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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Quem foi a Santa do Coração de Jesus?

Saiba quem foi Santa Margarida Alacoque e quais foram as doze grandes promessas que Jesus revelou a ela

Santa Margarida nasceu em 22 de julho de 1647 na Borgonha, França. Seu pai era juiz e notário real, homem de pequenas posses. Quando tinha 8 anos de idade, seu pai faleceu, e a família a enviou para a escola das Clarissas de Charolles. Ali, ela adquiriu uma estranha doença que a deixou tão fraca que sua mãe a levou de volta para casa. “Passei quatro anos sem poder caminhar”, disse ela depois. Vendo que nada a curava, ela voltou-se para Nossa Senhora e fez-lhe o voto de castidade e de entrar para a vida religiosa, se ficasse curada. Foi atendida com rapidez.


Quando Margarida tinha quatro anos de idade, já rezava assim: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”. Ela disse nas suas memórias que nem sabia o que isso significava. Na verdade Jesus já a preparava para uma grande missão; são essas almas escolhidas por Deus, para através delas socorrer a humanidade.

Por meio desta Santa, e da mensagem da qual ela foi portadora, Jesus quis mostrar à humanidade, de um modo extraordinário, a intensidade do amor que o Sagrado Coração de Jesus tem por cada um de nós.

Era a época de uma triste heresia que crescia na Igreja, o jansenismo, de um Bispo herege Jansen, de Ypres. Por esta heresia entrou na Igreja uma religiosidade falsa, um medo de Deus castigador que pune a todos, uma piedade triste que proibia a Comunhão frequente, etc…

Quando Santa Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar. E ela se deixou levar por isso, e começou a tomar parte nos programas de sua idade, e já pensava mesmo em se casar, pois já tinha vários pretendentes. Mas na sua alma começou a travar-se uma demorada batalha. De um lado achava que era um dever de piedade se casar para amparar sua mãe enferma. Mas a voz da graça recordava-lhe o voto de castidade que tinha feito a Nossa Senhora na infância, e de se consagrar-se como esposa de Cristo.

A tentação às vezes lhe dizia: “Você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre!”. Isto durou alguns anos. Mas, ajudada de modo especial pelo Senhor, a vocação religiosa venceu; e em 1671, ela entrou como postulante no Mosteiro da Visitação, de Paray-le-Monial.

Como vimos, desde a infância, Margarida fora beneficiada por experiências místicas. As mais importantes, porém, ocorreram no convento, a partir de 27 de dezembro de 1673, quando passou a receber uma série de revelações do Sagrado Coração de Jesus, o qual a incumbia de ser a encarregada de divulgar essa devoção em todo o mundo.
Leia também: Qual a origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?
As revelações do Coração de Jesus encorajam o pecador à confiança
12 Ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque

Na festividade de São João Evangelista de 1673, aos vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do SS. Sacramento, teve a primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e, apontado com o dedo seu Coração, exclamou: “Eis aquele Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles.”

As três superioras que se sucederam no convento de Paray-le-Monial convenceram-se da santidade de Margarida e da autenticidade das revelações que recebia. Mas ela sofreu grande oposição dentro do Convento. A tratavam como uma visionária falsa. Mas Jesus a socorreu com uma ajuda fundamental, o seu diretor espiritual, São Cláudio de la Colombière, sacerdote jesuíta que foi durante certo tempo confessor das freiras e testemunhou serem reais as visões da Santa. Ele se incumbiu de propagar a devoção que Jesus revelava a Santa.

São Cláudio foi enviado à Inglaterra, como confessor da duquesa de York, esposa do futuro rei Jaime II, e ali pregou pela primeira vez a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, obtendo várias conversões entre as damas da nobreza. Mas ali sofreu uma perseguição por causa de um ataque anticatólico, e acabou sendo preso um tempo. De volta à França, doente, poucas vezes pôde encontrar-se com Santa Margarida, morrendo muito cedo. Mas Margarida continuou sua missão divina. Com fé, perseverança, docilidade, obediência e caridade, foi vencendo as dificuldades e conseguiu cumprir sua missão, começando por introduzir em 1686, no seu Convento, a festa do Sagrado Coração de Jesus, que se espalhou com rapidez por outros mosteiros da Visitação, e para fora da sua Congregação. No último período de sua vida, nomeada mestra das noviças, ela teve a consolação de ver propagar-se a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e os próprios opositores de outrora mudarem-se em fervorosos propagadores.

Depois de uma vida de muito sofrimento, e verdadeira oblação a Jesus Sacramentado, consumindo-se por Seu amor, sem cessar no amor ao Sagrado Coração de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada por Bento XV em 1920. Seu corpo está colocado sob o altar da capela do Convento onde viveu, onde os peregrinos vão rezar.

Jesus fez a ela DOZE GRANDES PROMESSAS, mostrando-lhe o Seu Sagrado Coração, para quem fizer as Nove Comunhões Reparadoras pelas ofensas que Seu Sagrado Coração recebe dos homens, nas nove primeiras sextas feiras seguidas de cada mês:
adesivo_sagrado_jesus1. Dar-lhes-ei todas as graças necessárias a seu estado de vida.
2. Conservarei paz em suas famílias.
3. Eu os consolarei em todas as suas aflições.
4. Serei seu refúgio seguro durante a vida e especialmente na hora da morte.
5. Derramarei abundantes bênçãos sobre todos os seus empreendimentos.
6. Os pecadores acharão em meu Coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia.
7. As almas tíbias se tornarão fervorosas.
8. As almas fervorosas se elevarão com rapidez a uma grande perfeição.
9. Abençoarei as casas nas quais a imagem de meu Sagrado Coração for exposta e venerada.
10. Darei aos sacerdotes a capacidade de tocar os corações mais endurecidos.
11. As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes eternamente inscritos em meu Coração.
12. A todos aqueles que fizerem a Comunhão reparadora na primeira sexta-feira, durante nove meses seguidos, concederei a graça da perseverança final e salvação eterna. Meu Divino Coração será seu refúgio seguro nessa hora extrema.


