São João Gabriel Perboyre
João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty,
na diocese de Cahors, França, numa família de agricultores, numerosa e
profundamente cristã. Foi o primeiro dos oito filhos do casal, sendo
educado para seguir a profissão do pai.
Mas o menino era muito piedoso, demonstrando, desde a infância, sua
vocação religiosa. Assim, aos 14 anos, junto com dois de seus irmãos,
Luís e Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que
era sacerdote. Ingressou na Congregação da missão fundada por são
Vicente de Paulo para tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como
também são chamados os sacerdotes dessa Ordem. Depois, também, duas de
suas irmãs ingressaram na Congregação das Filhas da Caridade. Uma outra
irmã, logo após entrar para as carmelitas, adoeceu e morreu.
João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos
em Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu
desejo era ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e
onde, recentemente, padre Clet fora martirizado.
Em 1832, seu irmão, padre Luís, foi designado para lá. Mas ele morreu em
pleno mar, antes de chegar às Missões na China. Foi assim que João
Gabriel pediu para substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em
1835, estava em Macau, deixando assim registrado: "Eis-me aqui. Bendito o
Senhor que me guiou e trouxe". Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de
chinês, porque a presença de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o
idioma e os costumes e seguiu para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e
Hou-Pé.
Entretanto, foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um
ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz
e estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840.
Beatificado em 1889, João Gabriel Perboyre foi proclamado santo pelo
papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia de sua morte, tornou-se o
primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja.
São João Gabriel Perboyre, rogai por nós!
Seja bem-vindo! Este Blog se propõe a divulgar o catolicismo segundo a Igreja Católica Apostólica Romana. Os editores do Blog, não estão autorizados a falar em nome da Igreja, não são Sacerdotes e nem donos da verdade. Buscam apenas ser humildes e anônimos missionários na Internet. É também um espaço para postagem de orações, comentários, opiniões. Defendemos a Igreja conservadora. Acreditamos em DEUS e entregamo-nos nos braços de MARIA. Que DEUS nos ilumine e proteja. AMÉM
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Algumas lições do Filho Pródigo
É preciso ter a coragem de voltar; é preciso vencer
o medo e a desconfiança do pai!
Ernest Renan, que foi um filósofo e historiador
francês, racionalista, que não aceitava Jesus como Deus, no entanto escreveu no
seu livro “A vida de Jesus”, que “a história do Filho Pródigo é a mais bela
página da literatura universal”. De fato, não há página mais emocionante e que
revele tanta bondade, mansidão, perdão e misericórdia. Com esta parábola Jesus
quis revelar toda a misericórdia de Deus, que muito mais do que perdoar os
pecados do pecador, perdoa o pecador. Não há como esgotar todo o ensinamento
desta parábola.
Muitos se converteram meditando esta página do
Evangelho de São Lucas. Diante da misericórdia de Deus Pai, tão magistralmente
revelada por Jesus, não há coração que permaneça endurecido, e que não tenha o
desejo de voltar para a casa do Pai.
Aquele filho desnorteado, sem vida e sem rumo,
perdido no mundo, que parte iludido pelas fantasias do mundo, deixa em
frangalhos o coração do pai, que não pode tirar-lhe a liberdade, e que o deixa
partir, mas ficando com o coração sangrando, esperando-o um dia voltar. Deus
não pode tirar a nossa liberdade, senão perdemos a sua semelhança.
A história do filho pródigo é assim com cada
pecador longe de Deus. Mas Deus não desiste de nenhum deles; espera que volte,
mesmo que seja movido pela dor, pelas lavagens do mundo, pelas traições dos
amigos e pela desilusão das riquezas. Deus sabe esperar sem desesperar.
Aquele moço partiu cheio de vida, de encanto,
achando que ia encontrar o céu na terra; e acabou encontrando o inferno. Bento
XVI disse um dia que todos os que quiseram construir o céu na terra, acabaram
criando o inferno. É uma lição que os homens precisam aprender. Hitler, Marx,
Engels, Stalin, Lenin, Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tse Tung, etc… quiseram o
céu na terra e criaram o inferno do assassinato em massa.
