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terça-feira, 11 de março de 2025

O Maravilhoso valor da Santa Missa - 2

O Maravilhoso valor da Santa Missa

A SANTA MISSA é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor JESUS CRISTO, oferecido em nossos altares, em memória do Sacrifício da Cruz.

O Santo Sacrifício da   Cruz é oferecido:

1º- para adorar e glorificar a DEUS;                                    

2º- para agradecer a DEUS, os benefícios recebidos; 

3º- para obter de DEUS o perdão dos pecados; 

4º- para pedir a DEUS graças e favores.

 1 - Na hora da morte, as Missas a que houveres assistido, serão a tua maior consolação.  Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada missa, pois, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados – pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor.

          Assistindo com devoção à Santa Missa, prestas maior das honras à Santa Humanidade de JESUS CRISTO. Ele se compadece de muitas de tuas negligências e omissões. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais porém, te arrependes; preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam.

       Diminui o império de satanás sobre ti mesmo.

       Sufraga as almas do purgatório da melhor maneira possível.

       Uma só Missa a que houveres assistido em vida, ser-te-á mais salutar que muitas a que outros assistirão por ti depois da morte.

      Será ratificada no Céu a bênção, que do Sacerdote recebes na Santa Missa (Santo Agostinho)

2 – O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa.

         Pelo martírio o homem oferece a DEUS à sua vida; na Santa Missa, porém, DEUS dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens.

“Se o homem reconhecesse devidamente esse mistério, morreria de amor”.

A Eucaristia é o milagre supremo do SALVADOR; é o dom soberano do Seu amor. (São Tomás de Aquino)

Continua............

 

 

 

Santo do Dia - 11 de março

São Constantino

 Constantino faz parte da heróica história do cristianismo na Escócia. Ele era rei da Cornualha, pequena região da Inglaterra e se casou com a filha do rei da Bretanha. Depois se tornou o maior evangelizador de sua pátria e o responsável pela conversão do país.

O rei Constantino não foi um governante justo, até sua conversão. No início da vida cometeu sacrilégios e até assassinatos, em sua terra natal. Para ficar livre de cobranças na vida particular, divorciou-se da esposa. Foram muitos anos de vida mundana, envolvido em crimes e pecados. Mas quando soube da morte de sua ex-esposa, foi tocado pela graça tão profundamente que decidiu transformar sua vida. Primeiro abriu mão do trono em favor de seu filho, depois se converteu, recebendo o batismo. Em seguida se isolou no mosteiro de São Mócuda, na Irlanda, onde trabalhou por sete anos, executando as tarefas mais difíceis, no mais absoluto silêncio.

Os ensinamentos de Columbano, que também é celebrado pela Igreja, e que nesse período estava na região em missão apostólica, o levaram a se ordenar sacerdote. Assim, partiu para evangelizar junto com Columbano, e empregou a coragem que possuía, desde a época em que era rei, para a conversão do seu povo. As atitudes de Constantino passaram a significar um pouco de luz no período obscuro da Idade Média.

A Inglaterra e a Irlanda, naquela época, viviam já seus dias de conversão, graças ao trabalho missionário de Patrício, que se tornou mártir e santo pela Igreja, e outros religiosos. Constantino que recebera orientação espiritual de Columbano não usava os mantos ricos dos reis e sim o hábito simples e humilde dos padres. Lutou bravamente pelo cristianismo, pregou, converteu, fundou vários conventos, construiu igrejas e, assim, seu trabalho deu muitos frutos. Sua terra, antes conhecida como "o país dos Pitti", assumiu o nome de Escócia, que até então pertencia a Irlanda.

Porém, antes de se tornar um estado católico, a Escócia viu Constantino ser martirizado. Foi justamente lá que, quando pregava em uma praça pública, um pagão o atacou brutalmente, amputando-lhe o braço direito, o que causou uma hemorragia tão profunda que o sacerdote esvaiu-se em sangue até morrer, não sem antes abraçar e abençoar a cada um de seus seguidores. Morreu no dia 11 de março de 598, e se tornou o primeiro mártir escocês.

O seu culto correu rápido entre os cristãos de língua anglo-saxônica, atingiu a Europa e se propagou por todo o mundo cristão, ocidental e oriental. Sua veneração litúrgica foi marcada para o dia de seu martírio. 


São Constantino, rogai por nós!


Santo Eulógio

Eulógio talvez seja a vítima mais célebre da invasão da Espanha pelos árabes vindos da África ao longo dos séculos VIII ao XIII. Entretanto, inicialmente todos os cristãos espanhóis não eram candidatos ao martírio ou à escravidão e os Califas não eram tidos como intolerantes e sanguinários. Ao contrário, a Espanha gozava, sob a dominação dos árabes, longos períodos de paz e de benesses, determinantes para o desenvolvimento de um alto padrão de civilização, diferente do concedido pela dominação dos romanos.

Também na religião, eles pareciam tolerantes. Não combatiam o Cristianismo, mas o mantinham na sombra e abafado, sem força para se difundir, para fazer progressos, para que não entrasse em polêmica com a religião do Estado, ou seja, a muçulmana. Desejavam um Cristianismo adormecido.

Mas os católicos da Espanha não se submeteram aos desejos dos árabes. E não por provocação aos muçulmanos, mas porque a sua fé, vivida com coerência, não podia se apagar pela renúncia e pelo silêncio. Também Eulógio, nascido em Córdoba de uma família da nobreza da cidade, foi um desses cristãos íntegros. Ele era sacerdote de Córdoba quando a perseguição aos cristãos começou e já era famoso pela cultura e atuação social audaciosa, ao mesmo tempo em que trabalhava com humildade junto aos pobres e necessitados. Formado na Universidade de Córdoba, muito requisitada na época , ele lecionava numa escola pública e se reciclava visitando dezenas de museus, mosteiros e centros de estudos.