Prof. Felipe Aquino


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Santo do dia -15 de outubro

Santa Teresa de Ávila

Carmelita e Doutora da Igreja (1515-1582)
Conseguiu fundar mais de trinta e dois mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz 

Teresa de Cepeda y Ahumada, nascida em uma nobre família de Ávila, na Castela Velha, começou cedo a dar prova de temperamento vivaz, fugindo de casa aos 7 anos para buscar o martírio entre os mouros da África, por amor de Cristo. Mas, aos 16 anos, começou a se embelezar por amor a um simples mortal. E o pai, por um compreensível ciúme e para protegê-la, confiou-a a um convento de freiras.

Aos 20 anos, contrariando os planos paternos, decidiu ser freira. Houve poucos anos de vida regular, pois ela também cedeu a certa moda. As vozes interiores não lhe deram tréguas e ela sentiu um desejo sempre mais insistente de retornar ao primitivo rigor dos carmelitas, sendo objeto de extraordinárias experiências místicas, traduzidas depois, por obediência, em vários tratados de oração mental, citados entre os clássicos da literatura espanhola.

Aos 40 anos, ocorre a primeira grande virada na vida desta imprevisível santa de ideias generosas. Depois das aflições interiores, dos escrúpulos e daquilo que, na mística, é chamado de “noite dos sentidos” — ou trevas interiores, a prova mais dura que uma alma deve superar —, dá-se o encontro iluminador com dois santos, Francisco de Borja e Pedro de Alcântara. Estes a repõem no bom caminho, na via da total confiança em Deus.

Em 1562, ela funda, em Ávila, o convento reformado sob o patrocínio de são José. Cinco anos depois, um outro decisivo encontro: João da Cruz, o príncipe da Teologia Mística. Os dois foram feitos para se entenderem. Inicia, assim, aquele singular conúbio, em meio a ardentíssimos arrebatamentos místicos e ocupações práticas do dia a dia, que fazem dela a 'santa do bom senso', uma contemplativa imersa na realidade.

Ela possui a chave para entrar no Castelo interior da alma, “cuja porta de ingresso é a oração”, mas ao mesmo tempo sabe tratar egregiamente de matérias econômicas. “Teresa”, diz ela argutamente, “sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma força; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “freira viajante”) para erigir novos conventos reformados e revela-se uma hábil organizadora.

Escreve a história da própria vida, um livro de confissões extraordinariamente sinceras: “Como me mandaram escrever o meu modo de fazer oração e as graças que o Senhor me fez, eu queria que me tivessem concedido o poder de contar minuciosamente, e com clareza, os meus grandes pecados”. Morre pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Em 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja.


 Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!


segunda-feira, 14 de outubro de 2019


Santa Margarida Maria Alacoque
Provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas

Religiosa (1647-1690)

Quinta de um total de sete filhas de um tabelião da Borgonha, Margarida, ao ficar órfã de pai aos 12 anos, para poder seguir a vocação à vida religiosa, teve de vencer a oposição da mãe, que a queria casada com um honrado rapaz.

Aos 24 anos, foi acolhida no Mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial. Na festividade de são João Evangelista de 1673, a noviça Margarida Maria, recolhida em adoração diante do Santíssimo Sacramento, teve a primeira das visões particulares de Jesus, que se iriam repetir depois na primeira sexta-feira de cada mês.

Dois anos depois, Jesus manifestou-se a ela com o peito dilacerado, e, apontando com a mão o coração rodeado de luz, disse-lhe: “Eis o Coração que tanto amou os homens, não poupando nada, até exaurir-se para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidão”.

Confira também: Consagração ao Sagrado Coração de Jesus 

As extraordinárias visões trouxeram à irmã Margarida Maria sofrimentos e incompreensões. Jesus mesmo lhe indicou, então, o diretor espiritual na pessoa do santo sacerdote jesuíta Cláudio de la Colombière, que acolheu o pedido de Jesus para se empenhar pela instituição da Festa do Sagrado Coração.

Este culto, a despeito da feroz oposição dos círculos jansenistas, difundiu-se logo por toda a Igreja. Irmã Margarida Maria extinguiu-se docemente aos 43 anos apenas. Foi canonizada em 1920.





Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!
 

Santa Edwiges

Religiosa (1174-1243)

Nobre, Edwiges nasceu em 1174, na Bavária, Alemanha. Ainda criança, já mostrava mais apego às coisas espirituais do que às materiais, apesar de dispor de tudo o que quisesse comprar ou possuir. Em vez de divertir-se em festas da Corte, preferia manter-se recolhida para rezar.

Aos 12 anos, como era convencionado nas casas reais, foi dada em casamento a Henrique I, duque da Silésia e da Polônia. Ela obedeceu aos pais e teve com o marido sete filhos. Quando completou 20 anos, e ele 34, sentiu o chamado definitivo ao seguimento de Jesus. Conversou com o marido e decidiram manter, dentro do casamento, o voto de abstinência sexual.

Edwiges entregou-se, então, à piedade e caridade. Guardava uma pequena parte de seus ganhos para si e o resto empregava em auxílio ao próximo. Quando descobriu que muitas pessoas eram presas porque não tinham como saldar suas dívidas, passou a ir pessoalmente aos presídios para libertar tais encarcerados, pagando-lhes as dívidas com seu próprio dinheiro. Depois, ela também lhes conseguia um emprego, de modo que pudessem manter-se com dignidade.

Construiu o Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, ajudou a restaurar os outros e mandou erguer inúmeras igrejas. Desse modo, organizou uma grande rede de obras de caridade e assistência aos pobres. Além disso, visitava os hospitais constantemente, para, pessoalmente, cuidar e limpar as feridas dos mais contaminados e leprosos. Mas Edwiges tinha um especial carinho pelas viúvas e órfãos.

