católico com muita rapidez. A Igreja o
canonizou e manteve a data da sua comemoração.
São Simeão, rogai por nós!