O filho dissipou toda sua fortuna com os falsos
amigos e com as prostitutas, e se viu nas no limiar do desespero, passando fome
teve de se sujeitar a tratar de porcos e comer sua lavagem quando lhe
permitiam. Que miséria! Restava-lhe apenas uma saída, pensava, voltar como
escravo para a casa do pai, não mais como filho, pois já tinha recebido sua
herança. Bendito hora que teve esta intuição! Entrou em si, se examinou e
reconheceu o seu erro.
Leia também: A conversão sempre é
possível
Viu a besteira que tinha feito, deixar a casa
calorosa do pai, onde tinha de tudo, para se aventurar nas amarguras do mundo.
Loucamente trocou as alegrias da casa paterna pela miséria em que se afundou;
foi chocante demais. Tomou, então, a sábia decisão de voltar; viu seu orgulho
quebrado e jogado na terra pela fome, e certamente já conhecia o bom coração do
pai. Isso ele teve de bom, foi sincero, reconheceu seu pecado, pediu perdão, e
quis apenas ser um escravo; se redimiu. Se reconheceu indigno de ser filho, pelo
que fizera: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”. Se deu conta que só teria
tranquilidade junto da proteção paterna; não tinha outra opção. É a lição
eterna que cada homem precisa aprender: não pode haver paz e felicidade fora da
casa do Pai, longe de Deus. A meta do Mal é nos afastar de Deus e do seu amor.
Ouça também: Querigma: A importância da
conversão
A cena do reencontro daquele pai com o filho é algo
de comovente, de encantador, faltam palavras para narrá-lo. Rembrandt retratou
belamente em seu quadro. Certamente o moço esperava broncas, lições de moral, e
estava com a alma preparada para isso. A fome aceita tudo para ser saciada.
Mas, que nada, encontra, ao contrário, a compreensão e a misericórdia nunca
vista antes. Longe de ser desprezado, humilhado, xingado, ele encontra o
carinho e o amor de um pai manso e compassivo, com um coração sangrando e com
lágrima nos olhos. O filho pode deixar de ser filho, mas o pai não deixa de ser
pai. É a mais bela imagem de Deus misericordioso, “rico em misericórdia”, que
espera cada filho com os braços e o coração abertos, desde que ele volte
arrependido, ainda que seja mais pela dor do que por amor ao sofrimento causado
ao pai por seus pecados. Num abraço o pai sufoca as palavras do filho perdido.
Ele só pensa nisso: é meu filho, estava perdido, foi salvo; o resto não me
interessa. A misericórdia não faz cálculos, não tem balança. Ninguém entende
essa misericórdia sem limites; por isso o filho mais velho ficou tão irritado;
não entendeu o que é a misericórdia do pai.
O pai lhe troca os farrapos por uma rica túnica.
Manda colocar sandálias novas nos seus pés feridos pelas pedras do caminho, um
anel no dedo e um banquete! Só mesmo um pai para fazer isso! Só mesmo um
coração divino para nos ensinar tanta misericórdia e tanto amor por cada filho.
Bastou o filho voltar, arrependido, decidido, para
ser premiado. O pai percebe a sua sinceridade nesta admirável declaração: “Não
sou digno de ser mais chamado teu filho”. Ele confessou abertamente sua falta:
“Pai, pequei contra o céu e contra ti”. É tudo que o pecador precisa fazer para
ser premiado com o abraço paterno. É preciso ter a coragem de voltar; é preciso
vencer o medo e a desconfiança do pai.
A
conduta do filho mais velho, contudo, merece uma reflexão. Toma atitude
diametralmente oposta à do pai. Deixa-se levar pela indignação; é egoísta.
Fechado dentro de si mesmo. Não teve pena do irmão e faltou com a caridade para
com ele, além de desrespeitar e obedecer o bom pai, a quem ele censura por ser
tão generoso. O pai não se irrita. Mas o pai não se irrita também bom o filho
mais velho. Tem o mesmo gesto de bondade e lhe pede participe da festa em honra
do irmão que se perdera, mas que voltara.