Veio, então, um período de sucessivas desventuras familiares. Num curto espaço de tempo, assistiu à morte, um a um, dos seus seis filhos, ficando viva apenas a filha Gertrudes. Em seguida, foi a vez do marido. Henrique I fora preso pelos inimigos num combate de guerra e, mesmo depois de libertado, acabou morrendo, vitimado por uma doença contraída na prisão.

Viúva, apesar da dura provação, Edwiges continuou a viver na virtude. Retirou-se e ingressou no convento que ela própria construíra, do qual a filha Gertrudes se tornara abadessa. Fez os votos de castidade e pobreza, a ponto de andar descalça sobre a neve quando atendia suas obras de caridade. Foi nessa época que recebeu o dom da cura, e operou muitos milagres, em cegos e outros enfermos, com o toque da mão e o sinal da cruz.

Com fama de santidade, Edwiges morreu no dia 15 de outubro de 1243, no Mosteiro de Trebnitz, Polônia. Logo passou a ser cultuada como santa, e o local de sua sepultura tornou-se centro de peregrinação para os fiéis cristãos. Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A Igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica. O culto a santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados, é muito expressivo ainda hoje em todo o mundo católico e um dos mais difundidos do Brasil.


Santa Edwiges, rogai por nós!



São Geraldo Majela
Redentorista (1725-1755)

Filho da modesta e pobre família do alfaiate Majela, Geraldo nasceu no dia 6 de abril de 1725, numa pequena cidade chamada Muro Lucano, no sul da Itália. De constituição física muito frágil, cresceu sempre adoentado, aprendendo o ofício com seu querido pai.

Aos 14 anos de idade ficou órfão de pai e, com a aprovação da mãe, Benedita, quis tornar-se um frade capuchinho. Mas foi recusado por ter pouca resistência física. Entretanto o jovem Geraldo Majela não era de desistir das coisas facilmente. Arrimo de família, foi trabalhar numa alfaiataria da cidade. Mais tarde, colocou-se a serviço do bispo de Lacedônia, conhecido pelos modos rudes e severos, suportando aquele serviço por vários anos, até a morte do bispo.

A forte vocação religiosa sempre teve de ser sufocada, porque não o aceitavam. Com 19 anos de idade, voltou para Muro Lucano, onde montou uma alfaiataria. Recebia um bom dinheiro. Dava tudo de necessário para sua mãe e suas irmãs, com o restante ajudava os pobres. Na cidade, todos sabiam que Geraldo dava o dote necessário às moças pobres que desejavam ingressar na vida religiosa e, se preciso, conseguia a vaga de noviça.

Só em 1749, quando uma missão de padres redentoristas esteve em Muro Lucano, Geraldo conseguiu ingressar na vida religiosa. Tanto importunou o superior, padre Cafaro, que este acabou cedendo, enviando-o para o convento de Deliceto, em Foggia.

Enquanto era postulante, passou por muitas tentações e aflições, mas resistiu e venceu todos os obstáculos. Professou os primeiros votos, aos 26 anos de idade, naquele convento. Surpreendeu a todos com seu excelente trabalho de apostolado, simples, humilde, obediente, de oração e penitência. Chegou a ser encarregado das obras da nova Casa de Caposele; depois, como escultor, começou a fazer crucifixos. Possuindo os dons da cura e do conselho, converteu inúmeras pessoas, sendo muito querido no convento e na cidade.

Mas, mesmo assim, viu-se envolvido num escândalo provocado por uma jovem que ele ajudara. Foi em 1754, quando Néria Caggiano, não se adaptando à vida religiosa, voltou para casa. Para explicar sua atitude, espalhou mentiras e calúnias. Para isso, escreveu uma carta ao superior, na época o próprio fundador, santo Afonso, acusando Geraldo de pecados de impureza com uma outra jovem.

Chamado para defender-se, Geraldo preferiu manter o silêncio. O castigo foi ficar sem receber a santa comunhão e sem ter contato com outras pessoas de fora do convento. Ele sofreu muito. Somente depois que a calúnia foi desmentida pela própria Néria, em uma outra carta, é que Geraldo pôde voltar a receber a Eucaristia e a trabalhar com o afinco de sempre na defesa da fé e na assistência aos pobres. O povo só o chamava de "pai dos pobres".

Mas a fama de sua santidade, curiosamente, vinha das jovens mães. É que as socorridas por ele durante as aflições do parto contavam, depois, que só tinham conseguido sobreviver graças às orações que ele rezava junto delas, tendo o filho nascido sadio.

De saúde sempre frágil, Geraldo Majela morreu no dia 16 de outubro de 1755, no Convento de Caposele, com 29 anos de idade. Após a sua morte, começaram a ser relatados milagres atribuídos à sua intercessão, especialmente em partos difíceis. Em 1893, ele foi beatificado, sendo declarado o padroeiro dos partos felizes. Em 1904, o papa Pio X canonizou-o, estabelecendo sua festa litúrgica no aniversário de sua morte.


São Geraldo Majela, rogai por nós!

Santo do dia - 14 de outubro

São Calisto I


Papa (+222)

Até o seu martírio defendeu a Misericórdia de Deus, que se expressa pela Igreja, que perdoa os pecados dos que cumprem as condições de penitência 

Romano de Trastevere (está sepultado na igreja de Santa Maria, em Trastevere, e não nas catacumbas que levam seu nome), filho de escravos, Calisto não teve vida fácil.

O cristão Carpóforo, da família do imperador Cômodo, havia-lhe confiado a administração dos bens da comunidade cristã. Não foi um hábil administrador e, descoberto um grande desfalque, Calisto fugiu.


Capturado em Óstia, a ponto de zarpar, foi condenado a girar a roda de um moinho. Carpóforo mostrou-se generoso, condenando-o a pagar o débito; mas a justiça seguiu seu curso. Foi condenado à flagelação, depois deportado para as minas da Sardenha.