Escrevia muito, como por exemplo os livros: "Memorial" e "Apologia", nos quais fez uma contundente análise da religião muçulmana confrontada com a cristã, pregando a verdade que é a liberdade pela fé em Cristo. Essa defesa da fé e dos fiéis ele apregoava na escola pública onde lecionava bem como nos conventos e igrejas que visitava, aprimorando os preceitos do cristianismo aos fiéis e às pessoas que o escutavam, conseguindo milhares de conversões.

Por isso, e por assistir aos cristãos presos, os quais amparava na fé, o valoroso padre espanhol irritou as autoridades árabes que, apesar do respeito que tinham por ele, mandaram prende-lo. Baseado no que ocorria nos calabouços, onde eram jogados os cristãos antes da execução da pena de morte, escreveu a "História dos Mártires da Espanha". Uma obra que registrou para a posteridade o martírio de pessoas cujo único crime era manter sua convicção na fé em Cristo.

Depois, libertado graças à influência de familiares e autoridades locais, voltou a atuar com a mesma força. Falecido o bispo de Córdoba, Eulógio foi nomeado para o cargo. Passou então a ser considerado líder da resistência aos muçulmanos e, quando conseguiu converter a filha de um influente chefe árabe, a paciência dos islâmicos chegou ao fim. Eulógio, foi novamente processado, preso e, desta vez, condenado à morte.

Sua execução se deu no dia 11 de março de 859. Data que a Igreja manteve para sua festa, já muito antiga para os cristãos espanhóis e os da África do Norte, depois estendida para todos os cristãos, pela tradição de sua veneração. 


Santo Eulógio, rogai por nós! 

 

Santos Marcos Chong e Aleixo Se-yong


Martirizados na Coreia com 70 e 19 anos [
1866]

Igreja que nasce no martírio
A história da Igreja é repleta de relatos de mártires, dentre eles, há uns mais conhecidos do que outros. Alguns nomes, como São Sebastião e Santa Luzia, são comuns entre os católicos. Outros mais recentes, como São Maximiliano Maria Kolbe, também são mais populares. Mas este texto pretende apresentar a você dois santos mártires, desconhecidos por muitos brasileiros, que, ao lado de outros, se tornaram verdadeiras bases da Igreja no Oriente: santos mártires Marcos Chong Ui-bae, catequista; e Aleixo U Se-yong, seu catequizando.

Fé na Coreia
Por causa da fé cristã, os dois foram ultrajados e flagelados pelos próprios parentes na Coreia, em 1866.
A oferta de vida deu origem à fé cristã na Coreia, que começa dois séculos antes, com a iniciativa de alguns leigos. O desenvolvimento das primeiras comunidades foi solidificado apenas no século XIX, com a chegada dos primeiros missionários vindos da França. 

Mergulhando na vida dos mártires chineses
Poucos anos antes, nascia Marcos Chong Ui-bae. Filho de uma família pagã da nobreza local, Marcos se tornou professor, se casou e ficou viúvo. Foi aí que se sentiu tocado pelo testemunho de dois sacerdotes católicos martirizados: a alegria dos padres, mesmo diante da tortura, fez com que o jovem coreano se interessasse pelo catolicismo, a ponto de pedir o Batismo pouco tempo depois.

Vivência cristã
Catequista, aderiu a uma vida de pobreza e austeridade, ao lado da esposa, também cristã, se dedicou à caridade, prestando serviços aos doentes e aos órfãos, chegando a adotar uma criança. Mas seu testemunho não foi o suficiente para conter a onda de perseguições que surgia contra os cristãos. Marcos chegou a ajudar muitos católicos a deixar a Coreia, mas decidiu permanecer no próprio país.

O encontro
Conheceu um jovem, enviado pelo então bispo São Simeão Berneux, para ser catequizado: Aleixo U Se-Yong. Também oriundo de uma família rica, Aleixo rapidamente aceitou a pregação do Evangelho realizada por Marcos e se tornou cristão, abandonando a família que não aceitava aquela conversão, a ponto de ameaças e agressões físicas. Anos depois, fruto de sua intercessão, 20 membros de sua família aceitariam se tornarem cristãos.

Perseguição
A perseguição contra os cristãos continuava: de um lado, o confucionismo, religião oficial do Estado, e, de outro, as tradições de veneração de ancestrais. Marcos Chong Ui-bae é preso. Seus algozes tentam em vão que ele denuncie outros católicos; Marcos oferece nomes de cristãos que já haviam morrido, em sinal do seu amor aos irmãos e sua fidelidade a Cristo. A Igreja relata que foi Aleixo quem se empenhou na tradução do Catecismo e de outros textos católicos para o idioma coreano. 

Negou e arrependeu-se profundamente
Ao saber da prisão daquele que o havia catequizado, resolve negar a fé cristã e participa de um linchamento de um catequista. À semelhança de São Pedro, é irremediavelmente tomado por um arrependimento profundo de seus atos, resolve visitar um bispo na prisão, recebe o perdão dos pecados, mas acaba cativo, onde permaneceu firme na fé.

Decapitados em fidelidade a Deus
Em 11 de março de 1866, Marcos, aos 70 anos, e Aleixo, aos 19, caminharam juntos em direção ao martírio, quando foram decapitados, pelos próprios parentes. Os dois foram beatificados 102 anos depois, pelo Papa Paulo VI, e canonizados em 6 de maio de 1984, pelo Papa João Paulo II, ao lado de outros 93 mártires coreanos e 10 padres franceses. As estimativas é que cerca de 10 mil católicos coreanos foram martirizados no primeiro século de vida da Igreja naquele país. Em 2014, o Papa Francisco beatificou outros 124 coreanos, vítimas do martírio. 