Assim é Deus, em todas as ocasiões, clemente e
misericordioso. Aqueles que se transviam, agindo como o filho pródigo,
encontram junto Dele o perdão, a misericórdia e a paz, quando há a conversão
autêntica do coração. É a “metanoia” salvadora, mudança completa de vida e de
atitudes. Não podemos julgar o próximo como o filho mais velho da parábola, com
severidade, com dureza, sem compaixão.
Jesus disse que veio salvar o que estava perdido.
Veio buscar os doentes e não os sãos. Por isso, deixa as 99 ovelhas no aprisco
e vai buscar a tresmalhada nos abismos e espinheiros. E Ele bate à porta do
coração do pecador de maneiras diversas. É preciso responder-Lhe sem demora,
confiando na Sua misericórdia.
Prof. Felipe Aquino
Santo do dia - 10 de setembro
São Nicolau Tolentino
A prodigiosa notícia que temos de são Nicolau de Tolentino diz que,
40 anos após sua morte, seu corpo foi encontrado ainda em total estado
de conservação. Na ocasião, durante os exames, começou a jorrar sangue
dos seus braços, para o espanto de todos. Mesmo depois de muitos anos,
os ferimentos sangravam de tempos em tempos. Esse milagre a ele
atribuído fez crescer sua fama de santidade por toda a Europa e
propagou-se por todo o mundo católico.
Apesar de ter nascido na cidade de Castelo de Santo Ângelo, no ano de 1245, foi do povoado de Tolentino que recebeu o apelido acrescentado ao seu nome. Naquela cidade, viveu grande parte da sua vida. Desde os 7 anos de idade, suas preocupações eram as orações, o jejum e uma enorme compaixão pelos menos favorecidos. Nisso se resumiu sua vida: penitência, amor e dedicação aos pobres, aliados a uma fé incondicional em Nosso Senhor e na Virgem Maria. Aos 14 anos, foi viver na comunidade dos agostinianos de Castelo de Santo Ângelo, como oblato, isto é, sem fazer os votos perpétuos, mas obedecendo às Regras. Mais tarde, ingressou na Ordem e, no ano de 1274, foi ordenado sacerdote.
Nicolau possuía carisma e dons especiais. Sua pregação era alegre e consoladora na Providência divina, o que tornava seus sermões empolgantes. Tinha um grande poder de persuasão, pelo seu modo simples e humilde de viver e praticar a fé, sempre na oração e na penitência, cheio de alegria em Cristo. Com seu exemplo, levava os fiéis a praticar a penitência, a visitar os doentes e encarcerados e a dar assistência aos pobres. Essa mobilização de pessoas em torno do ideal de levar consolo e a Palavra de Deus aos necessitados dava-lhe grande satisfação e alegria.
Em 1275, devido à saúde debilitada, foi para o Convento de Tolentino, onde se fixou definitivamente. Lá, veio a tornar-se um dos apóstolos do confessionário mais significativos da Igreja. Passava horas repleto de compaixão para com todas as misérias humanas. A fama de seus conselhos e de sua santidade trazia, para a paróquia, fiéis de todas as regiões ansiosos pelo seu consolo e absolvição. A incondicional obediência, o desapego aos bens materiais, a humildade e a modéstia foram as constantes de sua vida, sendo amado e respeitado por seus irmãos da Ordem.
No dia 10 de setembro de 1305, ele fez sua última prece e entregou seu espírito nas mãos do Senhor antes de completar 60 anos de idade. Foi enterrado na sepultura da capela onde se tornara célebre confessor e celebrava suas missas. O local tornou-se meta de peregrinação, e os milagres atribuídos a ele não cessaram de ocorrer, atingindo os nossos dias. No ano de 1446, são Nicolau de Tolentino foi finalmente canonizado pelo papa Eugênio IV, cuja festa foi mantida para o dia de sua morte.