Libertado, o papa Vítor ocupou-se pessoalmente dele — sinal de que Calisto desfrutava certa fama, furto à parte. Para desviá-lo da tentação, fixou-lhe um ordenado. O sucessor Zeferino foi igualmente generoso: ordenou-o diácono e confiou-lhe a guarda do cemitério cristão na via Ápia Antiga (as célebres catacumbas conhecidas em todo o mundo com seu nome).

Numa área de 120 mil metros quadrados, com quatro pavimentos sobrepostos e 20 quilômetros de corredores, estão guardados os corpos de numerosos cristãos, de santa Cecília a são Fabiano.


Quando, em 217, o diácono Calisto foi eleito papa, explodiu a primeira rebelião aberta de um grupo de cristãos “rigoristas”, por causa não só das precedentes e bem notórias desventuras de Calisto, mas sobretudo em virtude de sua atitude conciliadora para com os pecadores arrependidos — ou melhor, para com aqueles cristãos pouco dispostos ao martírio, que se tinham munido do libellum de fidelidade aos deuses de Roma, e que, uma vez passada a tempestade, pediam para voltar ao redil.

Entre os rigoristas hostis ao novo papa, destacavam-se Tertuliano, Novaciano e o sanguinário Hipólito que, com seus Philosophumena, atacou violentamente Calisto, fazendo-se, depois, consagrar bispo; posteriormente um grupo de padres romanos dissidentes elegeram-no papa.

Foi o primeiro antipapa da história e é, caso único, também santo, graças a seu arrependimento e ao martírio sofrido em 235 na Sardenha. Também Calisto parece ter sofrido o martírio, não pela mão do imperador romano, mas durante uma convulsão em Todi. Os cristãos, não conseguindo chegar até as catacumbas da Ápia Antiga, sepultaram-no na via Aurélia; desta, Gregório III o transferiu para a basílica de Santa Maria, em Trastevere.


São Calisto I, rogai por nós!

domingo, 13 de outubro de 2019

Irmã Dulce é proclamada a primeira santa nascida no Brasil

Em sermão, papa ressaltou ações de caridade dos canonizados: 'Um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo'


O papa Francisco proclamou neste domingo, 13, a religiosa Irmã Dulce (1914-1962) como a primeira santa nascida no Brasil, durante uma cerimônia realizada no Vaticano. “Sua dedicação aos pobres tinha uma raiz sobrenatural e do alto recebia forças e recursos para realizar um maravilhoso serviço”, ressaltou o Vaticano sobre a freira baiana, agora chamada de Santa Dulce dos Pobres.

Na cerimônia no Vaticano também subiram aos altares outros quatro santos: o cardeal britânico John Henry Newman (1801-1880), a religiosa italiana Giuseppina Vannini (1859-1911), a indiana Maria Teresa Chiramel (1876-1926) e a suíça Marguerite Bays (1815-1879). Irmã Dulce, porém, é a mais jovem do grupo — os demais morreram no século XIX ou nas primeiras três décadas do século XX.  “Agradecemos ao Senhor pelos novos santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores. Três deles são freiras e mostram-nos que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo”, disse o papa Francisco no sermão de canonização.
 
Cerimônia de canonização da brasileira Irmã Dulce, juntamente com o cardeal inglês John Henry Newman, a religiosa italiana Giuseppina Vannini, a indiana Maria Teresa Chiramel e a suíça Marguerite Bays (Alberto Pizzoli/AFP)
O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, participou da cerimônia. Também estavam presentes os presidentes do Senado e da Câmara Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia; o governador da Bahia, Rui Costa, e o prefeito de Salvador, ACM Neto. Entre as autoridades mundiais que acompanharam a missa estava também o príncipe Charles, da Inglaterra, prestigiando a canonização do cardeal inglês John Henry Newmann. 

Papa Francisco e o príncipe Charles, no Vaticano, após cerimônia de canonização de cinco novos santos: entre eles o inglês John Henry Newman e a brasileira Irmã Dulce (Vaticano/AFP)

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, era conhecida pela dedicação aos pobres e aos mais necessitados. A canonização ocorre nove anos após o colegiado de cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos, da Cúria Romana, atestar o primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce descrito no processo de beatificação da religiosa iniciado pela Arquidiocese de São Salvador da Bahia. A decisão do colegiado é baseada em avaliação de peritos de saber científico (como médicos) e teólogos.

O milagre que levou à beatificação foi a intercessão da freira, a pedido de orações de um padre, para salvar a vida de uma mulher que deu à luz a um menino e estava desenganada por causa de uma hemorragia depois do parto, que os médicos não conseguiam conter. O caso ocorreu nove anos após a morte de Irmã Dulce (2001), em uma cidade do interior de Sergipe.

Para a canonização, a Constituição Apostólica exige a comprovação de um segundo milagre e semelhante ritual processual e comprobatório. A segunda graça, conforme publicado pela Arquidiocese de Salvador, foi a recuperação da visão do músico e maestro José Maurício Bragança Moreira, após 14 anos sem enxergar por causa do glaucoma.  Filha de um dentista e de uma dona de casa que morreu quando ela tinha sete anos, descobriu sua vocação ainda adolescente, quando atendia mendigos e doentes na porta da casa da família. Aos 19 anos se tornou freira e adotou o nome de “Dulce”, em homenagem à mãe. Começou atuando nos bairros mais pobres de Salvador e chegou a invadir propriedades desocupadas para abrigar doentes que pediam sua ajuda.

Em nome dos pobres e dos doentes, a mulher de 1,48 metro era gigante. Criou um dos maiores complexos de saúde do Brasil, o Hospital Santo Antônio, em Salvador, que hoje faz 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, gratuitamente. Ela atraía atenção, carinho e dinheiro de políticos e empresários como Antonio Carlos Magalhães e Norberto Odebrecht. Nascida numa família de classe média (filha de dentista e professor), tinha uma afeição espantosa pelos miseráveis. Certa vez, foi alimentar um morador de rua. Na primeira colherada, ele cuspiu a comida na cara da religiosa. Dulce reagiu: “A primeira colher era para mim mesmo, agora coma você”. Invadiu casas para abrigar gente que morava nas ruas. Foi afastada de sua congregação, a das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em razão de suas atividades, que não seguiam regras tradicionais.