Os cristãos hoje na Coreia
Não há como não vincular o avanço da evangelização na Coreia do Sul à fé provada ao limite do martírio de homens, como São Marcos Chong Ui-bae, catequista, e São Aleixo U Se-yong. Hoje, a Coreia do Sul vê um considerável aumento no número de católicos. Segundo o relatório do Catholic Pastoral Institute of Korea, em 2018, os católicos sul-coreanos eram 5.866.510, enquanto que, em 1999, eram 3.946.844. Uma alta de 48,9%. Neste período de tempo, a porcentagem de católicos do país passou de 8,3% a 11,1%.

Lição para a vida pessoal
O que se aprende com esses dois santos? Em primeiro lugar, assim como na história de todos os mártires, a inegável fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho. Ainda que São Aleixo tenha apostatado, ciente do erro que havia cometido, volta confiante na misericórdia divina à comunhão da Igreja e da fé. Com eles também aprende-se que a pertença é inegociável, mesmo que, quando quem exige uma negação são os mais próximos. Mais que isso, ensinam a não desistir daqueles que perseguem, colocando em prática o ensino de Jesus de orar sem cessar por aqueles.

A minha oração
“Senhor Jesus, que o testemunho de São Marcos Chong Ui-bae, catequista, e São Aleixo U Se-yong, de terras e épocas tão diferentes das nossas, anime o nosso coração à busca contínua do amor e fidelidade a Jesus, sabendo que, com a nossa adesão radical ao Evangelho, outros também serão alcançados – na nossa família, na nossa cidade, no nosso país -, ainda que isto seja pago com o preço da nossa própria vida. Amém!”

São Marcos Chong Ui-bae e Aleixo U Se-yong, rogai por nós!  


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Santo do Dia - 9 de agosto

São Fermo e São Rústico


Fermo e Rústico foram dois mártires do norte da África. O primeiro teria morrido em Cartago, no tempo do imperador Décio, que empreendeu uma grande e dura perseguição aos cristãos entre os anos de 249 e 251. O segundo teria sido morto, junto com outros, na região da Argélia, durante o império de Valeriano.

As suas relíquias encontram-se na Igreja de São Fermo e São Rústico, em Verona, na Itália. Trata-se de um conjunto arquitetônico muito exótico, formado por duas igrejas, construídas uma sobre a outra, em momentos diferentes. Uma teria sido construída durante o século XIII, e a outra, no século XIV. A magnífica igreja superior guarda as urnas de Fermo e Rústico, que possuem uma história muito interessante, envolta de longínquas tradições cristãs do Oriente e do Ocidente.

Segundo elas, Fermo e Rústico não eram africanos, mas veronenses de origem. Teriam sido mortos decapitados por não renegarem a fé em Jesus Cristo no tempo do imperador Maximiano, entre 286 e 310. Depois disso, seus corpos teriam sido enviados a Cartago, no norte da África, para serem sepultados.

Porém suas relíquias tiveram novamente o rumo da Itália, entre 757 e 774, devido à aclamação do povo. O retorno foi patrocinado pelo bispo de Verona, Annone, que custeou o traslado das relíquias de volta à sua terra natal. Os dois mártires foram acolhidos com grande solenidade, quando os corpos foram depositados nas igrejas, que há muito tempo já haviam sido erguidas em honra de seus nomes.

Essa história está registrada em dois documentos: no "Translatio ss. Firmi et Rustici", da segunda metade do século VII, e no "Il ritmo pipiniano", escrito entre os séculos VIII e IX. Naquela época, o norte da África estava sob domínio dos vândalos de Genserico. Isso provocou uma emigração de cidadãos romanos, fugitivos, de volta à Itália.

Verona era a província que mais acolhia esses fugitivos. Ela teve como bispo o norte-africano Zeno, também um fugitivo, que hoje é festejado como Padroeiro da cidade. Ele é um bom exemplo de como o povo veronense tinha grande veneração pelos mártires africanos. Assim, é bem possível que tenham adotando, também, os santos Fermo e Rústico, muito celebrados como padroeiros de Verona. 


São Fermo e São Rústico, rogai por nós!


Santa Edith Stein (Tereza Benedita da Cruz)

Edith Stein nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma próspera família de judeus. Aos 2 anos, ficou órfã do pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a educaram dentro da religião judaica.

Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedera esse título a 12 mulheres até a última metade do século XX.

Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d'Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.

Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.

Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.

A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.

Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros 242 judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a "freira alemã", como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento e o dos demais.

No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.

A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein "co-Padroeira da Europa", junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena. 

 

Minha oração 

“Ó Santa Teresa Benedita da Cruz, ajuda-me a ter um encontro verdadeiro com Jesus, a fim de morrer para as coisas deste mundo e viver apenas para Ele. Santa Edith Stein, interceda por mim a Deus Pai, para que logo estejamos todos juntos no paraíso. Amém.”

 

 Santa Edith Stein, rogai por nós!(Tereza Benedita da Cruz)

Conheça 10 fatos sobre Santa Teresa Benedita da Cruz. Assista ao vídeo!




domingo, 5 de março de 2023

5 de março - Santo do Dia

São João José da Cruz

Sua profunda fé na Divina Misericórdia fez com que este santo fizesse muito por sua ordem religiosa

Religioso de vida eremítica


Nasceu na ilha de Ischia com o nome de Carlos Caetano Calosirto, aos 15
de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho do nobre José e de Laura. Recebeu os ensinamentos básicos e os alicerces religiosos frequentando os colégios dos padres agostinianos, na própria ilha.