São Nicolau Tolentino, rogai por nós!
Percorria os bairros mais pobres da cidade consolando aos aflitos, levando os sacramentos aos moribundos
A prodigiosa notícia que temos de são Nicolau de Tolentino diz que,
40 anos após sua morte, seu corpo foi encontrado ainda em total estado
de conservação. Na ocasião, durante os exames, começou a jorrar sangue
dos seus braços, para o espanto de todos. Mesmo depois de muitos anos,
os ferimentos sangravam de tempos em tempos. Esse milagre a ele
atribuído fez crescer sua fama de santidade por toda a Europa e
propagou-se por todo o mundo católico.Apesar de ter nascido na cidade de Castelo de Santo Ângelo, no ano de 1245, foi do povoado de Tolentino que recebeu o apelido acrescentado ao seu nome. Naquela cidade, viveu grande parte da sua vida. Desde os 7 anos de idade, suas preocupações eram as orações, o jejum e uma enorme compaixão pelos menos favorecidos. Nisso se resumiu sua vida: penitência, amor e dedicação aos pobres, aliados a uma fé incondicional em Nosso Senhor e na Virgem Maria. Aos 14 anos, foi viver na comunidade dos agostinianos de Castelo de Santo Ângelo, como oblato, isto é, sem fazer os votos perpétuos, mas obedecendo às Regras. Mais tarde, ingressou na Ordem e, no ano de 1274, foi ordenado sacerdote.
Nicolau possuía carisma e dons especiais. Sua pregação era alegre e consoladora na Providência divina, o que tornava seus sermões empolgantes. Tinha um grande poder de persuasão, pelo seu modo simples e humilde de viver e praticar a fé, sempre na oração e na penitência, cheio de alegria em Cristo. Com seu exemplo, levava os fiéis a praticar a penitência, a visitar os doentes e encarcerados e a dar assistência aos pobres. Essa mobilização de pessoas em torno do ideal de levar consolo e a Palavra de Deus aos necessitados dava-lhe grande satisfação e alegria.
Em 1275, devido à saúde debilitada, foi para o Convento de Tolentino, onde se fixou definitivamente. Lá, veio a tornar-se um dos apóstolos do confessionário mais significativos da Igreja. Passava horas repleto de compaixão para com todas as misérias humanas. A fama de seus conselhos e de sua santidade trazia, para a paróquia, fiéis de todas as regiões ansiosos pelo seu consolo e absolvição. A incondicional obediência, o desapego aos bens materiais, a humildade e a modéstia foram as constantes de sua vida, sendo amado e respeitado por seus irmãos da Ordem.
No dia 10 de setembro de 1305, ele fez sua última prece e entregou seu espírito nas mãos do Senhor antes de completar 60 anos de idade. Foi enterrado na sepultura da capela onde se tornara célebre confessor e celebrava suas missas. O local tornou-se meta de peregrinação, e os milagres atribuídos a ele não cessaram de ocorrer, atingindo os nossos dias. No ano de 1446, são Nicolau de Tolentino foi finalmente canonizado pelo papa Eugênio IV, cuja festa foi mantida para o dia de sua morte.
São Nicolau Tolentino, rogai por nós!
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Santo do dia - 9 de setembro
São Pedro Claver
Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.
Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.
Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, na Colômbia. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. Foi, assim, enviado para Carque a fim de evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo, os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.
Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de 400 mil negros durante os 40 anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.
Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As consequências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos 73 anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.
Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte.
São Pedro Claver, rogai por nós!
Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.
Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.
Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, na Colômbia. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. Foi, assim, enviado para Carque a fim de evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo, os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.
Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de 400 mil negros durante os 40 anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.
Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As consequências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos 73 anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.
Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte.
São Pedro Claver, rogai por nós!
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terça-feira, 8 de setembro de 2015
Natividade de Nossa Senhora
Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus
Os momentos principais da vida da Virgem são comemorados pela Igreja (tanto no Ocidente como no Oriente) com solenidades litúrgicas, no decurso de todo o ano. Neste dia se celebra o seu nascimento.