A primeira missa em honra à Santa Dulce dos Pobres ocorrerá em Roma na igreja San’t Andrea della Valle, segunda-feira(14), 24 horas depois da canonização. No dia 20 de outubro, domingo, em Salvador, haverá a celebração pela canonização da Santa. Será no estádio de futebol Arena Fonte Nova, com abertura dos portões ao meio-dia. Os ingressos gratuitos estão à disposição nas diversas paróquias da Arquidiocese de Salvador e começaram a ser distribuídos no início deste mês.

Com agências EFE e France-Presse
 

Evangelho do Dia

Evangelho Cotidiano 

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68

28º Domingo do Tempo Comum

Anúncio do Evangelho (Lc 17, 11 -19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
 
Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”
Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”.

Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
 
 

Santo do dia - 13 de outubro

São Daniel e companheiros

Missionários franciscanos mártires (+1227)

Os esclarecimentos que se tem sobre o ocorrido com estes missionários franciscanos são baseados em duas cartas encontradas nas suas residências. Os estudiosos consideraram também autêntica a carta de um certo Mariano de Gênova, que escrevera ao irmão Elias de Cortona, comunicando o destino glorioso dos missionários. Esse documento teria sido escrito poucos dias após os acontecimentos, e faz parte dos arquivos da Igreja.

O irmão Elias de Cortona era o superior da Ordem, em 1227, quando os sete franciscanos viajaram da Itália para a Espanha, desejosos de transferirem-se para o Marrocos, na África, onde pretendiam converter os muçulmanos. Era um período de grande entusiasmo missionário nas jovens ordens franciscanas, fortalecidas pela memória de são Francisco, que morrera no ano anterior.

O chefe do grupo era Daniel, nascido em Belvedere, na Calábria, que também ocupava o cargo de ministro provincial da Ordem naquela região; os outros se chamavam Samuel, Ângelo, Donulo, Leão, Nicolas e Hugolino. Após uma breve permanência na Espanha, transferiram-se para a cidade de Ceuta, no Marrocos.

Era um ato verdadeiramente corajoso, porque as autoridades marroquinas haviam proibido qualquer forma de propaganda da fé cristã. No início, e por pouco tempo, trabalharam nos inúmeros mercados de Pisa, Gênova e Marsiglia, enquanto residiam em Ceuta. Depois, nos primeiros dias de outubro de 1227, decidiram iniciar as pregações entre os infiéis.

Nas estradas de Ceuta, falando em latim e em italiano, pois não conheciam o idioma local, anunciaram Cristo, contestando com palavras rudes a religião de Maomé. As autoridades mandaram que fossem capturados. Levados à presença do sultão, foram classificados como loucos, devendo permanecer na prisão.

Depois de sete dias, todos eles voltaram à presença do sultão, que se esforçou de todas as maneiras para que negassem a religião cristã. Mas não conseguiu. Então, condenou à morte os sete franciscanos, que se mantiveram firmes no cristianismo. No dia 10 de outubro, foram decapitados em praça pública e seus corpos, destroçados.

Todavia, os comerciantes cristãos ocidentais recuperaram os pobres restos, que sepultaram nos cemitérios dos subúrbios de Ceuta. Em seguida, os ossos foram transferidos para a Espanha. Hoje, as relíquias são conservadas em diversas igrejas de várias cidades da Espanha, de Portugal e da Itália.

O papa Leão X, em 1516, canonizou como santos Daniel e cada um dos seis companheiros, autorizando o culto para o dia 13 de outubro.


São Daniel e companheiros, rogai por nós! 


Santo Eduardo, o Confessor

Rei da Inglaterra (1003-1066)

O “bom rei Eduardo”, como o chamavam seus súditos, deixou uma bela recordação de si, tanto por haver abolido algumas leis injustas, quanto por seu temperamento suave e generoso. Instaurou um período de paz e prosperidade na Inglaterra, depois de longas contendas entre o partido normando e o anglo-saxão.

Por amor à paz, desposou a culta Edite Golwin, filha de seu mais irredutível adversário, o astuto barão Golwin. Este ficou convencido de haver realizado seu sonho de governar o país: receberia carta branca do piedoso monarca, que deixaria em suas mãos a administração de todo o Estado, a fim de cultivar sem preocupação seu hobby, a caça, e dedicar-se à oração e à ascese cristã.

O jovem rei desfrutava a fama de santidade e era já chamado de “confessor” — talvez para distingui-lo do avô, "Eduardo, o mártir", assassinado por ordem de sua madrasta.

Mas o barão havia feito um cálculo errado, pois o jovem rei Eduardo, ao perceber as intenções do sogro, exilou-o do reino e encerrou Edite em um convento. Mas por pouco tempo: apaixonado pela mulher, chamou-a para junto de si. Segundo os biógrafos do santo, ambos fizeram voto de virgindade de comum acordo. Não faltavam ilustres exemplos também na história das casas reinantes da Europa.

Filho do rei Etelredo II, o Irresoluto, Eduardo tinha vivido no exílio junto com os parentes maternos, de 1014 a 1041, na Normandia. Então fez voto de realizar uma peregrinação a Roma se obtivesse a graça de poder voltar à pátria. Quando, por fim, pôs os pés na Inglaterra e tomou posse do trono, quis cumprir seu voto, mas foi dispensado pelo papa.

Em troca, depois de haver socorrido os mais pobres do reino com o dinheiro da viagem, restaurou a abadia de Westminster, na qual foi depois sepultado.

Morreu em 5 de janeiro, e seu corpo, encontrado ainda intacto depois de 50 anos, foi trasladado solenemente para a igreja abacial em 13 de outubro de 1162, ano seguinte ao de sua canonização.