Aos quinze anos optou pela vida religiosa pela grande vocação que sentia, ingressando na Ordem dos Franciscanos descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como alcantarinos, pela austeridade das Regras dessa comunidade, dependentes do convento de Santa Lucia, em Nápolis.

Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação monástica do padre José Robles. Em 1671 foi enviando com mais onze sacerdotes, dos quais ele era o mais jovem, para o Piedimonte d'Alife para construírem um convento. Diante das dificuldades encontradas no local não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulando assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco, mas, percebendo que estavam errados começaram a ajudá-lo, de modo que um grande convento foi edificado em pouco tempo. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

Ao completar vinte e quatro de idade foi nomeado mestre dos noviços e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. Durante a sua permanência em Piedimonte, construiu, num local isolado na encosta do bosque, um outro pequeno convento chamado de "ermo", ainda hoje meta de peregrinações, para poder rezar em retiro. Conseguiu ainda, trabalhando de forma muito ativa e singular, construir o convento do Granelo em Portici, também em Nápolis.

João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas, tinha o hábito de se levantar a meia noite para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Fazia questão de ser pobre na vida e na própria personalidade, como São Francisco de Assis, seu modelo de vida.

Em 1702 foi nomeado vigário provincial da Reforma de São Pedro de Alcântara, na Itália. Assim a Ordem, abençoada por Deus, desceu de Norte a Sul, adquirindo um bem espiritual tão grande que chegou ao Vaticano, o qual tornou a reunir os dois ramos dos alcantarinos. Dessa forma o convento de Santa Lúcia voltou para os padres italianos e João Jose da Cruz retornou para lá. Nele viveu mais doze anos na santa austeridade e, segundo os registros da Igreja e a tradição, realizando prodígios e curas para seus amados pobres e doentes. Morreu no dia 05 de março 1734, sendo sepultado nesse mesmo convento.

Frases
“Tudo o que Deus permite, permite para o nosso bem.”

“Recomendo-lhe Nossa Senhora.”

Oração oficial ao santo
São João José da Cruz obtém-nos a sua alegria e serenidade nas doenças, como também nas provações, embora saibamos que o sofrimento é um grande dom de Deus, que deve ser oferecido com pureza ao Pai, sem ser perturbado pelas nossas reclamações. Seguindo o seu exemplo, queremos suportar tudo com paciência, sem fazer pesar nossas dores sobre os outros. Pedimos ao Senhor a força; e a Ele agradeçamos, não apenas quando nos proporciona alegria, mas também quando nos permite doenças e as diversas provações.

A minha oração
“Oh querido frade, ensinai-nos a viver em santidade e em pobreza de coração. Com a vossa intercessão, envia-nos um espírito de fidelidade e amor a Jesus para que assim possamos caminhar rumo à santidade de vida. Faz de nós imitadores da Sabedoria e repletos de bons conselhos para os nossos irmãos e irmãs. Amém!”


Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. As relíquias de São João José da Cruz, foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, onde nasceu, e é venerado no dia se sua morte. 


São João José da Cruz, rogai por nós!


São Teófilo

Para chegar a data padrão da comemoração da Ressurreição do Senhor,  foram necessários muitos estudos. Um dos responsáveis para que a data  não se confundisse com comemorações de outras religiões foi Teófilo, o bispo da Cesaréia, na Palestina.

Essa informação nos foi passada através de outro bispo da Cesaréia, Eusébio, que relatou na sua História Eclesiástica, no século V, ter sido Teófilo um dos mais influentes e importantes representante daquela diocese cristã oriental.

Nessa época, primeiros tempos do cristianismo, eram muitas as igrejas antigas da Ásia que ainda comemoravam a Páscoa como os judeus, onde no primeiro dia da primeira lua cheia de março imolavam seus cordeiros, para ofertarem à Deus. Contudo, para o catolicismo, a Páscoa deveria marcar apenas o mistério da Ressurreição do Senhor.

Foi aí que o bispo Teófilo interferiu com toda a força e autoridade, pois tinha sido contemporâneo dos primeiros Apóstolos e deles recebera a indicação da data correta. Mantendo sua fidelidade ao Papa Vitor I, organizou um sínodo na Palestina, com os mais respeitados bispos e clérigospara tratarem a delicada e importante questão. Todos ouviram suas explicações e sua posição foi aceita e oficializada num documento chamado: carta sinodal.

Em seguida, a carta foi enviada para todas as dioceses, especialmente as orientais, que ainda não cumpriam a determinação da Igreja de Roma.  Essa atitude possibilitou a uniformidade da festa da Páscoa da Ressurreição em todo o mundo cristão, colocando um ponto final nessa questão doutrinal, conforme a Igreja pretendia.

Concluímos que de fato sua intervenção foi grande e decisiva, pois até os nossos dias a Festa Pascal em nada foi alterada. Depois disso, Teófilo retornou à sua diocese, para continuar sua missão pastoral. Trabalhou com igual zelo junto aos ricos e pobres, mantendo firme autoridade contra os hereges da genuína doutrina de Cristo e total fidelidade à Igreja de Roma. A comunidade o amava mais como um pai, amigo e conselheiro, do que uma autoridade eclesiástica.

Por sua sabedoria, integridade de vida e contribuição à Igreja sua festa litúrgica foi introduzida no Martirológio Romano no dia de sua morte, em 05 de março. 


São Teófilo, rogai por nós!

