Seis breves reflexões sobre São José Operário
Dia 1º de maio celebramos São José Operário, padroeiro dos trabalhadores.

1º A pessoa de São José Operário
Quem
foi São José? Ele entra em cena nos Evangelhos quase
desapercebidamente. Mas o que se afirma sobre ele é que era justo, filho
de Davi, esposo de Maria, pai de Jesus e carpinteiro. São poucas
informações, mas de importância fundamental. “Era um homem justo” (Mt
1.9). Justo com Deus, nele confiando profundamente; justo com o próximo,
vivendo com Jesus e Maria na mais perfeita caridade; justo consigo
mesmo, sendo fiel à vocação que recebeu. De fato, falava pouco, mas
vivia intensamente o dia-a-dia da vida, não se subtraindo de nenhuma
responsabilidade a ele confiada. O carpinteiro de Nazaré, com espírito
de oração e virtuoso trabalho, tirava o sustento para si e sua família
com o suor do seu rosto. Essa é a razão pela qual São José vive na alma
do nosso povo.
2º O exemplo de São José Operário na família
São
José “foi dado à humanidade para exprimir visivelmente as adoráveis
perfeições do Pai, para ser a sua imagem aos olhos do Filho de Deus”.
Então, como deve ser excelsa a sua santidade, a beleza desse grande
santo que Deus Pai criou com suas mãos para representar a si mesmo ao
Filho unigênito. O Evangelho especifica o tipo de trabalho, pelo qual
José garantia a sustentação da família: o trabalho de carpinteiro. No
desenvolvimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» a
virtude da laboriosidade era notável, e neste sentido “São José tem uma
grande importância para Jesus, se verdadeiramente o Filho de Deus feito
homem o escolheu para revestir a si mesmo de sua aparente filiação...
Jesus, o Cristo, quis assumir a sua qualificação humana e social deste
operário (Paulo VI – Alocução 19/3/1964).
3º O sentido do trabalho
Com
São José aprendemos que o trabalho é um bem do ser humano, que
transforma a natureza e torna o ser humano, em certo sentido, mais
humano (Redemptoris Custos, nº23). O trabalho é um dado antropológico e
se insere na relação entre ser humano e natureza. Toda atividade
mediante a qual o ser humano, no exercício de suas capacidades físicas,
espirituais e mentais, direta ou indiretamente, transforma a natureza a
fim de colocá-la ao seu serviço confere um caráter de trabalho.
Porque
o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência humana, e
por ele Jesus qualifica o seu estado social. Desse modo, o trabalho
humano é uma chave fundamental e decisiva para a questão social, do
ponto de vista da dignidade pessoal e do bem comum (Colom, 2006, p.
155).
4º Doutrina Social da Igreja e o trabalho
A
doutrina social da Igreja ensina que o trabalho possui um significado
particular para o ser humano e a humanidade como um todo, que determina
sua dimensão ativa e criativa como característica intrínseca à sua
natureza. O trabalho é a colaboração do homem e da mulher com Deus no
aperfeiçoamento da criação. A moral social atenta para a necessidade de
considerar no mundo do trabalho os direitos e deveres configurados a
ele, como a remuneração do trabalho realizado e as devidas prestações
sociais. Ou seja, o salário justo e as condições de trabalho devem
ocorrer sem prejuízo da saúde, sem afetar a integridade moral, a higiene
e a segurança das pessoas. O limite dos horários de trabalho e o
descanso devem ser assegurados também pelos poderes públicos e pelos
empregadores.
5º O lugar do trabalho na vida de um cristão
É
preciso compreender o verdadeiro lugar do trabalho na vida cristã, de
modo que ele contribua para o crescimento humano e espiritual das
pessoas. Cumprir com diligência as atividades necessárias que nos são
incumbidas profissionalmente ou no cumprimento dos nossos deveres civis,
familiares e religiosos, podem contribuir no progresso da própria
maturidade. O Concílio Vaticano II nos ensina que “os homens e as
mulheres, ao ganhar o sustento para si e suas famílias, de tal modo
exercem a própria atividade que prestam conveniente serviço à sociedade,
com razão podem considerar que prolongam com o seu trabalho a obra do
Criador, ajudam os seus irmãos e dão uma contribuição pessoal para a
realização dos desígnios de Deus na história” (GS, n.34). Por isso, é
importante discernir quando o trabalho perde essa dimensão e ocupa o
lugar de Deus que não lhe é devido. Esse descontrole não é saudável, é
consequência do pecado e acaba por prejudicar a vida familiar e social.
6º A evangelização no mundo do trabalho
O
ambiente de trabalho é também um lugar propício para que a
evangelização aconteça. Nem sempre explicitamente, mas pelo testemunho
de vida dos cristãos no mundo. O Papa Francisco na exortação apostólica
Evangelii Gaudium exorta para que sejamos “evangelizadores que rezam e
trabalham. Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas
místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário,
nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que
transforme o coração” (EG, n.262). É com esse equilíbrio sapiencial que
devemos viver a evangelização no mundo do trabalho.
São José Operário, rogai por nós!
Amém!
Texto escrito por Larissa Menegatti