Santo Eduardo, o Confessor, rogai por nós!

Beata Alexandrina Maria da Costa

Beata Alexandrina teve experiências místicas cada vez mais fortes, e alimentou-se unicamente da Eucaristia

Alexandrina Maria nasceu em Balasar (Portugal) no dia 30 de março de 1904, aos 14 anos não hesitou em jogar-se pela janela para fugir de três homens que ameaçavam a sua pureza. As consequências foram terríveis, mas não imediatas; depois de alguns anos, ela foi obrigada a ficar em cama por causa de uma paralisia que foi agravando-se durante os trinta anos que lhe restou de vida. Ela não se desesperou e abandonou-se nas mãos de Jesus com essas palavras: “Jesus, Tu és prisioneiro no tabernáculo como eu sou na minha cama, assim fazemos companhia um ao outro”.

Em seguida começou a ter experiências místicas cada vez mais fortes que começavam numa sexta-feira, 3 de outubro de 1938 e terminavam no dia 24 de março de 1942. Experimentou 182 vezes, todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão e desde 1942 até o dia da sua morte, Alexandrina alimentou-se unicamente da Eucaristia por mais de treze anos.

Depois dos dez longos anos de paralisia que ela havia oferecido para a reparação Eucarística e para a conversão dos pecadores, no dia 30 de julho de 1935 Jesus apareceu-lhe e lhe disse: “Eu te coloquei no mundo para que vivas somente de Mim, para testemunhar ao mundo o valor da Eucaristia (…) A cadeia mais forte que acorrenta as almas a Satanás é a carne, é a impureza. Nunca se viu antes uma expansão de vícios, de maldades e crimes como hoje! Nunca se pecou tanto (…) A Eucaristia, o meu Corpo e o Meu Sangue! A Eucaristia: eis a salvação do mundo”.

Também a Virgem Maria apareceu-lhe no dia 2 de setembro de 1949 com um terço na mão, dizendo: “O mundo agoniza e morre no pecado. Quero oração, quero penitência. Protege com o meu terço aos que amas e a todo o mundo”. No dia 13 de outubro de 1955, aniversário da última aparição de Nossa Senhora de Fátima, Alexandrina exclamou: “Sou feliz porque vou ao Céu”. Às 19:30 h desse mesmo dia expirou.

Conhecida como a “Santinha de Balasar”, Alexandrina foi beatificada pelo Papa João Paulo II, a 25 de Abril de 2004. A cura milagrosa de uma devota emigrada na França serviu para concluir o seu processo de Beatificação. Balasar, atualmente, é o segundo local de maior peregrinação em Portugal (o primeiro local é Fátima).

Beata Alexandrina Maria da Costa, rogai por nós!


sábado, 12 de outubro de 2019

Igreja Católica quer recuperar rebanho perdido com recorde de canonizações

Neste domingo, 13, a freira baiana irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil — processo foi o terceiro mais rápido da história

Nota dos responsáveis pelo Blog Catolicismo Brasil: ' lembramos que ser católico não é um favor feito à Igreja Católica;

Ao contrário, é uma oportunidade que DEUS nos concede para a nossa Salvação eterna.'

“Beatíssimo Pai, a Santa Mãe Igreja pede a Vossa Santidade que inscreva a beata Dulce Pontes no Catálogo dos Santos e como tal seja venerada por todos os fiéis cristãos.” Com essa frase, dita em latim, o cardeal italiano Angelo Becciu, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, inaugurará, no Vaticano, às 10h15 (hora de Roma) do domingo 13, um momento histórico para o catolicismo brasileiro. Em seguida, o papa Francisco dará rápida anuência, oficializando a canonização da baiana Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes (1914-1992), a irmã Dulce, a primeira santa nascida no Brasil. Uma relíquia será levada ao altar — fragmentos do osso da costela da freira, cuidadosamente guardados num tubo transparente, colado numa pedra ametista em formato de coração. A missa, então, celebrará o nascimento de Santa Dulce dos Pobres, o epíteto pelo qual será conhecida. A consagração do “anjo bom da Bahia” terá sido a terceira mais rápida da história, apenas 27 anos depois de sua morte — perde para a santificação de Madre Tereza de Calcutá (dezenove anos após o falecimento da religiosa albanesa) e de João Paulo II (nove anos). A título de comparação, o processo do jesuíta espanhol José de Anchieta, o “apóstolo do Brasil”, vagou mais de 400 anos pelas gavetas da burocracia romana.