 

 

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Concílio Vaticano 2º: os 60 anos do encontro que modernizou a Igreja Católica

"Ao promover um diálogo intra e extra-muros, o concílio significou a passagem da Igreja Católica, então medieval, para a modernidade", define o teólogo Gerson Leite de Moraes

Padres mais antigos, que viveram o catolicismo pré e pós-Concílio Vaticano 2º, costumavam dizer que antes as pessoas assistiam à missa. Depois, passaram a participar dela. É uma verdade que ilustra, do ponto de vista do católico participante, a dimensão do que foi esse encontro da cúpula da Igreja Católica ocorrido de 11 de outubro de 1962 a 8 de dezembro de 1965.

Até então, as missas eram celebradas em latim, com o padre de costas para os fiéis. Só a partir dali é que os rituais passaram a ser na língua local, com o padre virado para o povo, como se todos estivessem ao redor de uma mesma mesa — no caso, o altar.

Mas esta foi apenas uma das mudanças proporcionadas pelo encontro, que buscou alterar significativamente a mentalidade da instituição religiosa milenar.

"Ao promover um diálogo intra e extra-muros, o concílio significou a passagem da Igreja Católica, então medieval, para a modernidade", define o teólogo, historiador e filósofo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Para o filósofo e teólogo Fernando Altemeyer Junior, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o encontro foi importante "porque abriu a Igreja para dialogar com o mundo e sair das masmorras onde havia se encerrado".

"O Vaticano 2º foi orientado pela palavra 'atualização'. Atualização diante dos desafios do mundo, com as mudanças, com o avanço da ciência e da tecnologia, com a mudança das questões morais e com as questões sociais exigindo respostas, no clima da guerra fria", destaca o vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre em Roma. Ele ressalta que fazia "muito tempo" que a Igreja não fazia uma reforma profunda e o concílio foi a oportunidade de revisar paradigmas.

Não foi algo simples, nem de uma hora para outra, é claro. Na história da igreja, são chamados de concílios os encontros convocados pelo papa para deliberar sobre o futuro da organização, a partir de paradigmas de fé, costumes e doutrinas. Reúnem a cúpula hierárquica da Igreja e atravessam intensos debates.

Fiéis

O Vaticano 2º foi realizado por meio de quatro sessões — de outubro de 1962 a dezembro de 1965. No total, participaram 3.060 membros com voz e voto, entre eles dois papas — João 23 (1881-1963), que convocou o sínodo, e seu sucessor, Paulo 6º (1897-1978) —, 129 superiores gerais, 12 patriarcas, dois vigários patriarcais, 122 cardeais, 398 arcebispos, 1.980 bispos, 91 prelados, entre outros cargos eclesiásticos.

Dentre todos os participantes do encontro, há apenas seis vivos, nenhum brasileiro. "O Brasil enviou ao encontro 221 bispos e prelados, além de nove peritos e um leigo", pontua Altemeyer Junior.

No total, o concílio resultou na publicação de quatro constituições, nove decretos e três declarações.

De forma geral, é possível delimitar em quatro eixos o impacto do evento.

"A nova liturgia em línguas vernáculas, a retomada da palavra de Deus como central na fé católica, a ação em favor da transformação do mundo, e a nova consciência da Igreja como instrumento de diálogo com as realidades do mundo e as outras religiões", descreve Altemeyer.

Em outras palavras, o catolicismo pós-concílio se tornou mais próximos dos fiéis, mais profundo biblicamente, mais perto dos pobres e mais aberto às outras manifestações religiosas.

"É como se a Igreja Católica estivesse se reconciliando com a modernidade", comenta Moraes. "Após o Vaticano 2º, podemos falar em renovação, em reflorescimento do catolicismo."

"Demorou para isso acontecer? Demorou. Mas é preciso lembrar que a Igreja Católica é um transatlântico: virar esse negócio é muito difícil, manobrar é muito difícil", acrescenta o teólogo.

Opção pelos pobres

Isso se tornou mais simbólico ainda no chamado Pacto das Catacumbas — oficialmente Pacto da Igreja Servidora e Pobre —, um documento produzido e assinado por 42 participantes do concílio.

O pacto recebeu esse nome porque foi assinado em um encontro realizado nas catacumbas de Santa Domitila, em Roma. Depois, mais de 500 religiosos também se tornaram signatários do documento.

Entre os pontos do texto, há o compromisso em dar "tudo o que for necessário ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos", a recusa a privilégios e títulos e o ensejo de colocar "tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis."

"A Igreja Católica, ao entrar de fato na modernidade, ela faz uma opção pelos pobres combatendo as estruturas geradoras de injustiça social", analisa Moraes.

Com 13 pontos, o texto foi apresentado no dia 16 de novembro de 1965 e contou com a participação de cinco brasileiros: o então arcebispo de Vitória, João Mota e Albuquerque (1909-1984); o bispo de Afogados de Ingazeira, Francisco de Mesquita Filho (1924-2006); o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, José Castro Pinto (1914-2007); o bispo de Botucatu, Henrique Golland Trindade (1897-1974); e o então bispo de Crateús, Antônio Fragoso (1920-2006).

O acordo teve como um dos mentores principais o arcebispo Helder Câmara (1909-1999), um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e já conhecido como defensor dos direitos humanos. De acordo com pesquisa de Altemeyer, Câmara não esteve presencialmente no evento porque no mesmo dia precisou participar de uma reunião, junto à cúpula do Vaticano, relacionada ao concílio.

Comunidade e ecumenismo

Outro ponto relevante do concílio foi a melhora da comunicação com os próprios fiéis. Não só pelo fato de que as missas deixaram de ser em latim e com o padre de costas, mas também porque a liturgia passou a prever uma participação mais ativa da comunidade.

"E os leigos passaram a ser valorizados, com uma participação maior dentro das estruturas da igreja. O Vaticano passa a olhar para os leigos de uma forma diferente", diz Moraes.