O nascimento de Maria resume a longa preparação e o início da realização da promessa messiânica. Em Maria, filha do povo de Israel, o amor de Deus se projeta sobre toda a humanidade. Neste projeto divino, ela é a conexão entre o antigo e o novo pacto.
Maria foi concebida como todos os filhos de Adão, mediante a relação conjugal de seus genitores. Só Jesus fará exceção à ordem da natureza. Maria viu a luz neste mundo conforme esta ordem, se bem que nela havia a plenitude da graça desde o primeiro instante da concepção. Mas o olhar da menina Maria, diz Bernanos, "é o único verdadeiramente infantil, o único olhar de criança que jamais se levantou sobre nossa vergonha... Olhar inconcebível, inexprimível, que a torna mais jovem que o pecado, mais jovem do que a estirpe da qual saiu".
Por ser Deus quem se refletia naquele olhar de menina, este era já imensamente superior ao de todos os outros santos.
Uma santidade em crescimento, como será a de seu divino Filho, que "crescia em idade e em graça" mediante aquela aceleração no progresso espiritual — como diz são Tomás — semelhante à lei da queda do corpo no vácuo. Isso porque quanto mais uma alma caminha para Deus, mais celeremente Deus a atrai.
Essa menina é, pois, o verdadeiro protótipo da criação, como tinha saído de suas mãos "na aurora de seu esplendor original". E neste dia a Igreja universal se curva, em reverente contemplação, sobre o berço de Maria menina, para admirar nela a intacta beleza da qual era revestida a criatura antes do pecado.
Nossa Senhora, rogai por nós!
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8 de setembro - Santo do dia
São Sérgio I
Nascido em Palermo, numa data desconhecida, Sérgio foi eleito papa em 15 de dezembro de 687. Logo em seguida, chegou, da Bretanha, o rei pagão Ceadwalla, soberano de Wessex, o qual desejava tornar-se cristão, recebendo o batismo diretamente das mãos do papa Sérgio I, adotando o nome de Pedro.
Sérgio I foi um papa muito popular, por ter sido um homem de fé, de oração. Antes de tornar-se sacerdote, já era famoso na Schola Cantorum. Depois de ordenado, tornou-se um personagem eminente do clero. Quando morreu o papa Cónon, em 687, foi indicado para sucedê-lo.
Naquela época, os imperadores romanos do Ocidente e do Oriente reclamavam para si a autoridade de pontífice, não aceitando estar abaixo do papa, mesmo em questões de fé. Os papas que iam contra essa exigência eram forçados a aceitá-la, ou morriam. Um exemplo foi o papa Martinho I, que foi morto pelo imperador do Oriente, Constante II.
Agora, Justiniano II, imperador do Oriente, desejava impor a Roma e a todos os cristãos as normas disciplinares adotadas em um concílio composto somente de bispos orientais, efetuado em Constantinopla. Assim, ele mandou o respectivo decreto para aprovação do papa Sérgio I.
Entre outras coisas, o decreto terminava com o celibato sacerdotal. Sérgio negou-se, terminantemente, a aprovar tal decreto. Justiniano, então, enviou um alto dignitário, Zacarias, para prendê-lo e deportá-lo a Constantinopla, a exemplo de Martinho I. Porém, Zacarias foi recebido pelas milícias formadas pelo povo que tentava ajudar Sérgio. Eram milhares de pessoas revoltadas pelos desmandos do imperador que circundavam o palácio Lateranense, residência do papa.
Zacarias procurou fugir, porém foi pego pelas milícias. Sérgio foi em seu socorro, libertou-o e o perdoou. Mandou que retornasse ao seu imperador, ileso. Justiniano nada podia fazer para combater a popularidade desse papa. A vontade de Roma permaneceu, bem como o celibato em toda a Igreja Católica.