Para Francisco, a canonização de domingo, de irmã Dulce e outras quatro pessoas, é um gesto de coerência de seu pontificado, o da celebração da Igreja que se aproxima dos desvalidos — tanto a brasileira quanto a freira italiana Giuseppina Vannini, a indiana Mariam Thresia, a suíça Marguerite Bays e o inglês John Henry Newman, sacerdote anglicano convertido ao catolicismo no fim do século XIX, ostentaram em vida o permanente contato com as vozes humildes. Levá-los aos céus, para a veneração em terra, é uma tentativa de recuperação do rebanho perdido para o avanço das denominações evangélicas. Diz o sociólogo Francisco Borba, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC de São Paulo: “Desde o Concílio Vaticano II, nos anos 60, há um esforço da Igreja de mostrar a ideia de que todos podem ser santos”. Francisco leva essa ideia, que alguns consideram populista, ao apogeu.
Não por acaso, o papa argentino é o que mais fez santos (veja o quadro) — são 898 em apenas seis anos de pontificado, incluindo uma canonização coletiva de 813 pessoas no terceiro mês de seu mandato. No documento Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai), de 2018, ele decretou: “Ser pobre no coração — isto é santidade”. Para Geraldo Hackmann, professor de teologia da PUC do Rio Grande do Sul, “do ponto de vista prático, a canonização fortalece a Igreja Católica, aproximando os fiéis”. Outra maneira de fortalecimento proposta por Francisco é a que está em discussão no Sínodo para a Amazônia, que se realiza em Roma até a próxima semana: a ordenação de homens casados, atalho para expandir o alcance da fé católica nos grotões.
DEVOÇÃO – O túmulo da freira, em Salvador: o número de visitantes saltou de 3 000 para 15 000 neste ano (PEDRO SILVEIRA/.)
No Brasil, o recente movimento de migração religiosa, de encolhimento do catolicismo, foi acachapante. Nas periferias, sobretudo, os líderes pentecostais se aproveitaram da ausência do Estado e da Igreja Católica para atuar como guias espirituais e promotores do assistencialismo. O Brasil ainda é a maior nação católica do mundo, com 123 milhões de seguidores, mas, mantida a tendência atual, em no máximo trinta anos católicos e evangélicos poderão estar empatados em tamanho na população. Em 1970, 92% dos brasileiros eram católicos — hoje, são 64%. Quem mais cresce são os evangélicos, que, em quase cinquenta anos, saltaram de 5% da população para 22%. “O impacto dessa mudança é grande para a Igreja Católica”, diz José Eustáquio Diniz, demógrafo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. “A Rússia teve revolução e permaneceu ortodoxa. Os Estados Unidos, mesmo com a Guerra Civil, se mantiveram protestantes. Entre os países grandes, mudanças desse tipo só ocorreram em consequência de guerras e revoluções. No Brasil, a revolução é silenciosa.” Santa Dulce dos Pobres pode vir a ser o ímã de recuperação católica, e sua inspiradora trajetória tem força inigualável, capaz de reunir, num só personagem, humildade e perseverança, delicadeza e aspereza.

Em nome dos pobres e dos doentes, a mulher de 1,48 metro era gigante. Criou um dos maiores complexos de saúde do Brasil, o Hospital Santo Antônio, em Salvador, que hoje faz 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, gratuitamente. Ela atraía atenção, carinho e dinheiro de políticos e empresários como Antonio Carlos Magalhães e Norberto Odebrecht. Nascida numa família de classe média (filha de dentista e professor), tinha uma afeição espantosa pelos miseráveis. Certa vez, foi alimentar um morador de rua. Na primeira colherada, ele cuspiu a comida na cara da religiosa. Dulce reagiu: “A primeira colher era para mim mesmo, agora coma você”. Invadiu casas para abrigar gente que morava nas ruas. Foi afastada de sua congregação, a das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em razão de suas atividades, que não seguiam regras tradicionais.

LIBERAL – O papa no Sínodo para a Amazônia: atalho para atrair mais gente (Remo Casilli/Reuters)
Era natural, quase vocacional, que o mundo ao redor de Dulce a levasse ao vestibular da Congregação para a Causa dos Santos. Seus seguidores sabem, de cor e salteado, os dois milagres que a tornaram santa — a hemorragia subitamente estancada da funcionária pública sergipana Claudia Cristina dos Santos, que sofreu durante dezoito horas depois do parto e se salvou ao ouvir orações de seguidores de irmã Dulce, e a cegueira rapidamente solucionada do maestro baiano José Mauricio Moreira, que conviveu catorze anos com um glaucoma e recuperou a visão ao esfregar a imagem da freira nos olhos. A dupla de eventos, reconhecida pelo Vaticano, é apenas a pequena ponta de um imenso iceberg. “Desde a morte de irmã Dulce, cerca de 13 000 relatos de supostos milagres chegaram às Obras Sociais Irmã Dulce”, diz Osvaldo Gouveia, museólogo da entidade inaugurada pela freira. Eles são enviados por e-mail ou cartas de todo o país. Bahia, Minas Gerais e São Paulo são os estados que mais encaminham testemunhos de fé. Alguns foram rapidamente descartados no processo de canonização, por improváveis — outros seguiram adiante, para o escrutínio oficial, e, por alguma impossibilidade de confirmação religiosa, permaneceram apenas no coração e nas lembranças dos salvados.

 A reportagem de VEJA selecionou quatro histórias, entre as dezenas de milhares propostas, de pessoas que acreditam ter recebido um milagre ao rezar a irmã Dulce, relatos colhidos nas cidades paulistas de Santo André, Santa Bárbara d’Oeste e Jaguariúna, que abriga a primeira paróquia dedicada a Dulce no país (leia abaixo).
Não é fácil ser santo, e irmã Dulce entrou numa engrenagem que talvez seja a mais severa (e fascinante) da Igreja. Na Antiguidade, quase todo mártir cristão era alçado à condição de santo. Não havia regras, daí o número de 27 000 santos listados. No século XVI, o papa Sisto V determinou que apenas o sumo pontífice poderia conceder o definitivo nihil obstat (nenhuma objeção, em latim).

Um único processo de santificação poderia custar 750 000 euros, para análise de postulados, pagamento de traduções, contratação de médicos — sim, todo milagre só é aceito desde que a medicina seja incapaz de explicar recuperações do corpo humano — e, em casos escandalosos, o pagamento de pareceres. Quatro meses depois das denúncias, o papa Francisco criou novas regras para o rito. Em 2016, ele definiu que toda contribuição para qualquer processo de canonização tem de ser depositada numa única conta e gerenciada por um único administrador, que deve “escrupulosamente respeitar as intenções dos contribuintes”. Irmã Dulce foi canonizada sem nenhum atalho irregular. Em depoimento ao jornalista Graciliano Rocha, no livro Irmã Dulce, a Santa dos Pobres (Editora Paralela), o banqueiro Ângelo Calmon de Sá estima que a causa tenha custado 1 milhão de reais entre 1999 e dezembro de 2010, momento da beatificação anunciada por Bento XVI. O dinheiro veio de doações.