Eram questões, contextualiza ele, que estavam represadas há mais de um século, com um anseio cada vez maior de participação. "Havia um anseio de uma série de movimentos dentro da Igreja, que já vinham acontecendo e deságuam no Vaticano 2º", pontua o teólogo.

Segundo o especialista, esse movimento leigo acabou trazendo sua peculiaridade para a própria aproximação da Igreja com a comunidade. "Porque a Igreja é feita de pessoas, e esse movimento refletiu as transformações e exigências socioculturais do período, mostrando que a força do laicato é fundamental para a vida da igreja", afirma. "E isso veio com muita força ao Brasil, com presença em todos os segmentos da sociedade."

"O concílio entendeu que hierarquia eclesiástica existe, mas precisa ser equilibrada com a participação popular. A devoção popular precisa ser valorizada, mas ao mesmo tempo orientada. Tudo isso foram coisas amadurecidas, que já vinham de antes do concílio, já vinham sendo faladas e até praticadas em alguns grupos", argumenta o vaticanista Domingues.

Moraes recorda ainda que o concílio demarca um esforço de diálogo ecumênico, principalmente com outras religiões cristãs, mas sem deixar de lado também outros credos.

"Era algo que alguns grupos já praticavam, mas não era uma política da Igreja", analisa Domingues. "Tornou-se um ensinamento. Não se pode ser católico sem ser a favor do ecumenismo, da unidade dos cristãos. Um católico que é contra outros cristãos não é essencialmente católico."

O vaticanista explica que é um princípio do concílio que os membros da Igreja Católica rezem e busquem amizade com os de outras denominações. E isso é visível na postura dos papas, que não raras vezes se encontram com líderes de outras religiões.

E isso vale, de certa maneira, também para as igrejas não cristãs. "Embora a Igreja Católica continue acreditando que não há salvação sem Cristo, ela se abre para a ideia de que o espírito de Deus pode se manifestar de alguma forma por meio de outras religiões e até mesmo de pessoas que não acreditam. Em outras palavras, não quer dizer que aquelas pessoas não batizadas ou que não creem em Deus são blindadas pela ação do Espírito Santo", contextualiza o vaticanista. "Isso muda completamente a presença da Igreja no mundo."

Por fim, a Igreja também fez o que é chamado de "movimento patrístico", ou seja, um mergulho em suas próprias bases teológicas. "Foi uma redescoberta dos santos padres, as fontes referenciais da tradição católica. Isso foi fundamental", acredita Moraes. Na mesma toada, a bíblia recupera o centro, com aprofundamentos de estudos. "Nesse sentido, há avanços, inclusive porque a ciência bíblica católica fez uma exegese profunda do texto, um trabalho muito sério, contando com a colaboração da linguística, da arqueologia…", exemplifica o professor.

Para Moraes, foi inaugurada uma "nova teologia" levando em consideração "os pais da igreja e os avanços exegéticos nessa 'volta à bíblia'".

Francisco

No atual pontificado, papa Francisco dá sinais de que intensificar cada vez mais o que ficou decidido no Vaticano 2º, inclusive demonstrando não tolerara aqueles que negam tais avanços. "Todos os papas foram 100% a favor do concílio, nenhum deles foi resistência. Mas cada qual abordou a seu modo", analisa Domingues. "Francisco está sendo mais duro com aqueles que não reconhecem o concílio."

Recentemente, por exemplo, ele restringiu a chamada missa tridentina, ou seja, as celebrações em latim. Ele entende que os que assim o fazem pretendem reforçar divergências. "Para Francisco, ele já falou, para ser católico é preciso reconhecer o concílio. Isso não é opcional", explica Domingues.

"Não tem como ser membro da Igreja sem aceitar os ensinamentos dela de forma integral", diz o vaticanista. "E as decisões tomadas em concílio têm poder máximo do ponto de vista moral da Igreja."

O rito litúrgico romano, embora não seja o único do catolicismo, é o principal da Igreja ocidental. "A Igreja tem sido mais ou menos flexível com aqueles que seguem o tridentino, mas Francisco tem buscado inibir isso, limitando a alguns grupos, para que isso não cresça. Porque o concílio foi muito claro sobre como deve ser celebrada a missa. E difundir a missa tridentina é, de certa maneira, não aceitar o magistério do concílio", acrescenta Domingues.

Essa posição de Francisco é ainda mais interessante porque, se analisarmos à luz da história, ele é o primeiro papa pós-concílio que não participou do encontro. O então bispo Albino Luciani, depois papa João Paulo 1º (1912-1978), atuou como padre conciliar. João Paulo II (1920-2005), então bispo Karol Wojtyla, também. Papa Bento 16, na época padre Joseph Ratzinger atuou nos bastidores, como consultor.

"Francisco é o primeiro que não participou diretamente, mas segue colocando em prática muita coisa", conclui Domingues. Um exemplo está nos documentos. O método consagrado pelo Vaticano 2º, o "ver-julgar-agir" está visivelmente presente nas publicações do atual pontificado, sobretudo nas encíclicas.

"Antes, primeiro havia já as respostas, depois a ideia de mudar a realidade para fazer com que ela se encaixasse nas respostas", comenta Domingues. "Agora não é mais assim: a Igreja olha para a realidade, procura entendê-la e bater com as verdades da fé, então vê o que faz com que isso."

Segundo Domingues, o Concílio Vaticano 2º deixou aberta a porta para a Igreja "assumir uma voz profética sobre questões sociais e humanas mais latentes".