Apesar desses acontecimentos, o pontificado de Sérgio I foi marcado pela paz religiosa, numa época de muitas divergências teológicas a respeito da pessoa e da natureza de Cristo. Em seus 14 anos de pontificado, Sérgio I trabalhou para o enriquecimento da liturgia. Deve-se a ele o canto do "Agnus Dei" durante a missa.
Sérgio morreu aos 8 de setembro de 701 e foi sepultado na antiga Basílica de São Pedro.
São Sérgio I, rogai por nós!
Em 1516, ingressou na vida religiosa, junto aos agostinianos. Dois anos depois foi ordenado sacerdote e, logo em seguida, contra sua vontade, foi eleito superior, cargo que ocupou até 1544. O imperador Carlos V propôs, então, que se tornasse bispo da sede de Valência. Seu ingresso no bispado deu-se exatamente no dia 1o de janeiro de 1545. Baseou seu trabalho como pastor nos ensinamentos de Paulo e nos exemplos de grandes bispos da antiguidade cristã, entre eles Agostinho, Ambrósio e Gregório Magno.
Uma de suas maiores obras foi organizar várias formas de assistência. Entre elas, criou, no palácio episcopal, um orfanato para as criancinhas abandonadas, dando-lhes abrigo, cuidados e o carinho que tanto necessitavam. Acolhia de tal forma essas crianças que um dia chegou a ceder sua própria cama, pois não havia mais lugar para abrigá-las.
Tomas de Vilanova morreu no dia 8 de setembro de 1555. Só em 1658 foi incluído no álbum dos santos, pelo papa Alexandre VII.
Nascido em Palermo, numa data desconhecida, Sérgio foi eleito papa em 15 de dezembro de 687. Logo em seguida, chegou, da Bretanha, o rei pagão Ceadwalla, soberano de Wessex, o qual desejava tornar-se cristão, recebendo o batismo diretamente das mãos do papa Sérgio I, adotando o nome de Pedro.
Sérgio I foi um papa muito popular, por ter sido um homem de fé, de oração. Antes de tornar-se sacerdote, já era famoso na Schola Cantorum. Depois de ordenado, tornou-se um personagem eminente do clero. Quando morreu o papa Cónon, em 687, foi indicado para sucedê-lo.
Naquela época, os imperadores romanos do Ocidente e do Oriente reclamavam para si a autoridade de pontífice, não aceitando estar abaixo do papa, mesmo em questões de fé. Os papas que iam contra essa exigência eram forçados a aceitá-la, ou morriam. Um exemplo foi o papa Martinho I, que foi morto pelo imperador do Oriente, Constante II.
Agora, Justiniano II, imperador do Oriente, desejava impor a Roma e a todos os cristãos as normas disciplinares adotadas em um concílio composto somente de bispos orientais, efetuado em Constantinopla. Assim, ele mandou o respectivo decreto para aprovação do papa Sérgio I.
Entre outras coisas, o decreto terminava com o celibato sacerdotal. Sérgio negou-se, terminantemente, a aprovar tal decreto. Justiniano, então, enviou um alto dignitário, Zacarias, para prendê-lo e deportá-lo a Constantinopla, a exemplo de Martinho I. Porém, Zacarias foi recebido pelas milícias formadas pelo povo que tentava ajudar Sérgio. Eram milhares de pessoas revoltadas pelos desmandos do imperador que circundavam o palácio Lateranense, residência do papa.
Zacarias procurou fugir, porém foi pego pelas milícias. Sérgio foi em seu socorro, libertou-o e o perdoou. Mandou que retornasse ao seu imperador, ileso. Justiniano nada podia fazer para combater a popularidade desse papa. A vontade de Roma permaneceu, bem como o celibato em toda a Igreja Católica.
Apesar desses acontecimentos, o pontificado de Sérgio I foi marcado pela paz religiosa, numa época de muitas divergências teológicas a respeito da pessoa e da natureza de Cristo. Em seus 14 anos de pontificado, Sérgio I trabalhou para o enriquecimento da liturgia. Deve-se a ele o canto do "Agnus Dei" durante a missa.