A iniciativa de Francisco, moralizadora, segue a trilha inaugurada por João Paulo II — de simplificação e transparência na estrada que vai dar nos santos (embora, ressalve-se, nem sempre bem-sucedida). Na Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister, de 1983, o papa polonês determinou mudanças fundamentais. A principal: o número de milagres para a beatificação caiu de dois para um, e o da canonização, de quatro para dois. Além disso, dentro da estrutura da Santa Sé, a definição dos santos deixou de ser a briga eterna entre os defensores das causas e os chamados “advogados do diabo” e passou a se espelhar nos processos acadêmicos, de concessão de doutorados. Nas palavras do padre americano Richard Gribble, “era um julgamento e agora é uma investigação”. Longa, mas necessária — e interessante demais para ser desdenhada.

Depois da morte do candidato, uma petição formal é submetida a Roma para os passos inaugurais da beatificação (no caso de irmã Dulce, os primeiros papéis pousaram em Roma em janeiro de 2000). Com a aprovação, a diocese local indica um postulador, o encarregado de reunir os testemunhos, de reconstruir a vida do pretendente (o advogado de Dulce foi o teólogo calabrês Paolo Vilotta, de 37 anos, sempre muito bem-vestido e permanentemente calado). O passo seguinte é a exumação do corpo, modo de garantir que a pessoa existiu (dali foram extraídos os fragmentos ósseos da baiana levados a Francisco). Com o material reunido, o relator finaliza o positio, peça derradeira de defesa da postulação, submetida aos cardeais da Congregação para a Causa dos Santos, que então se debruçam sobre os supostos milagres, convocando médicos especialistas — pelo menos sete. Um milagre tem de ser preternatural (quando a ciência não é capaz de explicá-lo), instantâneo (acontecer imediatamente após a oração), duradouro e perfeito.

Na visão do Vaticano e dos fiéis, os santos e as santas levam a Deus as súplicas de seus semelhantes. Feita santa, Irmã Dulce dos Pobres tem pela frente um desafio, que, se não pode ser considerado milagroso, porque seria desrespeitoso imaginá-lo assim, é árduo: iluminar os caminhos para a Igreja Católica no Brasil. Essa talvez seja sua grande missão a partir deste domingo, 13, dia em que Francisco, o papa simples, vai canonizá-la.

“irmãzinha, me livre dessa dor”

 (Egberto Nogueira/ímã Foto Galeria/.)
“Eu tinha a síndrome do túnel do carpo, doença que incapacita os movimentos do braço pela dor que causa. Os sintomas iam de formigamento a uma dor lancinante, que vinha e voltava. Um dia, o médico disse que não havia mais solução, só operando. Mas tive de me submeter antes a uma outra cirurgia. Em recuperação desse procedimento, senti a pior dor da minha vida. Chorava como criança. Por uma razão inexplicável, me veio à cabeça a beata Dulce: “Por favor, irmãzinha Dulce, me livre dessa dor”, rezei, e rezei. Nunca tinha rezado a ela. A dor sumiu na hora. Isso foi há treze anos, e a dor nunca mais voltou. Hoje eu participo de grupos de pescaria, pesco peixe de 2,5 quilos. Foi um milagre.”

Carmelita Bedin, 81 anos. Santo André (SP)

“Ela apareceu para mim”

 (Egberto Nogueira/ímã Foto Galeria/.)
“Em 2014, minha mulher teve de se submeter a uma cirurgia arriscada. Ela podia ter uma inflamação no pâncreas. Decidimos pela operação. Durante o procedimento, tive a forte sensação de que eu iria perdê-la. Coloquei as mãos no rosto e vi, de olhos fechados, a imagem de uma mulher baixinha com um pano na cabeça. Ela me falou: “Pode ficar tranquilo, estou cuidando dela”. Minutos depois, soube que operação tinha sido bem-sucedida. Após alguns dias, ao ver uma foto de irmã Dulce no jornal, percebi que a pessoa que havia aparecido para mim era ela. Foram dois milagres: ela salvou minha mulher e me deu uma fé inabalável.”

Pedro Florentino, 58 anos, e a mulher, Aparecida, 52. Santa Bárbara d’Oeste (SP)

“Meu neto tem uma vida normal”

 (Egberto Nogueira/ímã Foto Galeria/.)
“Quando minha filha engravidou pela terceira vez, fiquei muito preocupada. Seu útero tinha varizes. Ela poderia ter hemorragias. O médico havia desaconselhado a gestação, inclusive. Mas o problema que aconteceu foi outro. Ao ver meu neto, Luís Otavio, minutos depois do nascimento, percebi que ele estava um pouco mais roxinho que o normal. Conversei com os médicos, e eles disseram que ele tinha nascido sem um pedaço grande do intestino e que a única solução seria operá-lo. Disseram também que dificilmente ele suportaria a cirurgia. Tinha apenas doze horas de vida. Na hora fui à capelinha do hospital e pedi à beata Dulce que tivesse misericórdia do meu netinho. Ele não só sobreviveu como tem uma vida normal. Os médicos ficaram impressionados. Ele foi abençoado por um milagre. Não consigo dizer o nome da minha santa sem chorar.”

Ieda Vilma da Silva Borgognoni, 75 anos, com a filha Daniele, 37, e o neto Luís Otavio, 1 ano e 7 meses. Jaguariúna (SP)

“As bonecas espalham fé”



“Meu pai tinha Parkinson. Cheguei a deixar minha cidade para ficar com ele, em São Paulo. Durante uma internação, ouvi dos médicos que não havia mais nada a fazer. Eles me pediram autorização para dar uma injeção que o levasse ao fim. Não entendo de medicina, sabia que seu estado era grave, mas senti que não era a hora de ele ir embora. Eu não disse nada. Simplesmente rezei à irmã Dulce, de quem sou devota há muito tempo, com todo o fervor. Pedi simplesmente que meu pai nos deixasse apenas na hora certa. No dia seguinte, o médico que cuidava dele foi substituído no hospital — e o novo doutor teve outra postura. Meu pai viveu por mais dois anos. Hoje passo o dia fazendo bonecas da minha santinha para dar de presente a amigos e parentes.”
Isaura Nogueira, 63 anos. Jaguariúna (SP)

Transcrito da  Revista VEJA, edição nº 2656