E é por isso que atualmente Francisco pode se posicionar sobre os mais diversos temas, com inegável autoridade política e moral. "Desde então, o mundo para ouvir o papa sobre questões gerais, não só sobre questões de fé. Francisco toca muito em assuntos assim, em temas cruciais para a humanidade, questões sociais, familiares, temas importantes para a vida em sociedade."

Correio Braziliense


sexta-feira, 5 de março de 2021

Santo do Dia - 5 de março

São João José da Cruz

Sua profunda fé na Divina Misericórdia fez com que este santo fizesse muito por sua ordem religiosa

Religioso de vida eremítica


Nasceu na ilha de Ischia com o nome de Carlos Caetano Calosirto, aos 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho do nobre José e de Laura. Recebeu os ensinamentos básicos e os alicerces religiosos frequentando os colégios dos padres agostinianos, na própria ilha.

Aos quinze anos optou pela vida religiosa pela grande vocação que sentia, ingressando na Ordem dos Franciscanos descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como alcantarinos, pela austeridade das Regras dessa comunidade, dependentes do convento de Santa Lucia, em Nápolis.

Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação monástica do padre José Robles. Em 1671 foi enviando com mais onze sacerdotes, dos quais ele era o mais jovem, para o Piedimonte d'Alife para construírem um convento. Diante das dificuldades encontradas no local não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulando assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco, mas, percebendo que estavam errados começaram a ajudá-lo, de modo que um grande convento foi edificado em pouco tempo. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

Ao completar vinte e quatro de idade foi nomeado mestre dos noviços e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. Durante a sua permanência em Piedimonte, construiu, num local isolado na encosta do bosque, um outro pequeno convento chamado de "ermo", ainda hoje meta de peregrinações, para poder rezar em retiro. Conseguiu ainda, trabalhando de forma muito ativa e singular, construir o convento do Granelo em Portici, também em Nápolis.

João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas, tinha o hábito de se levantar a meia noite para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Fazia questão de ser pobre na vida e na própria personalidade, como São Francisco de Assis, seu modelo de vida.

Em 1702 foi nomeado vigário provincial da Reforma de São Pedro de Alcântara, na Itália. Assim a Ordem, abençoada por Deus, desceu de Norte a Sul, adquirindo um bem espiritual tão grande que chegou ao Vaticano, o qual tornou a reunir os dois ramos dos alcantarinos. Dessa forma o convento de Santa Lúcia voltou para os padres italianos e João Jose da Cruz retornou para lá. Nele viveu mais doze anos na santa austeridade e, segundo os registros da Igreja e a tradição, realizando prodígios e curas para seus amados pobres e doentes. Morreu no dia 05 de março 1734, sendo sepultado nesse mesmo convento.

Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. As relíquias de São João José da Cruz, foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, onde nasceu, e é venerado no dia se sua morte. 


São João José da Cruz, rogai por nós!


São Teófilo

Para chegar a data padrão da comemoração da Ressurreição do Senhor,  foram necessários muitos estudos. Um dos responsáveis para que a data  não se confundisse com comemorações de outras religiões foi Teófilo, o bispo da Cesaréia, na Palestina.

Essa informação nos foi passada através de outro bispo da Cesaréia, Eusébio, que relatou na sua História Eclesiástica, no século V, ter sido Teófilo um dos mais influentes e importantes representante daquela diocese cristã oriental.

Nessa época, primeiros tempos do cristianismo, eram muitas as igrejas antigas da Ásia que ainda comemoravam a Páscoa como os judeus, onde no primeiro dia da primeira lua cheia de março imolavam seus cordeiros, para ofertarem à Deus. Contudo, para o catolicismo, a Páscoa deveria marcar apenas o mistério da Ressurreição do Senhor.

Foi aí que o bispo Teófilo interferiu com toda a força e autoridade, pois tinha sido contemporâneo dos primeiros Apóstolos e deles recebera a indicação da data correta. Mantendo sua fidelidade ao Papa Vitor I, organizou um sínodo na Palestina, com os mais respeitados bispos e clérigospara tratarem a delicada e importante questão. Todos ouviram suas explicações e sua posição foi aceita e oficializada num documento chamado: carta sinodal.

Em seguida, a carta foi enviada para todas as dioceses, especialmente as orientais, que ainda não cumpriam a determinação da Igreja de Roma.  Essa atitude possibilitou a uniformidade da festa da Páscoa da Ressurreição em todo o mundo cristão, colocando um ponto final nessa questão doutrinal, conforme a Igreja pretendia.

Concluímos que de fato sua intervenção foi grande e decisiva, pois até os nossos dias a Festa Pascal em nada foi alterada. Depois disso, Teófilo retornou à sua diocese, para continuar sua missão pastoral. Trabalhou com igual zelo junto aos ricos e pobres, mantendo firme autoridade contra os hereges da genuína doutrina de Cristo e total fidelidade à Igreja de Roma. A comunidade o amava mais como um pai, amigo e conselheiro, do que uma autoridade eclesiástica.

Por sua sabedoria, integridade de vida e contribuição à Igreja sua festa litúrgica foi introduzida no Martirológio Romano no dia de sua morte, em 05 de março. 


São Teófilo, rogai por nós!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31 de dezembro - Santo do dia

São Silvestre I

 A Igreja deixou de sofrer as sanguinárias perseguições e saiu da
clandestinidade, no século IV, sob o império do imperador bizantino Constantino, que se converteu à fé em Cristo. Desse modo, o cristianismo se expandiu livremente, tendo no comando da Igreja um papa à altura para estruturá-lo como uma organização eclesiástica duradoura. Era Silvestre I, um romano eleito em 314. Tanto assim que sobreviveu a muitas outras turbulências para chegar, triunfante, ao terceiro milênio.