Sérgio morreu aos 8 de setembro de 701 e foi sepultado na antiga Basílica de São Pedro.
São Sérgio I, rogai por nós!
São Tomás de Vilanova
Ainda na infância, Tomás de Vilanova já demonstrava ser uma pessoa
extremamente caridosa. Para compartilhar com os pobres as dores e
dificuldades de uma vida de necessidade e sofrimento, abriu mão de tudo o
que tinha. Tomás de Vilanova nasceu no ano de 1486, em Fuenllana, na
Espanha, e foi considerado uma das pessoas mais importantes e
representativas do seu século.Em 1516, ingressou na vida religiosa, junto aos agostinianos. Dois anos depois foi ordenado sacerdote e, logo em seguida, contra sua vontade, foi eleito superior, cargo que ocupou até 1544. O imperador Carlos V propôs, então, que se tornasse bispo da sede de Valência. Seu ingresso no bispado deu-se exatamente no dia 1o de janeiro de 1545. Baseou seu trabalho como pastor nos ensinamentos de Paulo e nos exemplos de grandes bispos da antiguidade cristã, entre eles Agostinho, Ambrósio e Gregório Magno.
Uma de suas maiores obras foi organizar várias formas de assistência. Entre elas, criou, no palácio episcopal, um orfanato para as criancinhas abandonadas, dando-lhes abrigo, cuidados e o carinho que tanto necessitavam. Acolhia de tal forma essas crianças que um dia chegou a ceder sua própria cama, pois não havia mais lugar para abrigá-las.
Tomas de Vilanova morreu no dia 8 de setembro de 1555. Só em 1658 foi incluído no álbum dos santos, pelo papa Alexandre VII.
São Tomás de Vilanova, rogai por nós!
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segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Santo do dia - 7 de setembro
Santa Regina
Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão, a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada no cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão.
A cada dia, tornava-se mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em seu quarto, em oração e penitência.
Entretanto, o real martírio de Regina começou muito cedo, e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denúncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas decidiu que iria averiguar bem o assunto.
Quando Olíbrio percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que tentou seduzi-la com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e foi decapitada.
O culto a santa Regina difundiu-se por todo o mundo cristão, sendo que suas relíquias foram várias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela, que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, isto é, Santa Rainha, na França.
Esta festa secular ocorre, tradicionalmente, em todo o mundo cristão, no dia 7 de setembro.
Santa Regina, rogai por nós!
Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão, a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada no cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão.
A cada dia, tornava-se mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em seu quarto, em oração e penitência.
Entretanto, o real martírio de Regina começou muito cedo, e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denúncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas decidiu que iria averiguar bem o assunto.
Quando Olíbrio percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que tentou seduzi-la com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e foi decapitada.
O culto a santa Regina difundiu-se por todo o mundo cristão, sendo que suas relíquias foram várias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela, que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, isto é, Santa Rainha, na França.
Esta festa secular ocorre, tradicionalmente, em todo o mundo cristão, no dia 7 de setembro.
Santa Regina, rogai por nós!
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domingo, 6 de setembro de 2015
O papa, o aborto e o Brasil - respeitamos Sua Santidade, Papa Francisco, mas, não podemos esquecer que seu gesto vai facilitar, em muito, a todos que defendem a liberação do aborto
Nota:
A Infalibilidade Papal : "Infalibilidade é o poder que o Papa tem de proclamar solenemente,
verdades de fé e moral, em nome da Igreja. O Papa não inventa um dogma,
ele declara solenemente como verdade de fé aquilo que a Igreja
(hierarquia e povo de Deus) já acredita, mas não tinha sido ainda
necessário definir"
É matéria extremamente complexa, mas nos parece que a Igreja (hierarquia e povo de Deus) já tem o abordo como um crime gravíssimo, um pecado que implica em excomunhão automática.
Além do aspecto doutrinário da Igreja Católica Apostólica Romana sobre sobre o caráter de crime e pecado extremamente grave - não podemos olvidar que a decisão de Sua Santidade, Papa Francisco, será usada - e, infelizmente, na maior parte das vezes com êxito - por todos os que defendem a legalização do aborto.
Nos parece algo que deve ser cuidadosamente esclarecido e quem sabe, modificado.
Fica difícil, mesmo impossível, aos que defendem o direito que seres humanos, inocentes e indefesos, tem de viver, exercer uma defesa eficaz e válida, se os adversários brandirão contra nós a decisão papal.
Deve se ter presente que os VALORES da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, os VALORES de DEUS, SÃO VALORES PERENES, ETERNOS, por isso não estão sujeitos a modificações por costumes modernizadores, nem conceitos politicamente corretos.
Que DEUS ilumine Sua Santidade o Papa Francisco!
Editores do Blog Catolicismo Brasil
Ao
mudar o discurso sobre a prática do aborto, o papa devolveu o assunto ao centro
das discussões. Francisco,
em carta pastoral divulgada para o Jubileu da
Misericórdia, surpreendeu o mundo com posição não só inédita, mas também
inimaginável. No
período de duração do evento - 13 de dezembro de 2015 a
20 de novembro de 2016 - os padres ficam autorizados a perdoar as
mulheres que interromperam a gravidez e as pessoas que as ajudaram no ato
extremo.
Vale lembrar que não se trata de qualquer remissão. O aborto está na restrita lista dos crimes que a Igreja considera mais graves. A excomunhão é automática. Só o pontífice ou um bispo pode devolver o condenado ao convívio da comunidade católica. Com a decisão, Sua Santidade mira com novos olhos realidade que não cabe mais debaixo do tapete. O mesmo ocorreu em relação aos homossexuais e ao acolhimento de homens e mulheres que refizeram a vida com novas núpcias.
Vale lembrar que não se trata de qualquer remissão. O aborto está na restrita lista dos crimes que a Igreja considera mais graves. A excomunhão é automática. Só o pontífice ou um bispo pode devolver o condenado ao convívio da comunidade católica. Com a decisão, Sua Santidade mira com novos olhos realidade que não cabe mais debaixo do tapete. O mesmo ocorreu em relação aos homossexuais e ao acolhimento de homens e mulheres que refizeram a vida com novas núpcias.
Ora, se uma das mais conservadoras instituições do mundo aceita rever princípios milenares, incentiva outros setores a lhe seguir o exemplo. É o caso do Brasil. Aqui, a criminalização do aborto se tornou problema de saúde pública. Estima-se que sejam realizados entre 750 mil e 1,5 milhão de procedimentos inseguros por ano - a maior parte sem as condições de higiene necessárias e o acompanhamento profissional adequado. Resultado: o risco de morrer aumenta em até 350 vezes.
Não se deve ao acaso ou à má sorte o fato de o aborto ser a quarta causa de mortes maternas no país. Se considerar hemorragias e infecções puerperais, ocupará posição de destaque em outros rankings. A cegueira ou a acomodação de manter a zona de conforto cobra preço alto da sociedade. Além da perda de vidas e da incapacitação para o trabalho, sobrecarrega-se o já precário equipamento hospitalar e se aumentam os encargos da combalida Previdência.
Acredita em Papai Noel ou Branca de Neve quem supõe que a lei é capaz de impedir a interrupção da gravidez. Ou que o medo da excomunhão sirva de freio. Os números comprovam que quem quer encontra meios de atingir o objetivo. A mudança do Código Penal, de 1940, é exigência da contemporaneidade. A própria Igreja reconhece a necessidade de ler o tempo com olhos da contemporaneidade.
Não se trata de apologia ao aborto. Trata-se, isso sim, de sintonia com a realidade. A legalização, ao abrir as portas da rede pública de saúde para os necessários procedimentos médicos, acaba com o próspero mercado que rouba vidas ou inutiliza para o trabalho. É, repita-se, questão de saúde pública. Passou da hora de fazer de conta que tudo está bem como está. Não está.
Fonte: Correio
Braziliense - Editorial
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