Embora o imperador Constantino tenha deixado florescer a semente plantada pelos apóstolos de Jesus, após anos de perseguições e ter feito tantos mártires, o cristianismo ainda não estava em completa paz. Até o imperador convertido foi convocado para ajudar a manter a paz da Igreja, e ele obedeceu ao papa Silvestre I. Quando irrompeu o cisma na África, o imperador usou sua autoridade para manter a paz, inclusive para o Império. Além disso, foi orientado a ser o autor da convocação do Concílio de Nicéia, o primeiro da Igreja, em 325, no qual a Igreja de Roma saiu vencedora, aprovando o credo contra a heresia ariana.

Tudo isso acontecia com o papa Silvestre I já bem idoso. Como não agüentaria a viagem, mandou representantes à altura para que a Igreja se firmasse no encontro: o bispo Ósio, de Córdoba, e mais dois sacerdotes assessores. Como havia harmonia entre o papa e Constantino, a Igreja conseguir bons resultados também no sínodo. Recebeu um forte apoio financeiro para a construção de valiosos edifícios eclesiásticos, que também marcaram o governo desse papa.

A construção mais importante, sem dúvida, foi a basílica em honra de são Pedro, no monte Vaticano, em Roma. O local era um antigo cemitério pagão, o que fez aumentar muito a importância e o significado de a construção dedicada a Pedro ter sido feita ali. Quem descobriu isso foi o papa Pio XII, comandando escavações no local em 1939. Outra foi a Basílica de São Paulo Extra-Muro, e também a dedicada a são João, em Roma.

Também por causa de Silvestre, Constantino patrocinou à Igreja um ato histórico e de muita relevância para a humanidade e o catolicismo: doou seu próprio palácio Lateralense, para servir de moradia para os papas, e toda a cidade de Roma e algumas outras vizinhas para a Igreja. Mas esses atos não ocorreram porque Constantino tinha-se convertido ou por interferência de sua mãe Helena: o grande mérito se deve ao trabalho do papa Silvestre I. Podemos analisar melhor com a atitude de Constantino, que nunca se deixou batizar. A conversão total veio no leito de morte, quando pediu o batismo e recebeu a comunhão. Constantino está, agora, incluído no livro dos santos, ao lado de sua mãe.

Quanto ao papa são Silvestre I, morreu em 335, depois de ter permanecido no trono de Pedro durante vinte e um anos, e produzido tantos e bons frutos para o cristianismo. No ano seguinte ao da sua morte, começou a ser dedicada a são Silvestre uma festa no dia 31 de dezembro, enquanto, no Oriente, ele é celebrado dois dias depois.


São Silvestre I, rogai por nós!

 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Grupo católico extrapola na prática de exorcismo e desrespeita o papa




Uma notícia do mundo católico revelada nos últimos dias pela imprensa italiana assombrou crentes e não crentes. Os Arautos do Evangelho, um tradicional grupo católico e de origem brasileira, está sendo investigado pelo Vaticano. O motivo da sindicância: uma gravação em vídeo divulgada em reportagem do vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa que exibe os integrantes praticando exorcismos fora das fórmulas da Igreja. Com uma hora e 19 minutos de duração, o registro exibe o fundador da organização, o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, reunido com cerca de 60 integrantes para apresentar uma transcrição do que seria um diálogo entre um sacerdote da própria associação e o demônio.


Integrantes dos Arautos do Evangelho, fundada por João Scognamiglio Clá Dias, grupo dissidente da TFP, assistindo missa de coroação de Nossa Senhora na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em São Paulo (Paulo Pinto/Estadão Conteúdo/Dedoc)

O ponto máximo é quando o papa Francisco se torna o assunto. O pontífice, que segundo os preceitos do catolicismo, tem de ser respeitado como a maior autoridade da Igreja, se transforma em alvo de chacota no tal diálogo.  
“E o Vaticano?”, pergunta o sacerdote do diálogo. 
Resposta: “Estou na cabeça. Ele é meu. Eu mexo na cabeça. Ele faz tudo o que quero. Ele é um estúpido. Ele me serve .” 
Pergunta o sacerdote: “Como será a morte dele?” Diz o demônio: “Ele vai escorregar e vai cair. Vai bater a cabeça. Mas ainda falta um pouco. Vai ser no Vaticano. E virá outro papa, Rodé (o nome citado é do cardeal esloveno Franc Rodé, de 82 anos, um dos críticos do pontificado de Francisco). E será bom.”

O exorcismo é aceito e praticado no catolicismo. Jesus Cristo, como diz as Escrituras, exorcizou e passou a incumbência aos doze apóstolos. Hoje, há cerca de 300 sacerdotes que o fazem no mundo, 10% deles no Brasil. Todos devem ter sido nomeados pelo bispo local. Na diocese da qual pertence Clá não há ninguém autorizado. Diz Juarez de Castro, pároco da Assunção de Nossa Senhora, em São Paulo: “O que se vê nesse vídeo é uma verdadeira alucinação, Clá ultrapassou os limites do que prega a fé católica.”

A tradição litúrgica admite a existência do diabo e a ele se deve renunciar. Mas, como explica o livro recém-publicado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais: “A Igreja reprova as várias formas de superstição, a preocupação excessiva com satanás e os demônios. A Igreja sempre preferiu priorizar em sua pregação a Boa-Nova do Evangelho. Ela não coloca em destaque a fala sobre o maligno e sua ação contrária ao reinado de Deus.”

Os Arautos do Evangelho são uma dissidência da TFP. Ao longo de 30 anos, Clá participou da TFP e chegou a ser uma espécie de secretário particular, o homem de confiança de Plínio. Quatro anos depois da morte do Plínio ele criou os Arautos. Hoje a organização está presente em cerca de 50 países.

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